23.8.08

a carta que não chega

Espero pela tua carta que não chega.
Antecipo os cheiros e o toque das palavras
e talvez algo mais...
Desço as escadas, abro o correio
E nada.

Nem uma ausência perfumada
contagia o ar que rodeia a carta
que não existe.

Espero, continuo a esperar.
Imagino desfechos inéditos
para as minhas cartas.
Para as tuas.

E o nada continua a ser nada.
Não se transforma mais
no que não é.

*

O amante

http://www.myspace.com/groupeestrad

J'ai fait une maîtresse - Estrad

J'ai fait une maîtresse
Trois jours y'a pas longtemps
Mais c'est quand je vais la voir
Qu'elle m'y invite à boire
Du meilleur de son vin
À ta santé, catin

À ta santé Lisette
À ta santé je bois
Si tu n'étais pas si jeunette
Je te parl'rais d'amourette
Attends encore un an
Je serai ton amant

Le bonhomme qu'est aux écoutes
Entend ce discours là
Ma fille en mariage
Elle a reçu tous les gages
D'un autre amant que vous
Galant, retirez-vous

S'il faut que je m'retire
Je me retirerai
Dans un couvent d'ermites
Pour l'amour d'une jolie fille
J'irai finir mes jours
Adieu donc, mes amours!

L’auteur de cette chanson
C'est un p'tit cordonnier
Assis dessus sa selle
En cousant sa semelle
Réparant son talon
Excusez la chanson

*

19.8.08

segunda

Estás em viagem. Continuo aqui.

Palestras de ouro. Ansiedades várias.

Ainda não chorei, um luto sem choro não serve.

Espero que sirva. Não interessa.

Tu interessas. Eu, tu, nós. Assim.

Pele insosa. Preciso de sal, de sol. Do teu.

O mar. Ecos de ti.

Tenho saudades de o percorrer. Navegar no desconhecido.

Conhecer novas paragens. Em cada pequeno gesto, em cada som quase imperceptível, no amanhecer dos teus olhos, o mar.

*

17.8.08

Nantes @ Paris




Well it's been a long time, long time now
since I've seen you smile
and I'll gamble away my fright
and I'll gamble away my time
and in a year, a year or so
this will slip into the sea
well it's been a long time, long time now
since I've seen you smile

nobody raise their voices
just another night to mourn to
nobody raise their voices
just another night to mourn to


Nantes - Beirut

amanhã é domingo

mas não é domingo no mundo
é apenas uma desculpa para uma despedida adiada.

tantos dias cá e eu à espera.

embora saiba que eram só mais uns dias,

sinto-me oprimido, mesmo assim.

não te sei explicar. só queria estar contigo mais um dia.

um abraço que tarde em partir, um momento mais de infinito.

custa a passar, os fátuos, evanescentes de memórias de ti.

Sento-me na areia e vejo-te passar, fechando os olhos, saltas pelos rochedos e vens até mim.

E uma tristeza invade-me quando não te vejo de joelhos na areia, os teus olhos.

O teu si, o teu braço que prende a minha mão, o teu portuguÊs em francês.

O teu tudo teu.

Viro-me para o outro lado e choro. Ou assim o faria se o conseguisse. Está demasiado salgado este mar para choradeiras. Tenho de beber mais água, com tanta correria fico desidratado de ti.

Contradições, eu sei. afinal sei porque corro e desidrato. Preciso de respirar enfim, antes do sufoco.

Está frio aqui. Porque não me vens visitar? Encontramo-nos a meio do caminho?

No meio do nada. As ervas crescidas. Sem música desta vez. O silêncio barulhento dos bichos da natureza. as estrelas. cadentes.

o teu riso. tu.

*

16.8.08

saudades. muitas.

Espero que passem. Corro e corro. E ela liberta-se, mas volta. Como um boomerang mal recebido. mal arremessado?

