12.1.12
o outro lado
11.12.11
o rio
21.8.11
para ti
Chegaste de repente, sem te esperar. Vieste e afirmaste a tua luz.
Tudo o resto escureceu à tua volta, e desapareceu por uns instantes.
A luz, a lua, a bonança dourada de todos os momentos,
percorreram por um instante a tua pele.
Estava frio. O lago prateado ondulante,
cantava baixinho para nós.
Tudo o que resta é o caminho d'ouro,
e os liames apressados entre vós.
Apenas a escolha é ingrata e algo insana,
mas necessária.
Tudo o resto são insignificâncias, pequenas coisas, pormenores.
----
As ruínas em fogo de outros tempos
Abrandavam a sua vinda entre nós
Estavam apenas ausentes uns momentos
Para depois ressurgirem transformadas
Do outro lado em flor, adormecidas,
quase acordadas,
lembrando o renascer de outro porvir,
que ecoa nas águas sublimadas,
e entretanto esquecidas, maltratadas.
Quando o ácer vem e a glória cresce
por entre as ruínas já passadas,
nasce o homem e um outro acontecer
espera pelas noites assombradas.
---
Quando te apressas pela amurada fora
E tudo o que cresce em ti são sementes de ouro,
Trazes o teu coração em fogo,
e as crisálidas em ti ondulam esperança.
Tudo o que resta são auroras de bonança.
E todo o amor que tens para dar.
*
20.7.11
tu e eu, A. e V.
Dançamos e dançamos e dançamos. Sobretudo mazurkas, algumas scotishes.
Abraçaste-te a mim e continuaste a dançar. Tão perto, tão dentro de mim. Voltaste a abraçar-me. Disseste que esta dança te fez tão bem. Olhamos um para o outro mesmo quando estamos a dançar com outros pares.
Cheguei perto de ti. Levantaste-te e olhaste para dentro e eu para dentro de ti, falámos sobre muitas coisas. Dançamos mais uma vez.
Quase no fim, falei contigo e foi tudo tão fácil e tão fluido e tão natural.
Convidei-te para sair e disseste-me que não o podia fazer sem saber o meu nome. Apressado, atrapalhado, perguntei como te chamavas. Tu perguntaste o meu nome. Eu disse o meu nome e tu disseste o teu.
E disseste: agora podes convidar-me para sair. E eu disse, queres sair comigo? E tu disseste, sim e sorriste, como fazes sempre quando olho para ti.
Estou tão feliz! Tão feliz que nem consigo descrever o meu estado de felicidade :)
E eu a pensar que nunca iria escrever aqui coisas tão boas como esta.
Claro, foi muito mais bonito que o que escrevo aqui mas enfim, fica esta impressão do momento. Talvez mais tarde escreva melhor.
Do baile mais fantástico de sempre...do sempre deste momento...
Se tudo correr bem, talvez não volte a escrever aqui. Deixo para sempre as coisas bonitas e tristes. Mas não se preocupem, porque é sinal que estou muito feliz :)
Ou talvez...talvez...passe a escrever coisas bonitas e alegres em vez de coisas bonitas e tristes...
Vamos ver. Tenho que ir agora.
P.S. - Ela mandou-me uma mensagem já! E eu a pensar que só ia mandar na sexta... :D Ai...o meu coração vai explodir! :D
Até breve!
*
17.7.11
miss Bowie
Estás longe, tão longe. Estás aqui, dentro, tão dentro. Estás longe. Só aqui estás em memória, sonho, pedaços de nuvem. Onde estás mesmo?
Eu sei porque não escrevo. Porque não há nada para escrever, é tudo demasiado real, demasiado intenso, demasiado tudo. Lembro-me apenas do cais, das coincidências, das mãos nos teus ombros, de te inclinares para trás e de te abraçar. De todos os pequenos momentos, insignificantes, guardados no tempo, imutáveis, momentos de luz e de glória, de eternidade e de infinito, de pura felicidade.
Por momentos deixei de saber quem sou, não me sentia mais. Sentia-me algo mais, sentia-me nós. Assim. A nossa energia, o nosso caminho, a nossa vida. Tudo fazia sentido.
Foi pena que tudo fizesse sentido apenas para mim. Para ti, um beijo foi só simplesmente um beijo, um abraço, um abraço. As linhas que fluiam terminavam todas ali. No cais, nas águas, no relento. Não havia abrigo ali. Estávamos molhados, mas tu tinhas uma toalha para te secar. Faltavam raios de sol.
Nunca me vou esquecer de ti Selah. Abriste-me os olhos. Nunca mais os vou fechar. Apesar de querer tudo, agradeço o que me deste, e o que me deste é tão raro, precioso, único. Nunca o vou esquecer. Estarás sempre aqui. Por dentro estás do outro lado, deste lado, em mim.
Talvez um dia vá ao outro lado. O teu lado, em ti.
*
tu
Sorriste ao longe, sorri também e ficamos no olhar um do outro.
Estavas acompanhada. Num último momento estavas perto de mim quando tudo começou e não foi preciso dizer nada. Caiste nos meus braços e dançámos.
Porque és tão perto de mim? Apertas-me forte e sinto-te dentro de mim. Estás aqui, do outro lado. Mudas de posição, quase que te beijo a testa, mas esperei por um outro momento. Fechas os olhos e estás aqui novamente. Olhei para baixo, para ti, mas estavas em transe. Estavas do outro lado, dentro de mim. Continuas tão perto e a música continua, rodamos um pouco mais, enroscas-te em mim e dizes, sem eu ouvir, que me queres amar.
A música chegou ao fim e foste embora. Ficou tudo suspenso no ar. Ficou tudo em potência.
Até breve menina. Serão eternidades? Esperemos que não.
*
16.6.11
selah
Nunca te irei esquecer.
Adeus.
12.5.11
o regresso
Não sei o que dizer. Não há retrospectiva a fazer. É cedo demais para sínteses. Ou para deglutições apressadas.
Correu bem, mas estou insatisfeito. Não sei se cada vez mais, se mais do mesmo. Foi uma experiência importante de qualquer forma.
Fazes-me falta e esse é o problema. A tua possibilidade viaja longe, a mais de 10.000 km de distância. Demoras mais de 10 horas a cá chegar. A lá chegar. Estás longe. Ainda mais longe te encontrei, numa fronteira esquecida nos confins do mundo, a mais de 5000 m de altitude.
Tenho saudades tuas. És uma desconhecida que eu conheço tão bem e que quero rever ontem.
Que impaciência. Não sirvo para esperar. Dói-me o coração quando penso em ti. É difícil ligar-me com este mar entre nós. Nem sei se há mar. Não sei se há nós. Há apenas brumas e possibilidades e esperança.
Este sem sentido mata-me. Detesto que sejas tão importante. Tornas tudo demasiado intenso, demasiado perto, demasiado...doloroso. A tua batina cai e eu estremeço. Não sirvo para padre. As cerejas são demasiado apetitosas para o inverno. A neve vem e cobre tudo de branco. As cerejas são boas geladas, no meio da neve.
Quando vens? Quando voltas ao lugar que nunca estiveste? Quando te verei? Qual é o prazo de validade para tudo isto?
