O olhar cintilante de um azul-céu claro
Lembra sabores de framboesa
e um tal de além que não sabemos o que é
apenas pressentimos que há
algo imaterializável, intangível, inegociável
uma linha vermelha espiritual
a cortar-nos ao meio no vazio
a dizer-nos que os sabores acabaram
e que os regressos são impossíveis
As palavras não ditas ressoam por vezes
neste céu azul profundo de fim de tarde
Lembrando melancolias distantes
Imagens de futuros improváveis
Imagens de tempos diferentes
Tempos de coisas proibidas, profanas, ultrajantes.
Regressamos enfim ao mesmo lugar de que partimos
E não sabemos onde estamos,
Apenas aguardamos o lento espreguiçar da manhã
Para regressar.