11.12.11

o rio

Estamos à beira de um rio. Está escuro. Vemos as estrelas que brilham no alto do céu.
Não nos reflectimos nas águas, pois são outros os reflexos, os tempos, as vontades.
Um pouco mais abaixo o rio muda, fica incerto, inconstante, tempestuoso.
Depois separa-se, e transforma-se em dois quando antes era apenas um.
No entanto ele, o rio, continua a fluir e continua a ser ele próprio só que não sabe que o é.
Pensa que é dois. Pensa que está separado. Pensa que se afastou do que era.
Pressente então que algo está errado e procura o erro.
Procura por todo o lado, em riachos, infiltrações na terra, evaporações para o céu.
Expande-se e procura por todo o mundo, todo o céu, todo o universo.
E um dia finalmente entende e olha para dentro.
E encontra o que procurava.
Mais abaixo o rio volta a ser um só. Como sempre foi.

*

3 comentários:

Anónimo disse...

O rio continua a fluir e só quem é cego não vê. A ilusão de ótica, formada pela simples ilusão da vida, existe. Existe, mas se olhar para dentro, verá o rio vermelho do coração a fluir, a mover quente grandes ondas encarnadas. Bobo é quem quer partir e deixa ir embora o grande rio, o verdadeiro o rio. O rio amor...

v. disse...

rios há muitos e amores também. quando os rios não fluem do mesmo jeito separam-se...para se encontrarem mais tarde quem sabe ;)

Anónimo disse...

Cada rio tem um "que" de especial. E há rios que não há como subi-los novamente: um vez atravessados, jamais serão outra vez. São rios e, agora, sem riso. Transformam-se ou... desaguam no mar.