21.5.09

esperar III

Continuamos nos momentos de uma espera eterna.
Após muita insistencia respondeste,
e fizemos planos e propostas e sonhos,
e passei para ti o meu momento,
e tu nada disseste.

Espero novamente. Continuo a esperar.
Desta vez mais respirado.
Desta vez menos interessado.
Desta vez quase insensível.
À tua pele, ao teu olhar, ao teu abraço,
que sinto cada vez mais longe, quase inexistente.

Que permanece quase extinto, relembrado apenas,
num esboço de lençois e de açucenas. Bravias.

A vida continua ao longe. Bem perto sussuram,
outras tágides, outros caminhos, outras ilusões.

És um subterrâneo e eu perco-me em ti.
Nunca te encontro. Estás sempre cada vez mais,
labiríntica.

Esvais-te no teu sorriso. E no meu.
E nunca mais choras pedra. Nem verão.

A verdade nunca acaba por cair em mármore.
Restam apenas as açucenas bravias e o chão em ferida.

A luz que ilumina esta fresta é fria. E doente.
Não tarda vem a sombra do crepúsculo de ti.
E quando fores, nada restará.
Ficaremos no negrume. Eterno. Pois não sabemos,
quando será a próxima madrugada.

*

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