Dança-se muito, demasiado. Não há retorno. A dança cansa-me, torna-se aborrecido. Por vezes quero desistir. Deixar tudo para trás e começar de novo. Regressar ao início. Voltar.
Voltar.
*
21.1.11
o outro lado espera-te
Terei de os colher, no alto das montanhas. Onde tu habitas.
Tenho saudades tuas.
*
20.1.11
o contacto perdido
Algum tempo passa. Aproximo-me. Abraço-a. Ela abraça-me também. Quase que a beijo. Quase que ela me beija. Ela olha-me atentamente. Eu olho para dentro dela. Sorrimos. Esperamos pela próxima dança e não é o que esperávamos. Dançamos na mesma, improvisamos. Pego-lhe com força e dançamos agarrados um ao outro. Aperto-a. Ela aperta-me. Continuamos mesmo que não seja a melhor posição para dançar. Não conseguimos dançar de outra maneira. Parece um momento eterno e ao mesmo tempo extremamente fugaz. O momento termina e ela foge. Diz: vou dizer olá, e parte.
Volto a vê-la na hora de partida. Vou ter com ela e falo-lhe da casa. Da casa dela. Ela vai partir, fazer woofing. Falo-lhe do woofing, e de tudo isso. Ela vai viver para longe. Diz que vai construir casas, falamos das casas a construir. Falo do Brasil, da bioconstrução. Temos coisas em comum, conversa. Tivemos que partir.
No derradeiro momento, lá fora. Ela aproxima-se outra vez de mim. Sorrimos. Abraçamo-nos com força e damos dois beijos quando queriamos dar um só. Dizemos adeus, até um próximo baile quando queriamos dizer: vamo-nos encontrar e fazer amor.
Não sei porque não lhe pedi o contacto. Ela também não mo pediu. Eu funciono ao retardador, só entendo quando é tarde. Agora estou chateado.
Mas foi bonito. Foi tão bonito! E quem sabe se não nos encontramos outra vez. E aí acho q não vou deixar que seja assim novamente. Sempre podia ir lá ter com ela, onde quer que ela vá, um fim de semana, o que seja!
E assim ficou o meu contacto perdido. Darn. Era demasiado bom. Tão bom. Fica em segredo nos sonhos e aqui.
O mais engraçado é que foi na mesma casa que conheci a amiga dela que também partiu. E com ela também aconteceu algo semelhante. Curioso. As mulheres partem, eu fico. Um dia uma delas também há-de ficar e partir comigo. Que isto de partir e chegar não tem fim, permanecer é uma miragem bem ao longe, no horizonte.
*
16.1.11
...mas o pior de tudo é esperar por alguém que nunca vai aparecer.
apetece-me tarte de mirtilo. estou farto de iogurte. tanto faz q seja de morango ou framboesa.
O amor é dar aquilo que não se tem a alguém que não precisa dele
Tem piada como o amor pode ser assim. Partem-nos o coração e não conseguimos pensar noutra coisa. Encontramos a pessoa certa e partimos à procura dela.
A diferença é que no filme encontramo-la quando chegamos, na vida já ela partiu há muito tempo. Ninguém espera por ninguém, porque razão haveria de esperar por ti?
"How can you say goodbye to someone you can't imagine living without?"
"I didn't say goodbye"
"I didn't say anything"
"I just walked away"
"At the end of that night I decided to take the longest way across the street"
Na minha versão: How can you say goodbye to someone that you never knew but you're madly in love with?". Claro que não é assim, mas faz de conta, é mais bonito...e mais doentio.
"It took me nearly a year to get here"
"It wasn't so hard to cross that street after all"
"It all depends in who is waiting for you on the other side"
Sim, é tudo muito bonito. What if there's no one waiting for you on the other side? Pois é, fica tudo estragado, de que adianta fazer tartes de mirtilo para quem nunca chega? E no entanto, no entanto, continuamos a fazê-las............"It's just how it goes.......the story all have been told before..." ou melhor dito: O outro lado é mais bonito? Afinal sabe a framboesa ou a mirtilo? Se descobriste diz-me.
Adeus menina. Felicidades e bom ano.
6.1.11
o regresso.
Não sei o que escrever. Custa-me voltar. A sensação de nunca te encontrar queima-me a pele. A escrita já não é o que era, apodreceu, tornou-se pálida, encarquilhou com o tempo, despega-se de mim, gasta, seca, fragmentada.
O que me custa mais é não estares aqui. Mas isso já tu sabes. Sempre soubeste. Eu tento sempre convencer-me do contrário. De que não existes. De que não és nada para mim. Fazes-me falta, não te encontro em ninguém, percorro ilusões, umas atrás das outras, e farto-me.
Hoje estou cansado de te procurar. Quero descansar de ti. Estamos tão longe um do outro. Estaremos? Eu sei que amanhã continuarei a minha procura, mas hoje não. Sinto-me demasiado só para procurar, preciso de me distrair, de dispersar, recomeçar de novo, e amanhã é dia para voltar. Hoje não. Hoje estamos no limbo, na dúvida, na introspecção de todos os momentos não vividos. Restam apenas lágrimas de crocodilo de barriga cheia. O ventre está cheio de coisinhas inúteis, pré-fabricadas, que nos fazem consumir pelo natal. Não sei mais o que digo. Nunca estou satisfeito. Por vezes até fico insatisfeito antes de o estar. Antes de te conhecer, já sei que me vou separar de ti. Porquê? Talvez esteja apenas confuso, não sei o que digo. Tenho sempre uma razão para dizer não, mas nunca digo que não antes do sim, e isso confunde-me, apesar de me libertar. Só entendo quando estou dentro de ti. E depois vou-me embora. Vou-me embora de ti, de mim, e continuo a procura. Já não sei bem de quê. Talvez de nuvens no ar que sugerem formas e nomes e lugares e que se desvanecem num momento.
Tenho saudades disto. Um dia hei-de continuar por aqui. Quem sabe se amanhã?
*
31.10.10
o reencontro
com o qual deixei há muito de falar,
ainda aqui estás apesar do abandono
Não mudaste nada, continuas na mesma.
Eu, por meu lado, continuo longe de ti.
Sorris para mim, eu nada. Escrevo apenas quando não estás.
Será bom sinal não escrever? Talvez.
Aqui a vida passa diferente. É bom fazer tudo sozinho. É bom viver sozinho.
Conhecer tanta gente diferente, falar uma língua que não se conhece.
Pelo menos tentar.
Tenho saudades tuas. Para mim serás sempre aquela que está somehere, out there.
Am I going to find you? No fim do ano, quem sabe? ;)
Até lá...
*
29.5.10
o último momento
Vim do curvo. Bebi demais. Estou contigo. Aqui.
Estou de partida, todos os carris partem para algum lado menos para onde quero. Onde te procuro.
Pergunto onde estás e dizem-me que não sabem. Procuro. Onde?
Hoje foi warpaint, amanhã será...
Oh wonderful one, why are you like that? dizem elas as quatro.
Não apareceste. Estavas de esguelha. É giro escrever assim.
Anémonas. Disse a alguém que tive grande paixão amorosa há uns 13 anos. Foi libertador. Até acordar pelo menos. Até me lembrar do que disse. Talvez não seja até são mau. É menos um vazio para lidar. Menos um escolho.
