24.11.13

Um espaço vazio. Um pedaço de nada.
Quando me pedem um verso
Fico mudo. E ledo. E atraso tudo.
Não é por mal. Simplesmente não dá.
E agora? Que faço com este espaço?

Talvez um compaso. Um compasso sem tino.
Semsetid. Sem abraço.
Um enlace sem fisg. Um abraço sem braço
Uma eterniddade vazia.
Un laço sen enlace.

23.11.13

Larvas incandescentes calcorreiam o meu cabelo de cetim. (isto começa bem)
Que querem elas de mim? (não faço a mínima)
Aproximam-se baixinho e dizem para o universo das ideias:
Está na hora
de partir!
E de voar
pelo Universo fora.
Vais estar sozinho,
mas não tenhas medo,
que chegará a hora
em que encontrarás
o amor
dentro de ti.

*
Recebe-me agora neste momento de vazio.
Talvez não haja mais nada para dizer,
Apenas resta desaparecer de mansinho,
Até ser nada.

O nosso amor é quase nada,
quase transparente, deixa passar a luz lentamente.
e desfaz-se no ar.

Não resta mais nada. Apenas vazio e uma angústia
que custa a passar.
Todo o tempo é chumbo,
tudo se arrasta sem se mexer.
momento de paragem sem o saber.
O tempo deixa de existir e ficamos estáticos.
Para sempre presos no momento da partida.
As linhas do horizonte em suspenso,
O sol que brilha para sempre
E nunca mais se põe.

Aparecem crisálidas de mãos em minha face
Quadrúpedes místérios de leite condensado,
falam-me de tempos imaginários,
templos multicolores,
selvas perdidas na imensidão de um olhar
realidades quadrupedes de um chicote a estalar.

*


2.11.13

Dançámos. A tua saia rodada roda,
Preta no branco da tua pele.
Rodas e rodo também, por dentro.
Primeiro aqui, depois a ti,
Depois em mim, agora por fora.
Rodamos um no outro.

Sorris. Fazes-me sorrir por dentro,
agora que a tristeza vem,
e leva o teu sorriso para longe.

Olho-te.
És mistério e pranto nos meus olhos.
A tua essência inacessível,
O teu sorriso aconchegante,
e o silêncio que vem depois.

Danço contigo e sinto um êxtase.
Uma brincadeira de crianças no cio.
Uma alegria indizível, uma alegria.
Tão fugaz e tão autêntica,
que se torna triste, irrepetível, acabada.
Como as estátuas do antes,
um parthenon em pedaços,
fragmentos e traços,
de um outro existir.

Depois o silêncio vem,
e tudo termina. Um último sorriso.
Um adeus a dizer, a ficar,
no centro da sala,
onde tudo acontece,
e o barqueiro amanhece
e faz crepitar
os primeiros rebentos
da Primavera.

*