Eu. Hoje não é bom dia para escrever coisas direitas, apenas tortas.
Vim do curvo. Bebi demais. Estou contigo. Aqui.
Estou de partida, todos os carris partem para algum lado menos para onde quero. Onde te procuro.
Pergunto onde estás e dizem-me que não sabem. Procuro. Onde?
Hoje foi warpaint, amanhã será...
Oh wonderful one, why are you like that? dizem elas as quatro.
Não apareceste. Estavas de esguelha. É giro escrever assim.
Anémonas. Disse a alguém que tive grande paixão amorosa há uns 13 anos. Foi libertador. Até acordar pelo menos. Até me lembrar do que disse. Talvez não seja até são mau. É menos um vazio para lidar. Menos um escolho.
Vamos viajar. Que bom. Não volto para trás, nunca mais.
Adeus.
*
29.5.10
26.5.10
a tua casa
gostei. eu sei que vens aqui. fico inibido, corado.
estou triste, sabes. uma pequena lágrima escorre-me pela face. nada de mais. não é tragédia nenhuma.
apenas uma tristeza imensa de não te ter nos meus braços.
do incrível aperto no coração de não poder exprimir o que sinto por ti.
da distância que nos separa agora que vou embora, embora torne tudo mais fácil, mais simples.
eu não estou preso a ti. mas hoje, agora, és o vazio que mora aqui dentro. fazes-me falta.
foi tão bom hoje estar contigo. todos os momentos. todas as pequenas coisas. os pormenores mais insignificantes. os rasgos negros nas paredes brancas, as migalhas de pão espalhadas na toalha (os teus dedos a apanharem as migalhas), as texturas subtis de cada grão de arroz. o sabor forte a aipo na sopa. o excesso de sal que não existia, os padrões dos azulejos antigos na casa de banho.
tu gigante através dos teus óculos de anão cegueta. :)
tu normal a existir em cada momento para mim eterno, inesquecível, marcante.
tu a sorrir e eu também. a fazer palhaçadas em ponto pequeno. a desesperar nos exames. a beleza singular de cada momento, de cada expressão, de cada sorriso.
Um dia gostava de me apaixonar assim por alguém. É tudo tão forte, tudo faz sentido, tudo vale a pena. Tudo é demasiado excessivo. Canso-me. Não tenho fôlego.
----
Não consigo escrever nada de jeito porque sei que vais ler. não o consigo fazer por palavras, apesar de estar tudo aqui dentro, esta inquietação, este ardor no peito, esta angústia indefinida.
bem...life goes on. é tarde. já estás a dormir. eu também deveria estar na cama. mas falta algo. o quê?
Agora vou embora, embora o sono não vá embora e tu permaneças aqui neste cantinho. Um pouco mais. Apenas um pouco mais.
Quero-te ver feliz. Quero-te ver tão feliz que não me importo de ser triste. Ser triste é uma parvoice mas faz parte. Por agora, por enquanto, no momento. Paciência, não falta assim tanto.
Até um dia.
*
estou triste, sabes. uma pequena lágrima escorre-me pela face. nada de mais. não é tragédia nenhuma.
apenas uma tristeza imensa de não te ter nos meus braços.
do incrível aperto no coração de não poder exprimir o que sinto por ti.
da distância que nos separa agora que vou embora, embora torne tudo mais fácil, mais simples.
eu não estou preso a ti. mas hoje, agora, és o vazio que mora aqui dentro. fazes-me falta.
foi tão bom hoje estar contigo. todos os momentos. todas as pequenas coisas. os pormenores mais insignificantes. os rasgos negros nas paredes brancas, as migalhas de pão espalhadas na toalha (os teus dedos a apanharem as migalhas), as texturas subtis de cada grão de arroz. o sabor forte a aipo na sopa. o excesso de sal que não existia, os padrões dos azulejos antigos na casa de banho.
tu gigante através dos teus óculos de anão cegueta. :)
tu normal a existir em cada momento para mim eterno, inesquecível, marcante.
tu a sorrir e eu também. a fazer palhaçadas em ponto pequeno. a desesperar nos exames. a beleza singular de cada momento, de cada expressão, de cada sorriso.
Um dia gostava de me apaixonar assim por alguém. É tudo tão forte, tudo faz sentido, tudo vale a pena. Tudo é demasiado excessivo. Canso-me. Não tenho fôlego.
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Não consigo escrever nada de jeito porque sei que vais ler. não o consigo fazer por palavras, apesar de estar tudo aqui dentro, esta inquietação, este ardor no peito, esta angústia indefinida.
bem...life goes on. é tarde. já estás a dormir. eu também deveria estar na cama. mas falta algo. o quê?
Agora vou embora, embora o sono não vá embora e tu permaneças aqui neste cantinho. Um pouco mais. Apenas um pouco mais.