Vamos viajar. Que bom. Não volto para trás, nunca mais.
Adeus.
*
26.5.10
a tua casa
estou triste, sabes. uma pequena lágrima escorre-me pela face. nada de mais. não é tragédia nenhuma.
apenas uma tristeza imensa de não te ter nos meus braços.
do incrível aperto no coração de não poder exprimir o que sinto por ti.
da distância que nos separa agora que vou embora, embora torne tudo mais fácil, mais simples.
eu não estou preso a ti. mas hoje, agora, és o vazio que mora aqui dentro. fazes-me falta.
foi tão bom hoje estar contigo. todos os momentos. todas as pequenas coisas. os pormenores mais insignificantes. os rasgos negros nas paredes brancas, as migalhas de pão espalhadas na toalha (os teus dedos a apanharem as migalhas), as texturas subtis de cada grão de arroz. o sabor forte a aipo na sopa. o excesso de sal que não existia, os padrões dos azulejos antigos na casa de banho.
tu gigante através dos teus óculos de anão cegueta. :)
tu normal a existir em cada momento para mim eterno, inesquecível, marcante.
tu a sorrir e eu também. a fazer palhaçadas em ponto pequeno. a desesperar nos exames. a beleza singular de cada momento, de cada expressão, de cada sorriso.
Um dia gostava de me apaixonar assim por alguém. É tudo tão forte, tudo faz sentido, tudo vale a pena. Tudo é demasiado excessivo. Canso-me. Não tenho fôlego.
----
Não consigo escrever nada de jeito porque sei que vais ler. não o consigo fazer por palavras, apesar de estar tudo aqui dentro, esta inquietação, este ardor no peito, esta angústia indefinida.
bem...life goes on. é tarde. já estás a dormir. eu também deveria estar na cama. mas falta algo. o quê?
Agora vou embora, embora o sono não vá embora e tu permaneças aqui neste cantinho. Um pouco mais. Apenas um pouco mais.
Quero-te ver feliz. Quero-te ver tão feliz que não me importo de ser triste. Ser triste é uma parvoice mas faz parte. Por agora, por enquanto, no momento. Paciência, não falta assim tanto.
Até um dia.
*
14.5.10
dançámos tu e eu
Obrigado por aquele momento. Se morresse ali mesmo, seria feliz. Os nossos corpos juntos, o momento de partilha total, a intimidade inteira, o roçar das cabeças e dos suores. Foi tão inesquecível que nem consegui escrever nada até agora.
Dançámos outra vez. E outra. Não conseguia deixar de te convidar. As mazurcas sucediam-se e nós também.
Aqui está tempestade, chove abaixo de zero e tudo o que me lembro és tu. O vento assobia e tudo treme. Eu tremo quando penso em ti. Naquele momento fomos tudo um para o outro, um só, sem medo do fim, numa eternidade indefinida. Numa felicidade difusa, sem foco nem sentido, apenas aquele momento em que tudo se dissolve e transpira vida.
Na terça disseste, não apareceste. Não. Estava de partida para longe. E aqui estou eu no retiro, pensando em ti, naquele momento. Talvez não se repita, mas não importa. Naquele instante fui feliz.
*
1.5.10
continuo sem aprender nada.
Apenas pesamos como chumbo, em nós mesmos.
Somos vários, muitos. Não sabemos onde estamos nem quem somos.
Apenas existimos e sofremos.
Não há razão dizem-nos, mas nem sabemos o que isso é, o sofrimento.
Um mau estar, um tumulto inexplicável em nós, um nó na garganta, um vazio.
Talvez lembrar o porquê seja demasiado doloroso, sabemos demasiadamente bem
porque sofremos. Mas não nos lembramos. Apenas sentimos na pele, o eriçar dos pelos,
a insignificância dos dias que virão, a insustentável tristeza do ser.
Apenas existimos por existir. Por preguiça, relutância de morrer, apatia.
Não se transforma o nada em alguma coisa. Apenas se respira, a custo.
Fala-nos de amor pediu a turba ao velho. E ele disse, não tenho nada a dizer, e foi-se embora.
Deixando marcado no chão, na memória do povo, o que restava da sua compaixão.
Há dias em que a tua falta é insuportável, os espelhos quebram, o coração pára. Há dias em que nunca te irei encontrar, não existes, és apenas o vento a pregar-me partidas de mau gosto.
Estou de partida e tudo parece perdido. Tudo o q está para trás foi uma perda de tempo, perda de ânimo, perda de alegria e de esperança. Pela frente há um vazio, roubado a cada passo de tempo que passa. As transições dão nisto. Dão diabetes, dores de barriga, vontade de foder. Uma incrível e opressora vontade de foder.
Ontem dançei contigo. Mas não tive coragem. Nunca tenho coragem. Estou fodido.
Isto hoje está bonito. Não sei se consigo ir hoje. Não tenho vontade. Estou mesmo muito triste. A tristeza derrama-se, um banho nela, mais chuveiro que imersão. Deixo apenas o tempo passar, escoar, um tempo que não tem sentido nenhum. Como é que me podes fazer perder todo o sentido. Como podes fazer reduzir a nada tudo o resto. Porque me fazes tanta falta e crias um vazio tão grande. Porque não consigo mudar as coisas ou mudar a mim próprio para as coisas mudarem. Porque já não sei o q fazer mais. Porque já não sei como não fazer mais.
As tuas pálpebras sabem a anémonas fora do prazo. Estás rígida e és feita de pedra. Não te movimentas muito, nem transpareces ardor, nem alegria. Apenas estás imóvel e intemporal. Não te estragam as sedas fúnebres, apenas permaneces. Os teus lençóis são como pedras afiadas do tempo das cavernas. Não tens flores na tua mesinha de cabeçeira, apenas restos de comida em putrefacção. A tua cisterna está vazia, dantes tinha petróleo, agora nem isso. Estás apenas pálida e dizes que estás morta. Mas eu não sei porque não respiras. O teu hálito acre dá-me vómitos. Não tentes seduzir-me porque não vais conseguir. Desiste, torna-te pedra de uma vez por todas. Quem quiser que escolha chafurdar na tua cama e afogar-se no teu sangue. Trazes-me memórias de metal, prateadas. Sinto-me doente e a minha cabeça dá-me enjoos. Estás aqui tão perto e nem te posso tocar. És apenas vísceras. Os teus filhos são abutres que se alimentam delas. Estás consciente e no entanto és pedra. E até as pedras choram, por vezes. Trazem-te memórias de outros tempos, em que vivias debaixo da terra. A tua memória é terra. Antes que a terra te traga até mim diz, o amor não existe.
*
29.4.10
Everybody's gotta learn sometimes
Vou para o sítio mais romântico do mundo, mas vou sozinho. Não é encontro a dois, é mosteiro. O que não é de todo mau, mas talvez, talvez preferisse algo outro.
Não tenho tempo para isto. Não interessa. Aproveito todos os momentos ínfimos dos minutos que me restam antes da hibernação forçada. Sou urso sem ser boi. Acaba tudo por dar ao mesmo.
Ouvi-te na rádio e ficaste para sempre a ressoar-me nos tímpanos da memória. Aqui vais, aqui vens, não paras nem para respirar, o teu umbigo não se perde no meu. Apenas rondas, tens olhos azuis e não perdes tempo.
