Fura sem parar, no meio de gente estranha.
Os monólitos movem-se arrebanhando a massa
para o centro ou para os lados,
conforme se lhes desmande.
As estrelas de primavera explodem uma uma
entre as massas e as multidões e devassa
a nossa primavera.
Estrondos ecoam pela sala.
Estranhos barulhos ritmados, rápidos
hipnotizam, arrebanham, acarrapatam.
Tudo o que resta é a concentração
do gado.
A ausência de toda a identidade
A ausência de todo o amor,
apenas há o consumo de restos
e o trabalho de zombies,
e o poder que não existe,
para os verdadeiros cegos da conquista,
como se tudo fosse soprado no vento
e assistem apenas quando pensam que mandam,
ao seu desmando e declínio e queda final.
E a uns sucedem-se outros.
Quando o mais ausente és tu e o amor.
E quando o óbvio é apenas o mais incerto.
Tudo se desvanece num torpor de anjo.
E o pó dá lugar ao desmando.
O que resto no fim, quando
a autodestruição é assegurada?
Daremos nós um novo inicio
ou apenas faremos nova escalada
para que tudo volte ao nada?
*
30.5.09
imaginarius
São as açucenas bravias. De ti.
A implorarem pelo campo.
A cevada cresce madura
No teu peito.
As saudades imploram presença
Do teu espírito em mim.
Esta ausência perfumada
embriaga-me.
O que está neste quarto,
eu não compreendo.
Apenas sinto o vazio de ti.
E entram guardas de rompante
E levam o imcompreensível
Para longe.
Nem as paredes se erguem mais.
Fica tudo nu mas sem ser nu.
Apenas transborda para a indiferença,
deste lugar frio.
*
A implorarem pelo campo.
A cevada cresce madura
No teu peito.
As saudades imploram presença
Do teu espírito em mim.
Esta ausência perfumada
embriaga-me.
O que está neste quarto,
eu não compreendo.
Apenas sinto o vazio de ti.
E entram guardas de rompante
E levam o imcompreensível
Para longe.
Nem as paredes se erguem mais.
Fica tudo nu mas sem ser nu.
Apenas transborda para a indiferença,
deste lugar frio.
*
esperar não chega
estou tão apaixonado que até mete nojo.
E quanto menos me ligas mais apaixonado fico.
É muito tempo à espera de ti. E tu não vens.
Mas aqui estás. Mas é diferente. Há muita gente.
À nossa volta.
E a minha impaciência à solta. Nos dias arredios de verão.
Queria-te ver todos os dias. E abraçar-te. E sentir a tua
pele na minha pele. E sofro. Uma semana é muito tempo.
Demasiado.
Para te ver, e não poder estar contigo, vendo-te, contrariado.
E está tudo bem, quando a tensão existe. Depois, fico triste.
E frustrado.
E quando é só para a outra semana, não sei o que fazer.
Pois já estás em mim demasiado dentro para me libertar
de ti mesmo sem te ver.
*
E quanto menos me ligas mais apaixonado fico.
É muito tempo à espera de ti. E tu não vens.
Mas aqui estás. Mas é diferente. Há muita gente.
À nossa volta.
E a minha impaciência à solta. Nos dias arredios de verão.
Queria-te ver todos os dias. E abraçar-te. E sentir a tua
pele na minha pele. E sofro. Uma semana é muito tempo.
Demasiado.
Para te ver, e não poder estar contigo, vendo-te, contrariado.
E está tudo bem, quando a tensão existe. Depois, fico triste.
E frustrado.
E quando é só para a outra semana, não sei o que fazer.
Pois já estás em mim demasiado dentro para me libertar
de ti mesmo sem te ver.
*
22.5.09
esperar IV
respondeste. e eu respondi-te logo. tu não respondeste logo.
somos cada vez mais iguais. fico nervoso e tenho dúvidas.
tenho medo. que me digas que não me amas quando sei que me amas.
o engano só é tolerado até um ponto do qual não se regressa.
ou se demora a regressar.