Quero-te ver feliz. Quero-te ver tão feliz que não me importo de ser triste. Ser triste é uma parvoice mas faz parte. Por agora, por enquanto, no momento. Paciência, não falta assim tanto.
Até um dia.
*
14.5.10
dançámos tu e eu
Dançámos. Uma dança inagualável, inesquecível, arrebatadora. Apenas nós e a coisa em forma de assim. Assim. Foi assim, sem ser assim assim, foi tudo e a entrega foi total. Um momento extraordinaŕio que recordo e sempre recordarei no meu coração.
Obrigado por aquele momento. Se morresse ali mesmo, seria feliz. Os nossos corpos juntos, o momento de partilha total, a intimidade inteira, o roçar das cabeças e dos suores. Foi tão inesquecível que nem consegui escrever nada até agora.
Dançámos outra vez. E outra. Não conseguia deixar de te convidar. As mazurcas sucediam-se e nós também.
Aqui está tempestade, chove abaixo de zero e tudo o que me lembro és tu. O vento assobia e tudo treme. Eu tremo quando penso em ti. Naquele momento fomos tudo um para o outro, um só, sem medo do fim, numa eternidade indefinida. Numa felicidade difusa, sem foco nem sentido, apenas aquele momento em que tudo se dissolve e transpira vida.
Na terça disseste, não apareceste. Não. Estava de partida para longe. E aqui estou eu no retiro, pensando em ti, naquele momento. Talvez não se repita, mas não importa. Naquele instante fui feliz.
*
Obrigado por aquele momento. Se morresse ali mesmo, seria feliz. Os nossos corpos juntos, o momento de partilha total, a intimidade inteira, o roçar das cabeças e dos suores. Foi tão inesquecível que nem consegui escrever nada até agora.
Dançámos outra vez. E outra. Não conseguia deixar de te convidar. As mazurcas sucediam-se e nós também.
Aqui está tempestade, chove abaixo de zero e tudo o que me lembro és tu. O vento assobia e tudo treme. Eu tremo quando penso em ti. Naquele momento fomos tudo um para o outro, um só, sem medo do fim, numa eternidade indefinida. Numa felicidade difusa, sem foco nem sentido, apenas aquele momento em que tudo se dissolve e transpira vida.
Na terça disseste, não apareceste. Não. Estava de partida para longe. E aqui estou eu no retiro, pensando em ti, naquele momento. Talvez não se repita, mas não importa. Naquele instante fui feliz.
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1.5.10
continuo sem aprender nada.
Por aqui ninguém aprende. Nada.
Apenas pesamos como chumbo, em nós mesmos.
Somos vários, muitos. Não sabemos onde estamos nem quem somos.
Apenas existimos e sofremos.
Não há razão dizem-nos, mas nem sabemos o que isso é, o sofrimento.
Um mau estar, um tumulto inexplicável em nós, um nó na garganta, um vazio.
Talvez lembrar o porquê seja demasiado doloroso, sabemos demasiadamente bem
porque sofremos. Mas não nos lembramos. Apenas sentimos na pele, o eriçar dos pelos,
a insignificância dos dias que virão, a insustentável tristeza do ser.
Apenas existimos por existir. Por preguiça, relutância de morrer, apatia.
Não se transforma o nada em alguma coisa. Apenas se respira, a custo.
Fala-nos de amor pediu a turba ao velho. E ele disse, não tenho nada a dizer, e foi-se embora.
Deixando marcado no chão, na memória do povo, o que restava da sua compaixão.
Há dias em que a tua falta é insuportável, os espelhos quebram, o coração pára. Há dias em que nunca te irei encontrar, não existes, és apenas o vento a pregar-me partidas de mau gosto.
Estou de partida e tudo parece perdido. Tudo o q está para trás foi uma perda de tempo, perda de ânimo, perda de alegria e de esperança. Pela frente há um vazio, roubado a cada passo de tempo que passa. As transições dão nisto. Dão diabetes, dores de barriga, vontade de foder. Uma incrível e opressora vontade de foder.
Ontem dançei contigo. Mas não tive coragem. Nunca tenho coragem. Estou fodido.
Isto hoje está bonito. Não sei se consigo ir hoje. Não tenho vontade. Estou mesmo muito triste. A tristeza derrama-se, um banho nela, mais chuveiro que imersão. Deixo apenas o tempo passar, escoar, um tempo que não tem sentido nenhum. Como é que me podes fazer perder todo o sentido. Como podes fazer reduzir a nada tudo o resto. Porque me fazes tanta falta e crias um vazio tão grande. Porque não consigo mudar as coisas ou mudar a mim próprio para as coisas mudarem. Porque já não sei o q fazer mais. Porque já não sei como não fazer mais.