Uma amiga disse: rolhão mucoso e senti-me envolto em muco viscoso. Não passa ninguém, nem mesmo os espermatozóides. Antes que se viabilize algo de uma forma inviável, improvável, inconstante. Não perdes tempo. Mas não tens pressa porém. Os teus vales um dia hão-de ser neve. Daquela fofa, que não se transforma em gelo, por mais que seja pisada. Os teus ímpetos não são melosos, muito menos mucosos. Um dia vens a ti e ao mundo e já não falta assim tanto. E dirás:
Everybody's gotta learn sometimes.
*
13.3.10
Me and The Sheriff
- Oh, you want my job?
No, we don't want yourjob.
We just want a little protection.
- Protection?
- Yeah.
Protection? Certainly.
Assurance, security.
Well...
yeah, that too, i guess.
You want confidence.
A pledge... safety.
Guarantee... promises...
expectation... consideration...
sincerity... selflessness...
intimacy...
attraction... gentleness...
understanding...
and understanding without words.
Dependence without resentment.
Affection... to belong...
possession... loss.
Hey, sheriff, is everything
okay at home?
Why do women exist?
Simple Men - Hal Hartley
27.1.10
o regresso
Não tanto assim, um pouco apenas.
Retorno à escrita, sinto-me logo mais aliviado.
Porque será? E ainda nem escrevi nada. Basta começar.
Espero por um recomeço. Sentado.
É tarde, tenho sono. Porque dormimos tanto?
Hoje faltei ao encontro. Mas não foi o teu encontro.
Era uma coisa chata. Ou melhor confusa, complicada.
Não sei como seria. Talvez quisesse outra coisa, não aquilo.
Não te consigo convidar, porque não me apetece.
Os exames fodem tudo. É uma merda.
E não adianta querer encostar a cabeça, pois acabamos por cair, não há nada ao nosso lado.
Foda-se, só espero que seja a última vez!
E o mais idiota é que fico à espera que a princesa me caia no colo nestas alturas! Felizmente isto passa... ;)
Oh, I hate hopeless romanticism....*sigh*, suspiros da tanga :(
*
25.12.09
o horizonte dos mármores incandescentes
21.12.09
a passagem
vejo as tuas fotos e lembro-me de tempos felizes. tu, o sol, e eu ali, apenas ali, apenas existindo nos teus braços.
as saudades matam-me. aos poucos. devagar. não nos entregam de uma vez à morte. só tu sabes fazer isso, é um previlégio só teu. não tardas muito voltarás e dir-me-ás o segredo da vida e da morte, da existência.
os nenúfares são violeta no inverno. não há paragem de autocarro dentro do autoclismo. tudo se revira entre dois êmbolos de esferovite. tudo se desobora e se desfaz. jazes no chão, és plástico em borbulhas. não te trairás pela vida. tornas-te apenas alado, abençoado, ascenderás aos céus e dirás: eu sei o segredo da vida.
As ruas estendem-se pelo chão. Não há sinais de embolos, apenas estrada intermitente, alcatrão suado, nuvens reflectidas nele como ambrósias. daquelas que tu gostavas, azuis e amarelas. não trazes nada no teu ventre senão cobre. és feita de duas ligas de metal e estanho fundido. não te tornarás lava incandescente. tudo o que resta é o caminho da estrada da rua do local que vai dar a outro local um pouco mais além há sempre outro mais caminho.
não tardam as libélulas de luz. vêem-nos buscar antes do solestício de inverno. a rapina é apenas água e o borbulhar das ondas não existe. vem-nos buscar antes da solidão. O rio é tão translúcido e os peixes voam. Não tarda o anoitecer. Fica frio. Vem para perto de mim. Não há ruas que não acabem em vielas, ou até em becos sem saída. E depois? depois és parede. de betão. feita de argamassa sintética e de resíduos tóxicos industriais. não tardas na tua epopeia industrial. fazes de conta que és um cavalo de cordel e avanças, sabendo que não te espera senão o impacto inevitável de dois corpos em colisão. atravessas a rua e ficas esperto. entendes o que está do outro lado. não te tornas salmão, nem mesmo salmonela, apenas ficas diferente.
Os raios ecoam memórias de um outro passado. O que existe apenas do outro lado. A viagem continua por entre as lavas e as etiquetas de supermercado. Não há nada que nos espere do outro lado. Haverá? Gritas e ouves o teu eco. Ruminas baixinho para ti, esta vida não existe. Há algo de estranho nas formas, nos ecos, nos amores. Tudo parece demasiado ilusório, demasiado real. Não há descontinuidades no relevo aparente das coisas. Apenas sentes a prisão e gritas para dentro. E dizes: a prisão é gelatinosa. És uma fábrica de fermento. Não cuidas das auroras que passam em cada momento e dizem: o sofrimento é uma flor inventada.
As rabecas ecoam pelo chão da estrada. Ouvem-se como se fosse motores de carros de alta cilindrada. Não ouvem, não temem, não cheiram, não formam pesadelos de algodão doce. Existem apenas ali, planas, desconjuntadas, numa harmonia desafinada. A tua flor de liz já não se vê, do teu ombro surgem agora auroras perfumadas. E elas dizem: o que era deixou de ser. não mais o é, transformou-se em algo outro. Não há transformação sem a passagem. Ao outro lado.
*
16.12.09
l'amour
:)
aquilo ontem foi complicado....! :P fugiste...mau. que faço eu com tal intensidade??? *sigh*
Vem aí a passagem de ano...dans coimbra, bien sur... ;) Até lá ...
*
13.12.09
aquele momento
Escreveste,
"The waiting drove me mad... You're finally here and I'm a mess. (...)
Everything has chains, absolutely nothing's changed"
12.12.09
o lado menos bonito
5.12.09
o teu segundo filme
4.12.09
as mensagens aleatórias
as minhas respostas nunca devem chegar ao seu destino.
sim, perdem-se no caminho. só pode.
chego ao fim de três semanas de clausura,
de trabalho ininterrupto sem sentido, nem explicação.
estou diferente. não sei se melhor.
talvez não.
em vez de sentir vazio, senti a tua falta.
os amanhãs que não existem
ainda latejam no meu peito.
e descrevem lentamente indiferenças
que se transformam em tristeza refinada
à medida que o tempo passa e tu não vens.
não sei o que queres de mim.
se me queres ver porque não me procuras?
envias-me mensagens que sabes que à partida
irão ficar sem resposta, pois mesmo que
as recebas, se é que as recebeste,
nunca terás coragem para as ler.
que queres de mim?
dizes. quando nos vemos?
e eu digo-te quanto tu quiseres.
num mergulho na praia de uma noite de inverno,
com chuva ou trovoada, tanto faz.
ou talvez na varanda do sexto andar.
aí em qualquer lado, num jardim
a chapinhar, fazemos de salta-poçinhas,
rei das libelinhas.
perdemo-nos no areal.
tu dizes. afinal quando nos vemos?
e eu digo-te,
aqui. agora. em toda a parte.
