14.12.13

One more time. Diz o som.
O som que se traduz em ti.
Estás nas margens desta aurora,
respiras a foz de um rio.
e sabes a melancia fresca.

A infância que percorre teus cabelos
Não dizem nada de ti
É apenas a ânsia de mar
Que chega à foz e se desfaz
Em broa e em solstício
De inverno.

Esta neve sem neve
que traz apenas cinzento
e se transforma num jumento
multicolor, multiforma, multimédia.
Meios sobre meios sobre melancias,
tragam o fundo da alma e
as lágrimas cristalizam a glória
de um buraco sem fundo,
que teimamos alcançar.



24.11.13

Um espaço vazio. Um pedaço de nada.
Quando me pedem um verso
Fico mudo. E ledo. E atraso tudo.
Não é por mal. Simplesmente não dá.
E agora? Que faço com este espaço?

Talvez um compaso. Um compasso sem tino.
Semsetid. Sem abraço.
Um enlace sem fisg. Um abraço sem braço
Uma eterniddade vazia.
Un laço sen enlace.

23.11.13

Larvas incandescentes calcorreiam o meu cabelo de cetim. (isto começa bem)
Que querem elas de mim? (não faço a mínima)
Aproximam-se baixinho e dizem para o universo das ideias:
Está na hora
de partir!
E de voar
pelo Universo fora.
Vais estar sozinho,
mas não tenhas medo,
que chegará a hora
em que encontrarás
o amor
dentro de ti.

*
Recebe-me agora neste momento de vazio.
Talvez não haja mais nada para dizer,
Apenas resta desaparecer de mansinho,
Até ser nada.

O nosso amor é quase nada,
quase transparente, deixa passar a luz lentamente.
e desfaz-se no ar.

Não resta mais nada. Apenas vazio e uma angústia
que custa a passar.
Todo o tempo é chumbo,
tudo se arrasta sem se mexer.
momento de paragem sem o saber.
O tempo deixa de existir e ficamos estáticos.
Para sempre presos no momento da partida.
As linhas do horizonte em suspenso,
O sol que brilha para sempre
E nunca mais se põe.

Aparecem crisálidas de mãos em minha face
Quadrúpedes místérios de leite condensado,
falam-me de tempos imaginários,
templos multicolores,
selvas perdidas na imensidão de um olhar
realidades quadrupedes de um chicote a estalar.

*


2.11.13

Dançámos. A tua saia rodada roda,
Preta no branco da tua pele.
Rodas e rodo também, por dentro.
Primeiro aqui, depois a ti,
Depois em mim, agora por fora.
Rodamos um no outro.

Sorris. Fazes-me sorrir por dentro,
agora que a tristeza vem,
e leva o teu sorriso para longe.

Olho-te.
És mistério e pranto nos meus olhos.
A tua essência inacessível,
O teu sorriso aconchegante,
e o silêncio que vem depois.

Danço contigo e sinto um êxtase.
Uma brincadeira de crianças no cio.
Uma alegria indizível, uma alegria.
Tão fugaz e tão autêntica,
que se torna triste, irrepetível, acabada.
Como as estátuas do antes,
um parthenon em pedaços,
fragmentos e traços,
de um outro existir.

Depois o silêncio vem,
e tudo termina. Um último sorriso.
Um adeus a dizer, a ficar,
no centro da sala,
onde tudo acontece,
e o barqueiro amanhece
e faz crepitar
os primeiros rebentos
da Primavera.

*










15.6.13

as coisas descendentes são um pouco viscosas

Rebolas na areia sem sorrir
Estás séria de morte
O teu porvir é hoje
Deixado à sua sorte.

Vais e vens, és incessante
No teu atarefar constante
Pétalas de rosas sorriem
E a vida desabrocha

És ar, vapor, movimento
Que me tragas num momento
De pura inspiração

Não tardas és lamento
Naquele breve movimento
De sair de mim em ti.

*

15.5.13

És quase parisiense. Desterrada aqui.
Metade da tua vida, cá e lá. Partida em dois, ao meio.
O teu sotaque faz-me lembrar rosas comestíveis, das vermelhas.
Contagias-me com essa alegria, essa energia, essa inocência
de viver tudo pela primeira vez, como se fosse a primeira vez.

Apertas-me contra ti, olhas para mim como se nada fosse,
como se tudo fosse uma brincadeira e fossemos crianças,
a brincar na areia.

Apertas-me contra ti e eu a ti. Estás tão perto, sinto os teus
peitos afagarem-me a alma, os teus cabelos loiros, o teu rosto
a pousar no meu ombro e eu respiro contigo dentro de mim.
Estamos tão perto. E tu riste, mas não entras em mim
como eu entro em ti. Deixas-te estar mais longe.
Onde estás. Noite embora a noite me afaga
Afaga ambos, vais embora, também vou,
mas só depois.

10.5.13

Estavas de preto. Esperavas por mim.
Um encanto, um espanto que me levou,
me tragou, devorou inteiro. Ali,
naquele momento invisível que quase parou
o tempo.

Arrastaste-me com o teu olhar para outro instante,
Cedeste as frestas e o luar caiu.
Nos teus olhos as trevas caem e o chão sorri,
e os minotauros escaldam com o amanhecer.

Não esperava por ti. Apareceste apenas
num recanto do meu olhar e disseste,
estou aqui. Aproximei-me e não te vi,
desapareceste da terra e do universo,
e fiquei eu assim. aqui. espantado,
pois pensei que não existirias mais,
foste apenas ar e movimento e febre.

Uma paixão que nunca existiu.
Que passou sem nunca permanecer, apenas
existiu sem nunca estar. apenas era
e eu nunca a vi.

Sei agora que existes, estás aqui.
Embora estejas longe e eu sei que aí permaneces.
Inalcancável, inatingível, és apenas de ar e de estrutura
de estátua que percorre os séculos.
Dei-te um beijo e nada mais, nos teus imensos cabelos.
E fiquei estátua.

*

31.3.13

Stufjan por onde andas? 

Porque me entrego a ti? Porque não falas dela? 

O meu mundo esfarela-se em cada acorde que dás. A tua voz leva-me para longe. Estou perdido. Uma vez mais, aqui. 

Para onde ir? O que levar? O que guardar? 

Acho que vou levar apenas o meu amor. Vou nu. Ninguém vê.