30.3.09

cheiros

Cheira-me a açafrão,
um cheiro de ausências perfumadas,
e algo enjoativas,
que entram pelas janelas fechadas,
e pelas paredes bolorentas.

Passaram 5000 séculos,
desde que nos vimos pela ultima vez
Ainda me lembro do teu sorriso e do teu verso,
A acariciarem-me a pele.
E a deixarem-me eléctrico.
E a queimarem-me por dentro,
transformando-me em fénix,
renascida das minhas próprias cinzas.

Sinto a tua falta.

*

29.3.09

feiras andantes

Caminhámos lentamente pelos becos das feiras,
sem nunca reparar no que nos rodeava,
nem no que transparecia à nossa volta.
Falámos apenas, e sorrimos.
Para nós e para tudo.

Apenas restava a roda gigante e os carrinhos de choque.

Tudo o resto desapareceu em tons etéreos.
Apenas atravessámos a fronteira do que não é.
E assim fomos, a pé, até ao não destino mais próximo.
E voltámos ao mesmo ponto de partida.
Para continuarmos noutro local a nossa vinda.

Há muito tempo que não me sentia assim.
As coisas insignificantes para muitos outros,
são para mim as mais importantes.
Mesmo que desvanescentes.
Mesmo que principiantes.
Mesmo que ainda irrealizadas.

Ainda está muito frio. E vento.
Mas isto não é um lamento.
Gostei mesmo muito.
Da tua presença,
do teu falar,do teu olhar,
do teu tudo todo.

*

28.3.09

a espera II

Espero. Por ti.
Não entendo porque não podemos estar. Assim.
Como se tudo tivesse que ter uma hora marcada.
Ou uma diagonal no tempo que passa.
As curvas estão cansadas de esperar.
Já não há mais dobras no teu vestido.
O das flores.
Até o vento espera o desalento.
De mais uma hora, um minuto, um momento,
de esperar por ti que apareças,
neste, naquele, ou em qualquer outro lugar.

A lua aproxima-se e lamenta
O entardecer da tarde apressado
Quanto mais se aproxima o momento
Mais tarde parece estar marcado.

São dias e dias sem esperar
O teu beijo e abraço apressado.
Quanto mais o anseio e desejo
Mais o tempo parece dilatado...

*

27.3.09

...

......................................................................
...................
......
.

....
.
...................................
.........................

porque as rosas demoram tanto a desabrochar?

25.3.09

aqui.

Já cheguei.

Vamos até à praia? ;)

*

11.3.09

ocupada

Estás ocupada.
Sinto-te cansada. Os braços tremem um pouco.
Queres estar sozinha. Preferes. Agora.
Estou impaciente, ainda não sei se fico.
Só saberei no fim deste processo demorado.

Gostava de ver a floresta. Ou uma flor. Do teu jardim.
Gostava que me dissesses os nomes das flores
que se passeiam nos nossos pés.
Gostava de sentir a sombra fresca da tua árvore
No sol ardente de foz.
Gostava de te tocar ao de leve no braço
e ficar eléctrico.
Gostava de sentir a erva doce a acariciar
os meus cabelos. E os teus.
Gostava de te ver entre as tuas flores.
E lembrar-me para sempre desse momento único,
irrepetível.

Penso muito em ti. Demais. Outra vez. Novamente.
Esqueci-me do antes, do não encontro, do não.

Quero-te ver.

*

10.3.09

a espera

Estamos indisponíveis. Os dois.
Gostava de saber fazer as coisas,
e ter talvez alguma mais coragem.
Mas ainda não chegou o momento.

Nos tempos livres, trabalhamos. Juntos.
Embora seja um futuro no presente.

Um presente que me dás, que eu aceito,
com tudo o que tenho no meu ser.
Penso no presente que te dei.
Aquele que espera ser escolhido.
No entanto, já o entreguei,
em época e local ainda perdido.
Procuro e procuro sem parar
Aquele lugar que se esconde num recanto
E quando o estou quase a alcancar.
Apareces tu e caio no meu espanto.
Não sei quem és e no entanto te conheço
De outros rios que desaguam noutras praias.
Mas quando estendo o braço para ti
Desvaneces-te no ar e apenas resta,
a recordação em mim do teu olhar.