*
25.11.09
I believe in nothing
What I believe - J. G. Ballard
I believe in the power of the imagination to remake the world, to release the truth within us, to hold back the night, to transcend death, to charm motorways, to ingratiate ourselves with birds, to enlist the confidences of madmen.
I believe in my own obsessions, in the beauty of the car crash, in the peace of the submerged forest, in the excitements of the deserted holiday beach, in the elegance of automobile graveyards, in the mystery of multi-storey car parks, in the poetry of abandoned hotels.
I believe in the forgotten runways of Wake Island, pointing towards the Pacifics of our imaginations.
I believe in the mysterious beauty of Margaret Thatcher, in the arch of her nostrils and the sheen on her lower lip; in the melancholy of wounded Argentine conscripts; in the haunted smiles of filling station personnel; in my dream of Margaret Thatcher caressed by that young Argentine soldier in a forgotten motel watched by a tubercular filling station attendant.
I believe in the beauty of all women, in the treachery of their imaginations, so close to my heart; in the junction of their disenchanted bodies with the enchanted chromium rails of supermarket counters; in their warm tolerance of my perversions.
I believe in the death of tomorrow, in the exhaustion of time, in our search for a new time within the smiles of auto-route waitresses and the tired eyes of air-traffic controllers at out-of-season airports.
I believe in the genital organs of great men and women, in the body postures of Ronald Reagan, Margaret Thatcher and Princess Di, in the sweet odours emanating from their lips as they regard the cameras of the entire world.
I believe in madness, in the truth of the inexplicable, in the common sense of stones, in the lunacy of flowers, in the disease stored up for the human race by the Apollo astronauts.
I believe in nothing.
I believe in Max Ernst, Delvaux, Dali, Titian, Goya, Leonardo, Vermeer, Chirico, Magritte, Redon, Duerer, Tanguy, the Facteur Cheval, the Watts Towers, Boecklin, Francis Bacon, and all the invisible artists within the psychiatric institutions of the planet.
I believe in the impossibility of existence, in the humour of mountains, in the absurdity of electromagnetism, in the farce of geometry, in the cruelty of arithmetic, in the murderous intent of logic.
I believe in adolescent women, in their corruption by their own leg stances, in the purity of their dishevelled bodies, in the traces of their pudenda left in the bathrooms of shabby motels.
I believe in flight, in the beauty of the wing, and in the beauty of everything that has ever flown, in the stone thrown by a small child that carries with it the wisdom of statesmen and midwives.
I believe in the gentleness of the surgeon's knife, in the limitless geometry of the cinema screen, in the hidden universe within supermarkets, in the loneliness of the sun, in the garrulousness of planets, in the repetitiveness or ourselves, in the inexistence of the universe and the boredom of the atom.
I believe in the light cast by video-recorders in department store windows, in the messianic insights of the radiator grilles of showroom automobiles, in the elegance of the oil stains on the engine nacelles of 747s parked on airport tarmacs.
I believe in the non-existence of the past, in the death of the future, and the infinite possibilities of the present.
I believe in the derangement of the senses: in Rimbaud, William Burroughs, Huysmans, Genet, Celine, Swift, Defoe, Carroll, Coleridge, Kafka.
I believe in the designers of the Pyramids, the Empire State Building, the Berlin Fuehrerbunker, the Wake Island runways.
I believe in the body odours of Princess Di.
I believe in the next five minutes.
I believe in the history of my feet.
I believe in migraines, the boredom of afternoons, the fear of calendars, the treachery of clocks.
I believe in anxiety, psychosis and despair.
I believe in the perversions, in the infatuations with trees, princesses, prime ministers, derelict filling stations (more beautiful than the Taj Mahal), clouds and birds.
I believe in the death of the emotions and the triumph of the imagination.
I believe in Tokyo, Benidorm, La Grande Motte, Wake Island, Eniwetok, Dealey Plaza.
I believe in alcoholism, venereal disease, fever and exhaustion.
I believe in pain.
I believe in despair.
I believe in all children.
I believe in maps, diagrams, codes, chess-games, puzzles, airline timetables, airport indicator signs.
I believe all excuses.
I believe all reasons.
I believe all hallucinations.
I believe all anger.
I believe all mythologies, memories, lies, fantasies, evasions.
I believe in the mystery and melancholy of a hand, in the kindness of trees, in the wisdom of light.
23.11.09
22.11.09
o teu filme
14.11.09
A cor do teu umbigo
8.11.09
deambulações aleatórias
4.11.09
o regresso
Como se uma outra pessoa aqui estivesse de passagem.
O teu perfume espera ainda pela extinção definitiva
ou pela aproximação de um vendaval, que tarda em surgir.
Surgem milhões de frases no infinito, inexprimíveis
num momento posterior silenciam. Apenas resta o silêncio
e pouco mais.
Hoje o cansaço não existe. Nas paredes escorrem melancolias
a custo e logo se desvanecem. Nos teus olhos vejo que nada
existe entre nós.
Não sinto nada. Existe apenas um vazio feito de nada.
Aqui, agora. Nada.
*
3.11.09
hope
hoje jantámos juntos e vimos juntos
mas um filme que não era para vermos.
Mas vimos. Num edredom dourado
em forma de tapete voador.
Voámos para longe mas não me deste a mão,
desta vez talvez tenha voado sozinho,
assim tivesse voado, se voei não sei.
E no entanto permaneces, persistes, prendes
a minha atenção no antes e no depois, continuo
a sonhar contigo, falas comigo mas não sei
o que queres.
Eu sei o que quero mas não quero forçar.
Estás demasiado perto. Tão perto que não
consigo respirar direito. Nem erguer a mão
para te tocar e quando o faço por uns momentos
esperava talvez que também o fizesses.
Mas continuas imóvel. Cansada, demasiado
passiva.
Eu espero, desta vez tenho paciência. Espero,
mesmo que me estatele no vazio, espero.
Não sei porque razão isto acontece.
Porque está a acontecer agora. Porque tenho
estes sonhos recorrentes que nunca tenho.
Porque estás aqui agora. Porque te amo assim tanto,
sem no entando ainda te amar. Porque, na verdade,
não te amo. Mas quero. É uma potência que se quer
transoformar em acção. Daí o não-amor que é amor
total, completo, tudo.
Desta vez não me importo de me estatelar no chão.
Não existe chão. Não existe cima nem baixo.
Provavelmente já me estatelei e nem
soube de nada. Afinal nem dói assim tanto.
Não dói? Não sei. Apenas tenho esperança.
*
26.10.09
desistir é feio
Todas as vezes que ele cai do céu
fura-me o chão. E dá muito trabalho
arranjar tudo de novo.
E chão é coisa que gosto de ter.
E cada vez que o chão acaba,
torna-se mais baixo.
E quanto mais baixo ele está,
mas estragos faz o amor quando cai.
Eu não acredito no amor.
Nem mesmo na ilusão do amor.
Provavelmente nunca acreditei.
Nem nunca vou acreditar.
O amor acontece, não se acredita nele.
Ou existe ou não existe, não é fantasia.
Estou farto de fantasias. Das pequenas ou
das grandes, tanto faz. Não sou esquisito
com os tamanhos.
Não sou esquisito e estou cansado.
E quanto mais cansado estou
mais rápido vem o amor
a estatelar-se
pelo chão.