Sinto-me impaciente, nervoso. Aínda há pouco estava tão calmo.
Quero estar contigo. Muito. Penso em ti. Deixo de pensar. Apenas sinto.
A tua não presença. Aqui.
É tudo tão intenso comigo. Porquê? É quase irreal.
Como isto pode ser tão forte, tão do avesso, tão poderoso.
Ao ponto de não existir mais nada. Mesmo que por uns momentos.
Tenho medo mas tenho esperança. E espero q esta prevaleça.
Aparece. Logo.
**
somos cada vez mais iguais. fico nervoso e tenho dúvidas.
tenho medo. que me digas que não me amas quando sei que me amas.
o engano só é tolerado até um ponto do qual não se regressa.
ou se demora a regressar.
Sinto-me impaciente, nervoso. Aínda há pouco estava tão calmo.
Quero estar contigo. Muito. Penso em ti. Deixo de pensar. Apenas sinto.
A tua não presença. Aqui.
É tudo tão intenso comigo. Porquê? É quase irreal.
Como isto pode ser tão forte, tão do avesso, tão poderoso.
Ao ponto de não existir mais nada. Mesmo que por uns momentos.
Tenho medo mas tenho esperança. E espero q esta prevaleça.
Aparece. Logo.
**
21.5.09
esperar III
Continuamos nos momentos de uma espera eterna.
Após muita insistencia respondeste,
e fizemos planos e propostas e sonhos,
e passei para ti o meu momento,
e tu nada disseste.
Espero novamente. Continuo a esperar.
Desta vez mais respirado.
Desta vez menos interessado.
Desta vez quase insensível.
À tua pele, ao teu olhar, ao teu abraço,
que sinto cada vez mais longe, quase inexistente.
Que permanece quase extinto, relembrado apenas,
num esboço de lençois e de açucenas. Bravias.
A vida continua ao longe. Bem perto sussuram,
outras tágides, outros caminhos, outras ilusões.
És um subterrâneo e eu perco-me em ti.
Nunca te encontro. Estás sempre cada vez mais,
labiríntica.
Esvais-te no teu sorriso. E no meu.
E nunca mais choras pedra. Nem verão.
A verdade nunca acaba por cair em mármore.
Restam apenas as açucenas bravias e o chão em ferida.
A luz que ilumina esta fresta é fria. E doente.
Não tarda vem a sombra do crepúsculo de ti.
E quando fores, nada restará.
Ficaremos no negrume. Eterno. Pois não sabemos,
quando será a próxima madrugada.
*
Após muita insistencia respondeste,
e fizemos planos e propostas e sonhos,
e passei para ti o meu momento,
e tu nada disseste.
Espero novamente. Continuo a esperar.
Desta vez mais respirado.
Desta vez menos interessado.
Desta vez quase insensível.
À tua pele, ao teu olhar, ao teu abraço,
que sinto cada vez mais longe, quase inexistente.
Que permanece quase extinto, relembrado apenas,
num esboço de lençois e de açucenas. Bravias.
A vida continua ao longe. Bem perto sussuram,
outras tágides, outros caminhos, outras ilusões.
És um subterrâneo e eu perco-me em ti.
Nunca te encontro. Estás sempre cada vez mais,
labiríntica.
Esvais-te no teu sorriso. E no meu.
E nunca mais choras pedra. Nem verão.
A verdade nunca acaba por cair em mármore.
Restam apenas as açucenas bravias e o chão em ferida.
A luz que ilumina esta fresta é fria. E doente.
Não tarda vem a sombra do crepúsculo de ti.
E quando fores, nada restará.
Ficaremos no negrume. Eterno. Pois não sabemos,
quando será a próxima madrugada.
*
18.5.09
esperar II
Sonhei com subterrâneos e opressões violentas á superfície.
Sonhei com a total desolação de um planeta arrasado e mutante.
Apenas nos restava os subterrâneos e os refúgios de um mundo agonizante.