9.3.09

estás perto

Perto, muito perto.
"
-Are you still open?
-Want to come inside?
"

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Guardo para ti este filme.
Queria escrever algo bonito, agora.
Mas irás saber que é para ti
e eu não quero que tu saibas.
Para já.

Pois todas as palavras traem o teu nome.

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Hoje faltaste tu.

*

3.3.09

um sonho dentro de um sonho

Ainda não vi.
Não quero ver este sozinho. Não me apetece. Estou a reservá-lo para uma ocasião especial com alguém especial. Quem será?
Tenho-o guardado. Aqui.

ó-ó

Tens um 'o' pendurado no nome.

Será o ou o-o? Estás a dormir concerteza.

Nao me ouves? Preciso gritar?

Dantes era um 'a' pendurado lá em cima,
agora mudou, a vogal.
No entanto, lá continua por cima de todos, de tudo.

És um 'o' bonito no entanto. Não caias não, sim?

Não estou aqui em baixo para te amparar, estou longe.

Demasiado. Estamos desfasados no tempo e no espaço.

As coisas mais interessantes estão desfasadas.
Ou será que assim é, por serem inacessíveis,
inalcancáveis, penduradas onde não possamos
chegar?

La belle rosier a été loin. Porquoi?
Pas d'été!

*

Correr na praia

Tenho saudades de correr na praia,
e sentir que tudo é possível,
e ouvir Naragonia ao fim da tarde,
e correr. Assim.

Lembro-me do teu riso, do sorriso
que vinha até mim,
dos teus olhos claros,
dos teus disparates,
que me encantavam,
e irritavam toda a gente.

O amor apaixonado é curioso,
e paradoxal.
Da tua insegurança, das tuas costas,
das massagens, e dos momentos entre
todas as outras coisas.

Das sereias que não querem molhar
os pés.

Dos pescadores que se afundam,
no alto mar.

De tudo o que está fora do sítio,
de eu, tu e todos os que conhecemos.

*

Learning to Love you More

oh oh ;)

A nossa realizador preferida está de volta com o seu novo projecto...

2.3.09

saudades II

Por vezes tenho saudades. O que é ter saudades?
Hoje tenho saudades das danças. Europeias.
Das pessoas, dos bailes, das andanças e do andanças também.
Da Sophie.
Do meu afastamento de tudo para vir para o Brasil.

Lembro-me também do Zimbabué e da E.
Sempre que a vejo dançar nos vídeos apetece-me gritar.
Como pode algo tão forte nunca se ter concretizado.
Nem eu entendo bem o algo tão forte que se entranha ainda.
Como aqui tudo é tão mais simples e no entanto tudo tão mais desinteressante.
Às vezes é desinteressante. Especialmente quando ficamos em casa,
por não sabermos sair de outra forma sem ser com o carro.
Por estarmos longe de tudo e longe de nós. E longe de ti.
Por não sabermos para onde vamos temos saudades.
De uma alegria que já não temos, sem sabermos o que nos espera, ali adiante.
Hoje estou assim. No limbo.
Tenho saudades das coisas não vividas.
E não sei para onde me virar.
Apetece-me gritar quando E. não me responde.
E eu não disse: "Não vás para o Zimbabué, vem para o Brasil"
Porque sim.
Hoje é o teu dia.
Por vezes não entendo este torpor. As minhas saudades não existem.
Existes tu aqui.
Pensava eu porque escrevo. Desabafo, exteriorização, repressão exteriorizada.
Zumbidos nos tímpanos esquerdos.
Esperar por ti, e tu não vires.
Não sei porque me lembro de ti nestes momentos.
Nem porque fico triste e não entendo porque não aconteceu.
E não era por me vir embora mas sim porque não.
Mas adiante.
Acho que me fazes lembrar alguém que obviamente não és tu.
Tenho sim saudades da alegria, das danças, da música que arrepia.
De dançar e fazer de cada dança única, como se vivesse uma vida inteira
em apenas 120 segundos em média.
Às vezes tenho saudaes. Às vezes.

*