*
21.10.09
it's yours
e tudo é ainda tão virtual,
gostava que fosse aqui.
Na realidade ficamos nervosos,
apenas nos desprendemos quando estamos soltos,
imateriais. Somos projecções fugazes
das nossas próprias fantasias incomunicantes.
Por vezes temos esperança
que algum dia
aconteça, prefiro pensar,
que assim o pensamos. ambos.
A rua lá em baixo espreita
um outro final, um outro desfecho,
um outro despertar
das longas noites de inverno
sem dizer coisas más no teu nome,
como dizias, vais dizer coisas más em mim
pois não te deixo dormir.
Mas não. Não será assim.
Só tenho coisas boas a dizer de ti quando acordo,
especialmente quando sonho contigo, no abstracto.
Aí há rosas e não são de plástico, resta saber se
os espinhos serão comestíveis.
Pelo menos não há flores de plástico. Muito menos rosas
resistentes à passagem do tempo, para sempre no seu auge
artificial.
Dizes. Gostava de ser cozinheira. Nunca provei a tua massa
sem bechamel. Talvez estivesse longe quando a fizeste. Não
senti o seu cheiro.
Devemos continuar então pelos atalhos e pelos caminhos
e pelos trilhos e becos e ruas. em ti todos os lugares
são avenidas de ouro. E fazem as açucenas florescer.
No inverno.
*
15.10.09
le chanson d'amour
O amanhecer deitado, as raízes soltas,
Espalhas-te imensa pelo campo inteiro
E soletras as cantigas loucas
Por entre os plátanos e o vinho novo,
vens para mim e significas dor
Não há nada dentro deste canto
Que nos dê alento e alguma cor.
As folhas da melancolia
São apenas promessa
Do que não aconteceu.
Apenas nos resta correr
ou cantar. Ou renascer.
Ou cobrir o véu. Do amanhecer.
*
11.10.09
concerto tardio
a laranja caiu ao poço
4.10.09
sombras
nomes
desfasamentos
21.9.09
fuga com linhas a mais
20.9.09
bolhas
Não há grande história nem grande segredo.
Faz 'plop' e já está. Nada mais.
Mesmo quando não temos consciência delas.
Ardem no peito, não fazem cócegas, tiram o ar que resta.
E o que resta afinal?
Resta uma história por contar que não sai.
Ou talvez saia após uma pequena introdução, um imbróglio de palavras obscenas.
Eu gosto de coisas obscenas desde q sejam bonitas. bonitas bonitas. Batraqueais.
Embora me esteja a batraquear para o bonito, mas não para o bonito bonito.
É a insenstez da impaciência ou o insustentável peso das coisas que não existem?
Por vezes custa a desencravar, não sai nada durante um fim de tarde de domingo.
Estou impaciente porque ela não escreve. Resta saber quem. qual. onde. por onde andas?
Não há valsas nem mazurcas contigo. Não sei o que há.
Só vejo o mar e um fundo dourado em ti. E uma dor forte no peito.
Não sei que diga a respeito, apenas vejo lilases onde não devo.
Quem quer que tu sejas, sabe que me fazes falta e que tenho saudades tuas.
Os suspiros ajudam, no entanto, a afastar o pó, a fazer cair o pano. A esquecer,
aquecer os pés dos pulmões em dia de primavera.
Ou de outono, tanto faz.
Os dias arrastam-se e não vens. E as bolhas crescem e rebentam. E eu com elas.
São muitas, são nenhumas. São elas e eu. Sou eu.
Não é ninguém, afinal.
E agora?
*
10.9.09
o indefinível corroer da tristeza refinada
Ao vento o ar. Desalento precoce. Turbilhões de um dia.
Melancolias verticais no vento. O soluçar de um momento,
que esperaria que fosse em ti. Que o perdesse. E o voltasse a encontrar.
Perco-me então numa almofada vazia e não te reencontro lá.
Talvez seja da posição ou da perspectiva ou simplemente da tua inexistência.
As tuas palavras são enigmas e eu não sou esfinge dourada.
Apenas alguns caminhos o são. E nunca sabemos onde vão dar.
Avanças lentamente por entre as pedras em lodo, mas não cais.
Está demasiado frio para cair e o gelo abunda, mesmo quando está calor.
E a angústia vem e fica apenas o plano infinito e o vazio. E o teu olhar.
E tudo se dissolve algum dia, quando as açucenas sopram e o ar é uma flor inventada.
Trocas as voltas ao meu coração. E é algo inesperado, que não contava. Porque não.
Aprendo a construir o amor, a não o deixar dominar-me. E no entanto, ele domina, por vezes.
As lágrimas ecoam memórias passadas e repetições inúteis. E a tristeza,
é um peso morto. E corrosivo. E inútil. E repulsivo. As entranhas gritam dentro de mim.
E a lua cheia, e os odores, e as voltas de danças. Tudo são formas em forma de véu.
Que nos transpira a vida e cobre o que está por vir e o que é. São apenas açucenas. Bravias.
E memórias que nos trazem algo mais que pão. A vida é pão?
Se assim é, prefiro pão de ló. E tu?
*
1.9.09
esquecimento
e eu esqueci-me na sala escura
do presente que tinha para ti.
ainda assim invades-me.
sinto algo indefenido,
coisas sem forma.
alguma amargura,
o resto talvez tristeza,
mas não assim tanto quanto isso,
nada de mais pois estás aqui
permaneces, estás presente.
O teu gosto é ainda incompreensível,
não entendo como gostas.
Eu não sei se gosto.
Talvez não saiba gostar.
Ou então é a incerteza
e o esquecimento
que me fazem vacilar.
Há esquecimentos difíceis
em especial naqueles momentos
que esperas que tudo aconteça.
Mas ainda há dia
ainda há dança
ainda há lua
não se apagaram ainda os fogos
nos teus ombros,
nos teus olhos,
nos teus seios.
ainda está tudo em aberto.
E vem aí a viagem. A grande.
E os dias passados
a ver o rio a passar
e nós a passar o rio
que se atravessa em nós
e as danças e os foles e a comunhão
e tudo o que nós quisermos juntos,
que não fique nada do lado de fora
que venhas então para aqui,
onde te espero
do outro lado.
*
29.8.09
uma tarde com dri
Damo-nos tão bem.
É tudo tão natural.
Eu gosto dela. Ela gosta de mim.
Mas não dá.
Não dá?
Não
Porquê?
Não sei.
Eu gosto mesmo muito da dri.
E ela?
Ela gosta e não gosta.
Porquê?
Porque sim. É da espécie. É feitio não é defeito.
É complicado.
É.
Porquê?
Não sei. Só é complicado o que é simples, parece.
Complicado o que é simples?
Sim.
Como assim?
É uma forma de se ser infeliz. Nós gostamos disso.
Porquê?
Não sei. Somos todos um pouco SM. Gostamos de tau tau sem ninguém nos dar. Nem nós próprios?
Então quem dá?
Ninguém. Todos querem receber e ninguém dá.
Porquê?
Porque sim. É no não dar que está a infelicidade. Porque têm medo.
Medo?
Sim.
Não entendo nada!
Nem eu!
*
inquietação
Não há sombra que nos proteja
deste sol-de-noite.
As amuradas crescem de ideias
e morrem com o vento.
Sinto a tua falta,
mas não sei quem és.
És fragmentos.
Estou inquieto.
Não te encontro, não me encontras.
E tudo o resto é demasiado fugaz,
impermanente, célere, invisível.
Demasiado invisível para ser sentido,
tocado, apertado.
As tuas asas cheiram a enxofre.
E ameaçam queimar.
Tenho saudades do que não conheço.
E fico inquieto.
*
ausência
que não existem.
Volta a vontade de escrever,
e com ela a ausência.
Ou será ao contrário, talvez.
E é tudo tão disperso ainda.
Nada sossega, aquieta, medra.
Está tudo no ar, em suspensão.
É preciso que caia, que assente, que encaixe.
Aqui nada encaixa. Por ora.
Espero assim outra aurora.
Que a tragas tu, portanto.
Embora tragar de manhã é violento,
e faz mal à barriga.
29.7.09
o lugar vazio
Que nunca nos deixa aproximar.
Dá choque e é quente e lateja
viscosidades ondulantes.
O lugar da não pertença
pertence aqui mas não em ti,
por onde ondulam pássaros,
e fontes e framboesas maduras.
A luz da tua esfera,
ecoa murmúrios de esperança,
e transborda cor de mel
e de bolos açucarados.
E então fico enjoado e fujo
para longe
de ti.
*
rasgão
Mas não é a pele mas sim a alma.
e a dor é outra.
Intangível, abstrata, insondável.
Como sair daqui?
Tudo parece fechado e irredutível.
Embora eu saiba que assim não o é.
E as paredes não existem e são sólidas
E o ar não existe e respira-se
E as estrelas são apenas reflexo
das suas primas no mar.
Há momentos que não acreditamos mais
no amor.
E no entanto sabemos que no dia seguinte,
tudo renasce, regressa, retoma.
Mas, neste momento, é a morte que
enche o palco, morte que não é mais que
transformação.
Em ar, em névoa, em carvão
que aqueça este frio e longo inverno
do meu coração.
*
22.7.09
farsa
Embalada em vácuo ultra alto.
Preservado para sempre em ambares
pós modernos que raiam o obscurantismo.
tudo treme, tudo move, tudo voa.
Nascido enfim vens à luz que ecoa
Um outro porvir.
Trazes contigo a vontade de milhões,
que ecoam a sua voz na eternidade
deste momentos fugidios.
O obelisco traça as chamas no teu cabelo
Trazes o ruivo do ultramar e vens-te melhor com ele.
Não sabes do meu amor por ti, porque não sabes.
devias suspeitar, não queres, não sei.
A farsa adensa-se por entre caminhos de dor,
e tudo se torna cinzneto e melancólico e demasiado sóbrio
Todas as ruas em que acontecer serão marcadas a ouro.
*
regresso
E o sol liberta os primeiros raios,
por entre a dor dos tentáculos,
de frio.
A ribeira das auroras terminou por hoje.
Resta uma cinza escura incandescente
E uma névoa eterna e translúcida.
Confundem-se e confundo. A irrealidade
é um carinho inventado pelos que estão
sós.
Transparecem libélulas ao nascer do dia
Carregam conchas e larvas e mar,
trazem consigo esperança em pó,
Que à luz do dia sabem espalhar,
por entre os fogos e os poços e as camas,
trazem com elas um outro olhar,
do estado das coisas a que se sobrepõe
toda a espuma da vida.
Não será então dizer demais
Que a ria que transporta tradição,
não se dissolva por entre as margens
da vida e da morte.
Os andores percorrem pelo templo
Os seus andares firmes e serenos,
Os devotos e os silêncios e os abanos,
As rezas da minha infância.
*
confusão.
Entre mares de palavras apareces
de braços cruzados. São matizes rosa e roxo.
Não sei se queres, não sei se dará,
nao sei se dei ou se fui ou se sou.
Apenas estou aqui para ti por quem não sei.
Escolho e afastas-te,e volto atrás.
Os teus joelhos não se dobram e tu não voltas.
A áfrica não é o teu sonho, o pesadelo é
de outras formas, outras árias, outros espaços.
Espaços abertos que ecoam saudade.
A confusão instala-se por fim.
Assim como o amanhã que amanhece aqui.
Estamos pendurados por dois graus de imensidão,
que transborda para aquela fresta, na ponta,
no ponto, no alto, na água que te refresca,
a face e o medo e a faca, os teus segredos
como que vêm de rompante.
Trazes um véu açucarado por entre as açucenas bravias,
tudo o resto são ervas selvagens, daninhas.
As que sabem a caos e rosmaninho.
Tudo o que é doce se desvanece por fim.
Ecoam canções de ontem num jardim de pétalas
de lava.
Trazes o teu coração para fora, e latejas.
Tudo lateja, e as grávidas distantes de ti.
Ecoam saudades. De amor.
*
21.7.09
o deserto do sahara
que tudo é deserto em ti.
As mãos não se abrem, não há petalas nas tuas flores.
As açucenas bravias queimam-se no suor frio do teu rosto.
Talvez seja eu tão apressado,
que não veja o teu sorriso.
Não que eu sinta o deserto, pois ele não existe,
está apenas o vazio mais perto de mim quando vais para longe.
E esse vazio tem dunas que atravesso com dor.
Embora seja dor que não me doi, é apenas um vácuo.
Que subtrai a minha dor.
És meiga nos teus olhos e entrelaças as pernas
como uma enguia.
És forte e eu gosto. Não há mais ou menos contigo.
Só falta o mais importante, que tarda.
Talvez falte um abraço. Daqueles.
Em que não haja desenlace, apenas.
Espero talvez que me respondas de outra forma,
Sem te fazer qualquer pergunta.
As caminhadas no deserto são tranquilas.
Não me dão sede nem frio, apenas enguias,
que ecoam nas minhas pernas a lembrança,
do mundo que existe para lá, dentro de ti.
*
2.7.09
o tempo não espera
Talvez seja já tarde de mais.
Tudo o que ecoa saudade se desvanece.
As tuas confusões dentro de ti.
As tuas traições virtuais.
O teu amor que reprime o amor.
A tua lua que chora num quarto fechado.
A repressão é tão brutal meu amor.
Porque não vens para ao pé de mim
e te sentas no meu colo
e me abraças. Assim. Tanto. Tudo.
E o tempo escasseia. Tanto. Tão depressa.
Eu não tenho pressa. Mas sou rápido.
Tão rápido que eu sou agora. Eficiente.
Na minha escolha, na minha iniciativa.
No meu gesto e na determinação.
Eu não queria avançar tanto, tão depressa.
Queria-te a ti, agora.
Mas que escolha tenho. Não me vou trair a mim próprio.
À espera do Romeu, não tenho vocação
para Julieta.
Boa sorte menina. E adeus.
*
traições
e no entanto não trais ninguém
ou talvez te traias e te lançes
no vazio ou na solidão auto imposta.
dizes, sinto-me mal.
Eu também me sinto assim,
mas não pelas tuas razões,
pois tu estreitas o amor
e eu vejo-o bem largo, aberto, total,
transbordante.
Queres amar como nos filmes,
românticos e trágicos,
mas o amor não é assim,
não é como nos querem fazer crer,
o amor é o que é, e é total,
não se reduz a uma pessoa.
