É a terceira vez que vens aqui. Assim.
Sinto o teu respirar no meu pescoço e não te vejo.
Está escuro aqui.
Hoje ouvi Sérgio Godinho. Ao vivo. No 25 do quatro.
Lembrei-me de ti quando chegou a vez de espalhar a notícia
aos quatro ventos.
Nós queriamos convidar-te mas ninguém acabou por o fazer, e o tempo
esvaziou a tua presença entre nós.
Estamos ainda no ajuste das horas e dos tempos,
e das solidões.
Queria ir à praia contigo, mas não te quero convidar.
Tomar banho no mar. Ficar sal e água e sol em ti.
Apesar do frio. Apesar da sede. Apesar da noite.
Diz-me. Como as rosas desabrocham à noite sem ninguém lhes mandar.
E porque as colhem e as calam de madrugada,
só para as dar a alguém a quem fingem amar.
*
26.4.09
23.4.09
tu, hoje, outra vez.
Jogas à apanhada e às mãos vão parar-te outras mãos.
Cruzam-se os dedos e empurram-se corpos.
Que descem em confronto com a terra de madeira.
E a gravidade revela um sentido escondido,
dentro de ti, as anémonas brilham em silêncio.
Através dos tempos, o movimento é constante,
corta as camisas e os desenlaces do antes,
tornando tudo ainda mais confuso.
Para os pedantes dos templos modernos.
A luz que te inunda é feita de frio.
E o arrepio é apenas uma invenção,
feita de ar e de razão,
que te traz a flutuar ate mim.
A arena perde os seus leões,
e as luzes apagam lentamente,
todos os traços de sangue,
Dos dentes afiados teus.
A sala escura em que te encontras,
Não é mais do que uma inundação de luz,
escondida. Dentro de ti. Afastada dos pilares,
da sabedoria antiga.
Depois do sangue e das quedas,
resta ainda o teu não-eu,
postiço por uns momentos,
de escuridão.
Espero na praia e escrevo.
PArvoíces ao fim do dia, ou será início.
CIclos interminaveis de enredos variáveis
No fim do mais importante.
*
Cruzam-se os dedos e empurram-se corpos.
Que descem em confronto com a terra de madeira.
E a gravidade revela um sentido escondido,
dentro de ti, as anémonas brilham em silêncio.
Através dos tempos, o movimento é constante,
corta as camisas e os desenlaces do antes,
tornando tudo ainda mais confuso.
Para os pedantes dos templos modernos.
A luz que te inunda é feita de frio.
E o arrepio é apenas uma invenção,
feita de ar e de razão,
que te traz a flutuar ate mim.
A arena perde os seus leões,
e as luzes apagam lentamente,
todos os traços de sangue,
Dos dentes afiados teus.
A sala escura em que te encontras,
Não é mais do que uma inundação de luz,
escondida. Dentro de ti. Afastada dos pilares,
da sabedoria antiga.
Depois do sangue e das quedas,
resta ainda o teu não-eu,
postiço por uns momentos,
de escuridão.
Espero na praia e escrevo.
PArvoíces ao fim do dia, ou será início.
CIclos interminaveis de enredos variáveis
No fim do mais importante.
*
tu, hoje.
Vi-te no escuro da noite. Adormecida.
Saudavas-me do fundo, olhos preto, escuros, maquilhados de negro.
Dançavas um ciclo sádico e masoquista. Contigo própria.
E com a arena o círculo de toda a gente que ninguém vias.
Atacavas quem querias e eras vítima de um opressor desconhecido, simultâneo,
demasiado perto da tua pele, explodiam suores frios.
É tudo tão demasiado sério. Até mesmo com a língua de fora, ninguém segura,
as tuas anémonas.
Está frio e o arrepio que desce é uma lembrança de um tempo,
que nunca existiu.
E a praia espera, um outro pescador, que se ausenta, do mar.
*
Saudavas-me do fundo, olhos preto, escuros, maquilhados de negro.
Dançavas um ciclo sádico e masoquista. Contigo própria.
E com a arena o círculo de toda a gente que ninguém vias.
Atacavas quem querias e eras vítima de um opressor desconhecido, simultâneo,
demasiado perto da tua pele, explodiam suores frios.
É tudo tão demasiado sério. Até mesmo com a língua de fora, ninguém segura,
as tuas anémonas.
Está frio e o arrepio que desce é uma lembrança de um tempo,
que nunca existiu.
E a praia espera, um outro pescador, que se ausenta, do mar.
