Não nos reflectimos nas águas, pois são outros os reflexos, os tempos, as vontades.
Um pouco mais abaixo o rio muda, fica incerto, inconstante, tempestuoso.
Depois separa-se, e transforma-se em dois quando antes era apenas um.
No entanto ele, o rio, continua a fluir e continua a ser ele próprio só que não sabe que o é.
Pensa que é dois. Pensa que está separado. Pensa que se afastou do que era.
Pressente então que algo está errado e procura o erro.
Procura por todo o lado, em riachos, infiltrações na terra, evaporações para o céu.
Expande-se e procura por todo o mundo, todo o céu, todo o universo.
E um dia finalmente entende e olha para dentro.
E encontra o que procurava.
Mais abaixo o rio volta a ser um só. Como sempre foi.
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