E fiquei estranho, mexido, incomodado por tal cenário,
E os dias passaram a ser séculos,
E fiquei à espera q aparecesses e me disssesses olá.
E fartei-me de esperar. E suspirei.
E de repente fiquei calmo e tranquilo.
Assim como de repente tinha ficado nervoso.
E continuo à tua espera.
Aparece sim?
Sinto tanto a tua falta. O teu sorriso.
A tua presença, o teu regaço, a tua respiração,
no meu pescoço. Vejo-te tão feliz.
Eu contigo, e tu comigo, um só.
*
Sonhei com a total desolação de um planeta arrasado e mutante.
Apenas nos restava os subterrâneos e os refúgios de um mundo agonizante.
E fiquei estranho, mexido, incomodado por tal cenário,
E os dias passaram a ser séculos,
E fiquei à espera q aparecesses e me disssesses olá.
E fartei-me de esperar. E suspirei.
E de repente fiquei calmo e tranquilo.
Assim como de repente tinha ficado nervoso.
E continuo à tua espera.
Aparece sim?
Sinto tanto a tua falta. O teu sorriso.
A tua presença, o teu regaço, a tua respiração,
no meu pescoço. Vejo-te tão feliz.
Eu contigo, e tu comigo, um só.
*
esperar
Devia estar feliz. Mas estou triste.
Detesto esperar. Esperar, esperar esperar.
Desconfio quando tudo corre bem demais.
Não sei. Começo a suspirar. Não tenho paciência.
Ou então o tempo passa muito mais devagar.
Desde q te conheci. E não posso estar contigo.
Agora.
E foi tão bonito. Tão especial. Tão único.
Tenho medo que se desvaneça, que desapareca,
que nunca tenha acontecido.
Quero estar contigo. Sinto a tua falta. Tanto.
*
Detesto esperar. Esperar, esperar esperar.
Desconfio quando tudo corre bem demais.
Não sei. Começo a suspirar. Não tenho paciência.
Ou então o tempo passa muito mais devagar.
Desde q te conheci. E não posso estar contigo.
Agora.
E foi tão bonito. Tão especial. Tão único.
Tenho medo que se desvaneça, que desapareca,
que nunca tenha acontecido.
Quero estar contigo. Sinto a tua falta. Tanto.
*
15.5.09
Cztery noce z Anna
Admito. Não estava à espera da surpresa deste 'Quatro Noites com Anna'.
É incrível como o amor pode tender tanto para o infinito quando não sai de nós. Fica preso, cresce para dentro, só nosso. E por isso torna-se tão impossível quanto perfeito e infinito. Tudo em absolutos obcessivos. Tudo em absolutos sacríficos inomináveis. Tudo demasiado excessivo. Tudo que se transforma em nada num bater do coração. Amor diz ele. Ela sai e vai embora. E volta e diz, não venho mais.
Vale a pena. Melhor só mesmo os filmes das outras 'Anas', desta vez espanholas (por sinal do mesmo realizador, Julio Medem, talvez o meu preferido) nos filmes 'Os amantes do círculo polar' e 'Caótica Ana', sendo este último a maior supresa dos últimos tempos. A crítica que se lixe e vá apanhar batatas! :)
*
V.
13.5.09
toma lá dá cá
A minha segunda música portuguesa preferida.
Se o mar tivesse varandas
Mesmo que fossem de pau
Ia ver o meu amor
Ao banco do bacalhau
Toma lá dá cá, dá cá toma lá
O meu coração arrecada-o lá
Arrecada-o lá dentro da caixinha
E o que está lá dentro ninguém adivinha
Andas a falar aí
Minha boca de goraz
Não me tiram uma costela
Se me roubam o rapaz
Toma lá dá cá, dá cá toma lá
Que meu coração arrecada-o lá
Arrecada-o lá dentro da caixinha
E o que está lá dentro ninguém
Ninguém adivinha, não adivinha não
O que está lá dentro do meu coração...
