És quase parisiense. Desterrada aqui.
Metade da tua vida, cá e lá. Partida em dois, ao meio.
O teu sotaque faz-me lembrar rosas comestíveis, das vermelhas.
Contagias-me com essa alegria, essa energia, essa inocência
de viver tudo pela primeira vez, como se fosse a primeira vez.
Apertas-me contra ti, olhas para mim como se nada fosse,
como se tudo fosse uma brincadeira e fossemos crianças,
a brincar na areia.
Apertas-me contra ti e eu a ti. Estás tão perto, sinto os teus
peitos afagarem-me a alma, os teus cabelos loiros, o teu rosto
a pousar no meu ombro e eu respiro contigo dentro de mim.
Estamos tão perto. E tu riste, mas não entras em mim
como eu entro em ti. Deixas-te estar mais longe.
Onde estás. Noite embora a noite me afaga
Afaga ambos, vais embora, também vou,
mas só depois.
15.5.13
10.5.13
Estavas de preto. Esperavas por mim.
Um encanto, um espanto que me levou,
me tragou, devorou inteiro. Ali,
naquele momento invisível que quase parou
o tempo.
Arrastaste-me com o teu olhar para outro instante,
Cedeste as frestas e o luar caiu.
Nos teus olhos as trevas caem e o chão sorri,
e os minotauros escaldam com o amanhecer.
Não esperava por ti. Apareceste apenas
num recanto do meu olhar e disseste,
estou aqui. Aproximei-me e não te vi,
desapareceste da terra e do universo,
e fiquei eu assim. aqui. espantado,
pois pensei que não existirias mais,
foste apenas ar e movimento e febre.
Uma paixão que nunca existiu.
Que passou sem nunca permanecer, apenas
existiu sem nunca estar. apenas era
e eu nunca a vi.
Sei agora que existes, estás aqui.
Embora estejas longe e eu sei que aí permaneces.
Inalcancável, inatingível, és apenas de ar e de estrutura
de estátua que percorre os séculos.
Dei-te um beijo e nada mais, nos teus imensos cabelos.
E fiquei estátua.
*
Um encanto, um espanto que me levou,
me tragou, devorou inteiro. Ali,
naquele momento invisível que quase parou
o tempo.
Arrastaste-me com o teu olhar para outro instante,
Cedeste as frestas e o luar caiu.
Nos teus olhos as trevas caem e o chão sorri,
e os minotauros escaldam com o amanhecer.
Não esperava por ti. Apareceste apenas
num recanto do meu olhar e disseste,
estou aqui. Aproximei-me e não te vi,
desapareceste da terra e do universo,
e fiquei eu assim. aqui. espantado,
pois pensei que não existirias mais,
foste apenas ar e movimento e febre.
Uma paixão que nunca existiu.
Que passou sem nunca permanecer, apenas
existiu sem nunca estar. apenas era
e eu nunca a vi.
Sei agora que existes, estás aqui.
Embora estejas longe e eu sei que aí permaneces.
Inalcancável, inatingível, és apenas de ar e de estrutura
de estátua que percorre os séculos.
Dei-te um beijo e nada mais, nos teus imensos cabelos.
E fiquei estátua.
*
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