Não nos reflectimos nas águas, pois são outros os reflexos, os tempos, as vontades.
Um pouco mais abaixo o rio muda, fica incerto, inconstante, tempestuoso.
Depois separa-se, e transforma-se em dois quando antes era apenas um.
No entanto ele, o rio, continua a fluir e continua a ser ele próprio só que não sabe que o é.
Pensa que é dois. Pensa que está separado. Pensa que se afastou do que era.
Pressente então que algo está errado e procura o erro.
Procura por todo o lado, em riachos, infiltrações na terra, evaporações para o céu.
Expande-se e procura por todo o mundo, todo o céu, todo o universo.
E um dia finalmente entende e olha para dentro.
E encontra o que procurava.
Mais abaixo o rio volta a ser um só. Como sempre foi.
*
3 comentários:
O rio continua a fluir e só quem é cego não vê. A ilusão de ótica, formada pela simples ilusão da vida, existe. Existe, mas se olhar para dentro, verá o rio vermelho do coração a fluir, a mover quente grandes ondas encarnadas. Bobo é quem quer partir e deixa ir embora o grande rio, o verdadeiro o rio. O rio amor...
rios há muitos e amores também. quando os rios não fluem do mesmo jeito separam-se...para se encontrarem mais tarde quem sabe ;)
Cada rio tem um "que" de especial. E há rios que não há como subi-los novamente: um vez atravessados, jamais serão outra vez. São rios e, agora, sem riso. Transformam-se ou... desaguam no mar.
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