24.10.21

o regresso dos sabores impossíveis

O olhar cintilante de um azul-céu claro

Lembra sabores de framboesa

e um tal de além que não sabemos o que é

apenas pressentimos que há

algo imaterializável, intangível, inegociável

uma linha vermelha espiritual

a cortar-nos ao meio no vazio

a dizer-nos que os sabores acabaram

e que os regressos são impossíveis


As palavras não ditas ressoam por vezes

neste céu azul profundo de fim de tarde

Lembrando melancolias distantes

Imagens de futuros improváveis

Imagens de tempos diferentes

Tempos de coisas proibidas, profanas, ultrajantes.


Regressamos enfim ao mesmo lugar de que partimos

E não sabemos onde estamos,

Apenas aguardamos o lento espreguiçar da manhã

Para regressar.