11.12.11

o rio

Estamos à beira de um rio. Está escuro. Vemos as estrelas que brilham no alto do céu.
Não nos reflectimos nas águas, pois são outros os reflexos, os tempos, as vontades.
Um pouco mais abaixo o rio muda, fica incerto, inconstante, tempestuoso.
Depois separa-se, e transforma-se em dois quando antes era apenas um.
No entanto ele, o rio, continua a fluir e continua a ser ele próprio só que não sabe que o é.
Pensa que é dois. Pensa que está separado. Pensa que se afastou do que era.
Pressente então que algo está errado e procura o erro.
Procura por todo o lado, em riachos, infiltrações na terra, evaporações para o céu.
Expande-se e procura por todo o mundo, todo o céu, todo o universo.
E um dia finalmente entende e olha para dentro.
E encontra o que procurava.
Mais abaixo o rio volta a ser um só. Como sempre foi.

*