29.8.09

uma tarde com dri

Hoje estive com a dri.
Damo-nos tão bem.
É tudo tão natural.
Eu gosto dela. Ela gosta de mim.
Mas não dá.
Não dá?
Não
Porquê?
Não sei.
Eu gosto mesmo muito da dri.
E ela?
Ela gosta e não gosta.
Porquê?
Porque sim. É da espécie. É feitio não é defeito.
É complicado.
É.
Porquê?
Não sei. Só é complicado o que é simples, parece.
Complicado o que é simples?
Sim.
Como assim?
É uma forma de se ser infeliz. Nós gostamos disso.
Porquê?
Não sei. Somos todos um pouco SM. Gostamos de tau tau sem ninguém nos dar. Nem nós próprios?
Então quem dá?
Ninguém. Todos querem receber e ninguém dá.
Porquê?
Porque sim. É no não dar que está a infelicidade. Porque têm medo.
Medo?
Sim.
Não entendo nada!
Nem eu!

*

inquietação

Tudo está inquieto hoje.
Não há sombra que nos proteja
deste sol-de-noite.

As amuradas crescem de ideias
e morrem com o vento.

Sinto a tua falta,
mas não sei quem és.
És fragmentos.

Estou inquieto.
Não te encontro, não me encontras.
E tudo o resto é demasiado fugaz,
impermanente, célere, invisível.

Demasiado invisível para ser sentido,
tocado, apertado.

As tuas asas cheiram a enxofre.
E ameaçam queimar.

Tenho saudades do que não conheço.
E fico inquieto.

*

ausência

A tua ausência impregna estas paredes
que não existem.
Volta a vontade de escrever,
e com ela a ausência.
Ou será ao contrário, talvez.

E é tudo tão disperso ainda.
Nada sossega, aquieta, medra.
Está tudo no ar, em suspensão.

É preciso que caia, que assente, que encaixe.
Aqui nada encaixa. Por ora.

Espero assim outra aurora.
Que a tragas tu, portanto.
Embora tragar de manhã é violento,
e faz mal à barriga.