26.5.10

a tua casa

gostei. eu sei que vens aqui. fico inibido, corado.

estou triste, sabes. uma pequena lágrima escorre-me pela face. nada de mais. não é tragédia nenhuma.

apenas uma tristeza imensa de não te ter nos meus braços.

do incrível aperto no coração de não poder exprimir o que sinto por ti.

da distância que nos separa agora que vou embora, embora torne tudo mais fácil, mais simples.

eu não estou preso a ti. mas hoje, agora, és o vazio que mora aqui dentro. fazes-me falta.

foi tão bom hoje estar contigo. todos os momentos. todas as pequenas coisas. os pormenores mais insignificantes. os rasgos negros nas paredes brancas, as migalhas de pão espalhadas na toalha (os teus dedos a apanharem as migalhas), as texturas subtis de cada grão de arroz. o sabor forte a aipo na sopa. o excesso de sal que não existia, os padrões dos azulejos antigos na casa de banho.

tu gigante através dos teus óculos de anão cegueta. :)

tu normal a existir em cada momento para mim eterno, inesquecível, marcante.

tu a sorrir e eu também. a fazer palhaçadas em ponto pequeno. a desesperar nos exames. a beleza singular de cada momento, de cada expressão, de cada sorriso.

Um dia gostava de me apaixonar assim por alguém. É tudo tão forte, tudo faz sentido, tudo vale a pena. Tudo é demasiado excessivo. Canso-me. Não tenho fôlego.


----


Não consigo escrever nada de jeito porque sei que vais ler. não o consigo fazer por palavras, apesar de estar tudo aqui dentro, esta inquietação, este ardor no peito, esta angústia indefinida.

bem...life goes on. é tarde. já estás a dormir. eu também deveria estar na cama. mas falta algo. o quê?

Agora vou embora, embora o sono não vá embora e tu permaneças aqui neste cantinho. Um pouco mais. Apenas um pouco mais.

Quero-te ver feliz. Quero-te ver tão feliz que não me importo de ser triste. Ser triste é uma parvoice mas faz parte. Por agora, por enquanto, no momento. Paciência, não falta assim tanto.

Até um dia.

*

Sem comentários: