2.11.13

Dançámos. A tua saia rodada roda,
Preta no branco da tua pele.
Rodas e rodo também, por dentro.
Primeiro aqui, depois a ti,
Depois em mim, agora por fora.
Rodamos um no outro.

Sorris. Fazes-me sorrir por dentro,
agora que a tristeza vem,
e leva o teu sorriso para longe.

Olho-te.
És mistério e pranto nos meus olhos.
A tua essência inacessível,
O teu sorriso aconchegante,
e o silêncio que vem depois.

Danço contigo e sinto um êxtase.
Uma brincadeira de crianças no cio.
Uma alegria indizível, uma alegria.
Tão fugaz e tão autêntica,
que se torna triste, irrepetível, acabada.
Como as estátuas do antes,
um parthenon em pedaços,
fragmentos e traços,
de um outro existir.

Depois o silêncio vem,
e tudo termina. Um último sorriso.
Um adeus a dizer, a ficar,
no centro da sala,
onde tudo acontece,
e o barqueiro amanhece
e faz crepitar
os primeiros rebentos
da Primavera.

*










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