*
Se o mar tivesse varandas
Mesmo que fossem de pau
Ia ver o meu amor
Ao banco do bacalhau
Toma lá dá cá, dá cá toma lá
O meu coração arrecada-o lá
Arrecada-o lá dentro da caixinha
E o que está lá dentro ninguém adivinha
Andas a falar aí
Minha boca de goraz
Não me tiram uma costela
Se me roubam o rapaz
Toma lá dá cá, dá cá toma lá
Que meu coração arrecada-o lá
Arrecada-o lá dentro da caixinha
E o que está lá dentro ninguém
Ninguém adivinha, não adivinha não
O que está lá dentro do meu coração...
*
depois da acalmia II
Ficamos insensívens nos braços da noite,
Nada sentimos, nada somos, nada queremos.
Adormecemos apenas e esquecemos.
O sangue, e a rosa, e a cor,
dos teus desejos.
Nunca nada foi tão mais ou menos,
como aquilo que não dei hoje.
E vêem-me lágrimas aos olhos,
não pela realidade das coisas,
mas pela sensaboria insuportável,
dos actos medíocres e do esquecimento
forçado dos amores impossíveis.
E não adianta querer partilhar tudo,
porque nada se pode dar ao vazio
onde queriamos que existisse
o outro lado.
*
Nada sentimos, nada somos, nada queremos.
Adormecemos apenas e esquecemos.
O sangue, e a rosa, e a cor,
dos teus desejos.
Nunca nada foi tão mais ou menos,
como aquilo que não dei hoje.
E vêem-me lágrimas aos olhos,
não pela realidade das coisas,
mas pela sensaboria insuportável,
dos actos medíocres e do esquecimento
forçado dos amores impossíveis.
E não adianta querer partilhar tudo,
porque nada se pode dar ao vazio
onde queriamos que existisse
o outro lado.
*
12.5.09
o dia antes, hoje, agora
Agora é o dia,
embora ainda não tenha sido,
é depois, embora seja hoje,
o que te vi, embora esteja,
perdido.
Encontraste-me na noite enfim,
Agachado a uma beirada,
e disseste-me apenas o vento,
sabe de toda a verdade,
e um lamento caiu sobre mim,
e caiste e ficaste ao meu lado,
e vimos as estrelas e as constelações,
que não te soube explicar.
E estava frio, mas não tinhamos frio.
Tinhamos apenas sede, mas ficamos,
um ao lado do outro. em silencio.
a ver as estrelas e as constelações,
do nosso passado.
*
embora ainda não tenha sido,
é depois, embora seja hoje,
o que te vi, embora esteja,
perdido.
Encontraste-me na noite enfim,
Agachado a uma beirada,
e disseste-me apenas o vento,
sabe de toda a verdade,
e um lamento caiu sobre mim,
e caiste e ficaste ao meu lado,
e vimos as estrelas e as constelações,
que não te soube explicar.
E estava frio, mas não tinhamos frio.
Tinhamos apenas sede, mas ficamos,
um ao lado do outro. em silencio.
a ver as estrelas e as constelações,
do nosso passado.
*
4 dias contigo
Estás para breve junto de mim,
não sei se serão 4 dias pois,
ainda não o vi, não te vi então,
na janela abeirada, do 4 andar do hotel,
delineada nas beiradas, nas janelas, nas entradas,
nas mesas da recepção.
4 dias talvez seja demais,
para quem está há anos com febre.
Quem diz quatro dias diz uma hora, hoje.
Ou talvez menos.
Não adianta esperar muito,
pois ao destino cabe a maior parte,
que por vezes não reparte,
entre nós de forma igual.
Ficamos então dispersos,
Algo entreabertos,
Nesta mistura indisponível,
por vezes quase intangível,
de te ver ao despertar.
*
não sei se serão 4 dias pois,
ainda não o vi, não te vi então,
na janela abeirada, do 4 andar do hotel,
delineada nas beiradas, nas janelas, nas entradas,
nas mesas da recepção.