Dizes, sinto que traio,
e a única pessoa que trais
é a ti própria pois ao sentires que trais,
estás a trair-te. A atrair-te para o vazio.
A traição não existe. Apenas nos impõem tal conceito,
como se o o amor fosse apenas feito
para amar um só ser.
Podes amar quem quiseres, e quanto mais amares
mas vais poder amar.
Mas para isso terás de romper
com as teias
e as amarras
e as redes apertadas
e vais ter de puxar para a frente
e de as romper com os dentes,
e com as unhas
e com os gritos
que ecoam numa sala sem paredes
em que apenas o horizonte ecoa
a sua própria voz
em que os muros são finalmente derrubados
em que o amor não é mais mutilado
e traição é palavra obsoleta, do passado.
*
22.6.09
air folk
air folk.
Que ondula lentamente no escuro da noite,
no reflexo das águas
o teu corpo brilha e reflecte
a lua e as estrelas em mim.
E eu flutuo e olho as estrelas e o firmamento
e as ondas que reflectem o teu corpo no meu
dizem-me que nadaste para longe.
E nado para perto de ti. E chocamos.
E dizes baixinho, chocámos. E ris-te.
E dizes que tens frio. E abraço-te por trás.
Para te aquecer. E afastas-me as mãos.
Antes de te abraçar.
*
19.6.09
insónia 5
e não és faca cortante, apenas por um instante.
Passeias divertida pela amurada que não existe.
Sorris e cais. Atravessas o rio, sem barqueiro.
És um submarino azul esverdeado. A viajar
em águas cada vez mais profundas.
Está escura, líquidos nauseabundos penetram-te.
Nem a lua cheia reflectida no rio opaco te salva.
De ti próprio.
Há mortes que são piores que a própria morte.
Vai-se morrendo aos poucos. Nesta sombra, ali
na outra, em todas.
Há algo de demente na estagnação da saudade.
Cristalização da puberdade. Dentro de um
marfim dourado. Chovem pétalas de verdade.
Mas são apenas pétalas, falta o cerne.
São reflexos refractados, distorcidos, calcinados.
Um vítreo óculo sobre o outro lado,
uma missão resplandecente, o ouro e a luz a nascente,
de quem fabrica almas e nós dá de mão beijada
um ascendente sobre os deuses.
O amanhecer sempre resguarda,
atrás de uma parede sem vícios,
o regresso resgatado
de alguns, aqueles, outros suplícios.
A solidão enfim alcança
o seu mais alto explendor
quem lê isto até se cansa
de aturar tamanha dor.
*
insónia 4
Mostra-me os teus quadros.
Faz-me uma massagem aos pés. Embora preferisse
no pescoço.
Dá-me palmadas no rabo. Quero-te dar também.
Finge uma dor que realmente tens.
Apenas exprime-a de uma certa maneira
até ela se transformar em prazer.
Torna-te flor e luz e cor.
A desabrochar.
E um corpo de prazer.
Transbordante.
Ofuscante.
Total.
E a expressão de um tempo.
De amor puro.
*
insónia 3
Os pulmões não parecem encher-se de ar
Estão ressequidos, secos, inertes.
Prontos a marinar.
Queria tanto que estivesses aqui.
Beijar-te, abraçar-te, comer-te
de uma só vez, sem te engolir,
engolir-te e fazer-te regressar,
não te mastigar, não te moer,
não te ruminar.
Apenas fazer parte de ti e tu de eu
E desaparecer esta barreira que nos rompe
o destino.
E nos faz em desatino de uma lembrança infeliz.
É a alma que o diz.
E as lembranças de um tempo que ainda não passou
são o nosso fardo. E o fado que aí vem,
ainda não é facto sabes bem
que o torpor e a má lingua trazem fadado,
o fado que outros têm para nós.
e resta então apenas o sabor
de um sal que nunca ninguém alguma vez provou
aquele que sai da tua boca e encontra o meu sol
e a luz que não se vê volta a brilhar
com intensidade variável é certo
mas mesmo assim já dando para alumiar
alguns excertos deste verso.
As iluminuras ainda não estão gastas.
Apenas pressentem tempos distantes que aí vêm
Nas estátuas antigas estás presente
e chamas por mim ao longe.
A torre de marfim irá desboroar um dia,
e as pedras rolarão,
pelo vale de sombras.
E nesse dia regressarei à floresta
da minha infância
e te encontrarei por fim.
*
insónia 2
que lancei no ar.
Por vezes a solidão é muito chata.
Especialmente quando estás bonito.
Bonito bonito.
*
insónia
Falta pouco tempo. Muito pouco.
Gostava que fosses. Não sei se irás.
Penso em ti. Muito.
Fico ainda mais excitado. A imaginar
coisas que não devia.
E a repeti-las entre variações infinitas,
dentro do mesmo tema.
*
14.6.09
o meu par
E no entanto,
acompanhas tudo.
Há assim uma empatia natural
entre nós.
Adoro dançar contigo.
Ainda durante a tarde,
queria-te beijar mas tu não deixaste.
Fugiste logo. Afastei-me.
Ficaste mais fria. Mas na dança não.
Fiquei eu mais idiota. E não te convidei mais.
Queria dançar a mazurka que não veio. E foi tarde.
Sinto-me tão triste por te ver partir.
E não quero partir. Quero chegar.
Ver passar todas as paragens.
E terminar em ti.
*
sono tardio
O sono esse torna-se cada vez mais presente.
Ao mesmo tempo não consigo dormir.
Talvez não me saia o que tenho cá dentro.
Da forma como quero.
Vou escrevendo asneiras. Ou nem isso.
Apenas descarregar apenas. Escarrar. Lançar impropérios.
Talvez eu não queira que saias ainda.
Ainda estás tão presente, presente.
Em fogo, em chama, em lava.
No meu jardim. Ardem cinzas do que era dantes.
Os rinocerontes fogem desordenados
Até à ria.
Esperas-me enfim para uma dança duas três.
Eu espero. Demasiado. Deixo-te ir. Alguém te leva. Talvez te veja ainda. Talvez não. Não sei. Vejo-te a ir de vez. Desta vez já não voltas. Hoje. Preferes os músicos franceses. Este.
E ficas a pensar no que é demais e no de menos. E não entendes nada.
Que burrice tão grande. Depois de um dia tão bonito, outro tão triste.
E fica tudo na mesma.
Deviamos ter um botão de reset para os corações partidos.
*
Apenas queres ir ali e a garganta aperta.
Ela vem-te convidar e diz esquece.
Todos os pequenos momentos se conjugam
para vos afastar.
Quando antes vos aproximavam.
Quando é cedo é cedo
quando é tarde é tarde
Desta vez foi tarde.
Não sei como posso ser tão burro
em certas coisas
especialmente nisto.
Quando te vi a sentar com ele
perdi quase toda a esperança,
quando saiste acompanhada
acabou-se.
Quis ir embora. Demorei.
Deixei-me estar a deprimir e a dançar.
A tentar não cair.
Afinal sempre vim para casa, tarde.
Sem ti.
Às vezes só queria que os pés desaparecessem,
para nunca mais poder dançar.
*