*
18.4.09
the greatest
é desta que eu vou ver o blueberry nights sozinho. é triste.
não sei fazer gemadas sem ovos. nem omeletes. nem quero aprender de outra maneira. não faz sentido. perde o sentido. todo.
*
não sei fazer gemadas sem ovos. nem omeletes. nem quero aprender de outra maneira. não faz sentido. perde o sentido. todo.
*
11.4.09
saudades III
tenho saudades tuas. desapareceste.
Como o Sahid do filme. Foste para longe,
sem dizeres mais nada.
Assim. Com medo.
Tens medo do que gostas mais.
Talvez porque te traga memórias e coisas que não sabes,
de onde vêm, nem porquê.
Tenho saudades tuas.
*
Como o Sahid do filme. Foste para longe,
sem dizeres mais nada.
Assim. Com medo.
Tens medo do que gostas mais.
Talvez porque te traga memórias e coisas que não sabes,
de onde vêm, nem porquê.
Tenho saudades tuas.
*
2.4.09
silêncio
Nem uma resposta, nem uma voz ao fundo, ao longe, no ar.
rasgada em mil milhões de pedaços de todas as cores.
Nem uma carta perfumada de odor de javali ou cachalote
apodrecido no sol.
Nem um suspiro, um lamento, uma respiração profunda,
ou prolongada.
Nem meia duzia de caracteres lançados ao ar,
polarizando o ar rapidamente chegando até lado nenhum.
Nem um olá virtualizado através de centenas de fios de cobre,
que circulam o mundo e o asfixiam lentamente.
Apenas silêncio. Nem sim, nem não, nem olá, nem adeus, nem nada.
Apenas silêncio. Asfixiante, permanente, eterno.
Silêncio. Violento, agressivo, opressivo.
Silêncio.
rasgada em mil milhões de pedaços de todas as cores.
Nem uma carta perfumada de odor de javali ou cachalote
apodrecido no sol.
Nem um suspiro, um lamento, uma respiração profunda,
ou prolongada.
Nem meia duzia de caracteres lançados ao ar,
polarizando o ar rapidamente chegando até lado nenhum.
Nem um olá virtualizado através de centenas de fios de cobre,
que circulam o mundo e o asfixiam lentamente.
Apenas silêncio. Nem sim, nem não, nem olá, nem adeus, nem nada.
Apenas silêncio. Asfixiante, permanente, eterno.
Silêncio. Violento, agressivo, opressivo.
Silêncio.
planisfério de fogo
A lua ergue-se cedo,
Reflectindo o teu olhar
de mancebo.
A guerra aproxima-se,
os sons agudos, os silvos, os estrondos,
que te percorrem naturalmente.
A estranheza do tempo que passa,
É apenas uma ilusão perene.
Tudo o resto é apenas ar e agua
E pó e nada.
*
Reflectindo o teu olhar
de mancebo.
A guerra aproxima-se,
os sons agudos, os silvos, os estrondos,
que te percorrem naturalmente.
A estranheza do tempo que passa,
É apenas uma ilusão perene.
Tudo o resto é apenas ar e agua
E pó e nada.
*
depois da acalmia
Após uma acalmia estranha, sem razão.
Um quase esquecimento de ti.
Vieste tu pôr em questão
A tua própria ausência sem sentido.
Por vezes a falta deste é ele próprio,
quando as minhas mãos já não existem
para te sentir e os pés são uma
invenção triste dos homens.
O vento tornou a soprar para sul,
E tudo o que espero, nada concretiza.
E fico triste no teu regaço que não existe,
aqui, ao pé de mim. Assim.
O desabrochar lento das rochas,
e das rosas que brotam por dentro,
daquelas que nunca nascem,
e que nunca poderei ver.
Pois todas são vaporosas,
quebram-se com um olhar,
e vão sempre atrás do vento.
*
Um quase esquecimento de ti.
Vieste tu pôr em questão
A tua própria ausência sem sentido.
Por vezes a falta deste é ele próprio,
quando as minhas mãos já não existem
para te sentir e os pés são uma
invenção triste dos homens.
O vento tornou a soprar para sul,
E tudo o que espero, nada concretiza.
E fico triste no teu regaço que não existe,
aqui, ao pé de mim. Assim.
O desabrochar lento das rochas,
e das rosas que brotam por dentro,
daquelas que nunca nascem,
e que nunca poderei ver.
Pois todas são vaporosas,
quebram-se com um olhar,
e vão sempre atrás do vento.
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