As tuas pálpebras sabem a anémonas fora do prazo. Estás rígida e és feita de pedra. Não te movimentas muito, nem transpareces ardor, nem alegria. Apenas estás imóvel e intemporal. Não te estragam as sedas fúnebres, apenas permaneces. Os teus lençóis são como pedras afiadas do tempo das cavernas. Não tens flores na tua mesinha de cabeçeira, apenas restos de comida em putrefacção. A tua cisterna está vazia, dantes tinha petróleo, agora nem isso. Estás apenas pálida e dizes que estás morta. Mas eu não sei porque não respiras. O teu hálito acre dá-me vómitos. Não tentes seduzir-me porque não vais conseguir. Desiste, torna-te pedra de uma vez por todas. Quem quiser que escolha chafurdar na tua cama e afogar-se no teu sangue. Trazes-me memórias de metal, prateadas. Sinto-me doente e a minha cabeça dá-me enjoos. Estás aqui tão perto e nem te posso tocar. És apenas vísceras. Os teus filhos são abutres que se alimentam delas. Estás consciente e no entanto és pedra. E até as pedras choram, por vezes. Trazem-te memórias de outros tempos, em que vivias debaixo da terra. A tua memória é terra. Antes que a terra te traga até mim diz, o amor não existe.
*
Apenas pesamos como chumbo, em nós mesmos.
Somos vários, muitos. Não sabemos onde estamos nem quem somos.
Apenas existimos e sofremos.
Não há razão dizem-nos, mas nem sabemos o que isso é, o sofrimento.
Um mau estar, um tumulto inexplicável em nós, um nó na garganta, um vazio.
Talvez lembrar o porquê seja demasiado doloroso, sabemos demasiadamente bem
porque sofremos. Mas não nos lembramos. Apenas sentimos na pele, o eriçar dos pelos,
a insignificância dos dias que virão, a insustentável tristeza do ser.
Apenas existimos por existir. Por preguiça, relutância de morrer, apatia.
Não se transforma o nada em alguma coisa. Apenas se respira, a custo.
Fala-nos de amor pediu a turba ao velho. E ele disse, não tenho nada a dizer, e foi-se embora.
Deixando marcado no chão, na memória do povo, o que restava da sua compaixão.
Há dias em que a tua falta é insuportável, os espelhos quebram, o coração pára. Há dias em que nunca te irei encontrar, não existes, és apenas o vento a pregar-me partidas de mau gosto.
Estou de partida e tudo parece perdido. Tudo o q está para trás foi uma perda de tempo, perda de ânimo, perda de alegria e de esperança. Pela frente há um vazio, roubado a cada passo de tempo que passa. As transições dão nisto. Dão diabetes, dores de barriga, vontade de foder. Uma incrível e opressora vontade de foder.
Ontem dançei contigo. Mas não tive coragem. Nunca tenho coragem. Estou fodido.
Isto hoje está bonito. Não sei se consigo ir hoje. Não tenho vontade. Estou mesmo muito triste. A tristeza derrama-se, um banho nela, mais chuveiro que imersão. Deixo apenas o tempo passar, escoar, um tempo que não tem sentido nenhum. Como é que me podes fazer perder todo o sentido. Como podes fazer reduzir a nada tudo o resto. Porque me fazes tanta falta e crias um vazio tão grande. Porque não consigo mudar as coisas ou mudar a mim próprio para as coisas mudarem. Porque já não sei o q fazer mais. Porque já não sei como não fazer mais.
As tuas pálpebras sabem a anémonas fora do prazo. Estás rígida e és feita de pedra. Não te movimentas muito, nem transpareces ardor, nem alegria. Apenas estás imóvel e intemporal. Não te estragam as sedas fúnebres, apenas permaneces. Os teus lençóis são como pedras afiadas do tempo das cavernas. Não tens flores na tua mesinha de cabeçeira, apenas restos de comida em putrefacção. A tua cisterna está vazia, dantes tinha petróleo, agora nem isso. Estás apenas pálida e dizes que estás morta. Mas eu não sei porque não respiras. O teu hálito acre dá-me vómitos. Não tentes seduzir-me porque não vais conseguir. Desiste, torna-te pedra de uma vez por todas. Quem quiser que escolha chafurdar na tua cama e afogar-se no teu sangue. Trazes-me memórias de metal, prateadas. Sinto-me doente e a minha cabeça dá-me enjoos. Estás aqui tão perto e nem te posso tocar. És apenas vísceras. Os teus filhos são abutres que se alimentam delas. Estás consciente e no entanto és pedra. E até as pedras choram, por vezes. Trazem-te memórias de outros tempos, em que vivias debaixo da terra. A tua memória é terra. Antes que a terra te traga até mim diz, o amor não existe.
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