4 dias talvez seja demais,
para quem está há anos com febre.
Quem diz quatro dias diz uma hora, hoje.
Ou talvez menos.
Não adianta esperar muito,
pois ao destino cabe a maior parte,
que por vezes não reparte,
entre nós de forma igual.
Ficamos então dispersos,
Algo entreabertos,
Nesta mistura indisponível,
por vezes quase intangível,
de te ver ao despertar.
*
talvez para marraquexe
Ainda não sei onde vou.
Para onde é totalmente irrelevante.
Talvez para marraquexe.
Onde existem escravas e escraveiros magrebinos,
à espera de serem aprisionados, pois,
todos o desejam secretamente ser,
embora nunca o confessem, viver,
em clausura onde tudo é mais simples,
do que tomar decisões banais,
com significado aparente.
*
Para onde é totalmente irrelevante.
Talvez para marraquexe.
Onde existem escravas e escraveiros magrebinos,
à espera de serem aprisionados, pois,
todos o desejam secretamente ser,
embora nunca o confessem, viver,
em clausura onde tudo é mais simples,
do que tomar decisões banais,
com significado aparente.
*
10.5.09
estranha esperança
A minha esperança sabe a amargura,
como se soubesse a tua resposta antes do tempo,
como se o que combinamos fosse apenas o fim,
e nada mais.
Não quero falar de longe, nem sequer suspirar,
quero estar contigo na pele, abraçar-te,
nem que seja pela última vez.
Estás tão longe. Sinto uma falta,
que ainda nem sequer existe.
E provavelmente nunca existirá.
*
---
Não entendo como não consegues
ver os liames que nos unem,
só os que nos desune.
Fico tão triste que parece que,
vou morrer.
E cada vez entendo menos,
disto.
*
--
como se soubesse a tua resposta antes do tempo,
como se o que combinamos fosse apenas o fim,
e nada mais.
Não quero falar de longe, nem sequer suspirar,
quero estar contigo na pele, abraçar-te,
nem que seja pela última vez.
Estás tão longe. Sinto uma falta,
que ainda nem sequer existe.
E provavelmente nunca existirá.
*
---
Não entendo como não consegues
ver os liames que nos unem,
só os que nos desune.
Fico tão triste que parece que,
vou morrer.
E cada vez entendo menos,
disto.
*
--
7.5.09
o silêncio
És cruel. Deixas-me angustiado.
Não respondes a nenhuma das minhas mensagens
Fico desorientado, enjoado, triste.
Tão triste.
Porque não respondes, não falas comigo,
tanto faz que digas o que for, desde
que não seja este vazio.
Não me dás outra hipótese a não ser
a dispersão total e completa.
É pena. Assim nunca vais saber,
azar o teu.
*
Não respondes a nenhuma das minhas mensagens
Fico desorientado, enjoado, triste.
Tão triste.
Porque não respondes, não falas comigo,
tanto faz que digas o que for, desde
que não seja este vazio.
Não me dás outra hipótese a não ser
a dispersão total e completa.
É pena. Assim nunca vais saber,
azar o teu.
*
medo
Tens medo de mim. O que medra o teu medo, assim?
tanto, tudo, total, talvez seja apenas impressão
do passado que trespassa este presente
tão pesado, que por vezes até nem sai assim,
tão envenenado.
O medo é coisa estranha, que se entranha
e desenfeita e espalha toda a maleita
que suga a cor e a vida, o sentido
e até a dor.
*
tanto, tudo, total, talvez seja apenas impressão
do passado que trespassa este presente
tão pesado, que por vezes até nem sai assim,
tão envenenado.
O medo é coisa estranha, que se entranha
e desenfeita e espalha toda a maleita
que suga a cor e a vida, o sentido
e até a dor.
*
embora fui
Acabei por ir embora,
embora lá estivesses e não fiquei
deixei saí abri-me ao relento da
noite e esperei por ti no vermelho
fumado, onde tudo é esperado,
acontecer.
Não que esperasse que viesses,
apenas saí, ias para casa,
de qualquer forma, sempre ocupada,
não interessada, talvez, mais que isso,
independente e tão ausente por vezes,
que tantas vezes esperaria não ter que esperar
tanto por ti.
Fui embora, embora não estivesse lá,
realmente, estava em ti, assim, aqui, ali.
Aproximei-me e foste embora e fui também,
andor, cada um no seu caminho.
Gosto de ficar solto assim. Dentro do cor
de rosa e do lilás, ou violeta, ou roxo,
tanto faz.
*
embora lá estivesses e não fiquei
deixei saí abri-me ao relento da
noite e esperei por ti no vermelho
fumado, onde tudo é esperado,
acontecer.
Não que esperasse que viesses,
apenas saí, ias para casa,
de qualquer forma, sempre ocupada,
não interessada, talvez, mais que isso,
independente e tão ausente por vezes,
que tantas vezes esperaria não ter que esperar
tanto por ti.
Fui embora, embora não estivesse lá,
realmente, estava em ti, assim, aqui, ali.
Aproximei-me e foste embora e fui também,
andor, cada um no seu caminho.
Gosto de ficar solto assim. Dentro do cor
de rosa e do lilás, ou violeta, ou roxo,
tanto faz.
*
tu outra vez
De violeta rosa não te esperava,
Em triângulos roxos ou lilases estavas
E estás e desapareceste por detrás,
dos panos vermelhos da antesala,
do novo avô cantigas, ou será
variações, invariavelmente será,
o que quiseres que seja,
o que será o que eu não queira,
por alguma razão não o é,
o que não quer dizer que assim sempre o seja,
apenas não o vejo nos teus olhos,
quando a minha aura expande e te envolve,
e fico assim, sem bloqueios para ti,
só e totalmente,
só...
*
Em triângulos roxos ou lilases estavas
E estás e desapareceste por detrás,
dos panos vermelhos da antesala,
do novo avô cantigas, ou será
variações, invariavelmente será,
o que quiseres que seja,
o que será o que eu não queira,
por alguma razão não o é,
o que não quer dizer que assim sempre o seja,
apenas não o vejo nos teus olhos,
quando a minha aura expande e te envolve,
e fico assim, sem bloqueios para ti,
só e totalmente,
só...
*
6.5.09
baile II
Repousaste a tua cabeça enfim,
no meu ombro direito
E repousamos um no outro,
a nossa dor.
Só faltou um beijo e um desfecho,
diferente.
Irei eu lentamente, ou
lançar-me-ei no percipicio
dourado de ti?
*
no meu ombro direito
E repousamos um no outro,
a nossa dor.
Só faltou um beijo e um desfecho,
diferente.
Irei eu lentamente, ou
lançar-me-ei no percipicio
dourado de ti?
*
baile
Dançámos no mundo. E em especial contigo.
Deste-me o que ele não te quis dar.
Nesta dança. Quase te beijei,
se assim soubesse beijar. Não sei.
Como libertar isto de mim.
O amor devia ser livre.
Pelo menos parece assim,
para quem está só.
Pelo menos dentro da minha
cabeça.
Gostei muito de dançar contigo.
Dei-te o que ele nunca te daria.
Mas não consigo dizer isto,
de outro modo, por enquanto.
Não sei como dizer-te que,
te posso dar o que tu dás,
e podemos dar um ao outro ainda mais,
do que isso.
Deste-me o que ele não te quis dar.
Nesta dança. Quase te beijei,
se assim soubesse beijar. Não sei.
Como libertar isto de mim.
O amor devia ser livre.
Pelo menos parece assim,
para quem está só.
Pelo menos dentro da minha
cabeça.
Gostei muito de dançar contigo.
Dei-te o que ele nunca te daria.
Mas não consigo dizer isto,
de outro modo, por enquanto.
Não sei como dizer-te que,
te posso dar o que tu dás,
e podemos dar um ao outro ainda mais,
do que isso.
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