Às vezes sinto q devia ter feito as coisas de outra forma. Afinal tinhamos mais uns dias. É difícil assim. Tenho mesmo muitas saudades tuas. Se não fosse embora....grrr...

e cada um vai embora para o seu extremo...mas ainda é cedo. demasiado cedo.

espero que do outro lado seja mesmo mais bonito. não. tenho a certeza que é. pelo menos tenho essa esperança.

desabafo. suspiro às pedras, à areia, ao mar calmo que puxa por mim. hoje exagerei, o mar soube bem, faltavas tu. respiro fundo e fecho os olhos.

...e é apenas mais uma onda a beijar-me o corpo.

na segunda resigno-me. por agora suspiro.

queria-te tanto ver, tocar, sentir o teu calor dentro do meu, fazer-te vir baixinho como dantes, dormirmos juntos. acordarmos juntos. vivermos juntos, nem que fosse por mais uns dias. por mais umas horas. por mais uns momentos.

hoje fui correr demais e fiquei alto. tão alto. tão solto. mas depressa tudo regressa. regressam os suspiros, as saudades, o não-tu. o que não está aqui a ocupar um espaço oco ao meu lado e a fazer-me peso.

está na altura de me despedir de ti verdadeiramente. definitivamente. não adianta estar a adiar esta agonia. dizemos adeus e pronto, não pensamos mais nisso. é difícil.

amanhã vou correr se as pernas deixarem. faltam os alongamentos. talvez o mergulho tenha sido suficiente. a água estava viscosa ou estarei eu?

estavamos cansados. só tenho pena de não ter ficado mais uns dias. tiveste medo?

tenho milhões de coisas para dizer e sai tudo torto. encravado. estropiado. a tua tela rompeu-se um pouco. nada que não se repare, dá trabalho. não há-de ser nada.

estou cansado. no físico. doeu-me o peito hoje, um pouco. são as saudades a sair.

*

12.8.08

pour S.

Surgiste inesperadamente de dentro da noite.

A princípio confundi-te com alguém conhecido, depois atrapalhado afastei-me.

Mas tu não.

Ao despedires-te ias-me beijando. Não percebi. Logo.

Na noite seguinte abracei-te e prendeste-me a mão. De mansinho. Tive dúvidas.

Pouco depois deixou de as haver. Apenas te vi no meu regaço, por entre as árvores e as ervas frescas crescidas, ao longe luar e música e dançarinos de pés descalços.

E nós sem tempo nem espaço nem absolutamente nada. Ali apenas. Nós.

Assim te conheci numa noite de andanças várias.

Tudo tão simples que julgava impossível assim ser. Ou acontecer.

E agora, mesmo agora, ainda tenho saudades de te conhecer.

Ficaremos por aqui...?

*

30.7.08

para ti



*

até domingo ;)

v.

14.7.08

Jour de Pluie

Tenho saudades tuas.

Ouço o Jour de Pluie cantado. encanta-me.

Estou cansado. Vou dormir.

Chega de vinho e de saudades.

gostava...mas não.

*

11.7.08

ilhós-de-nuvem

"A laranja de madura caiu ao poço da neve..."

;)

*

o teu corpo

Estas cansada. Muito.

Os braços doem-te. Parecem camarões prontos a comer. Emanam fogo e cansaço.

O pescoço menos mal, a coluna espera uma massagem que tarda.

Os pés. Passadeiras rolantes. Barriga. Cansaço.

Chuva. Os violinos de Ravel. Alto. Mistura improvável de odores e sabores.

Tu.

Tu outra vez.

Cansaço. O meu agora. Descanso.

Nos teus braços, regaços.

De outros tempos. Vindouros.

Da colheita da cevada, os campos ondulam de ouro.

Tu outra vez. Do outro lado.

*

praia de noite com chuva

Choveu. Muito.

Fugimos.

Sem ti.

Recolhemo-nos no mar alto, outros nas ombreiras das portas. As dunas não servem quando chove assim.

Ao menos não passamos sede. Já não conseguimos mais beber água salobra. Navegar também chateia.

Não dançámos hoje.

E não faltaram pescadores. Nem sereias. Ali estão eles a ver o isco. E a atirar as canas para dentro da barriga azul que se estende para lá do olhar. Sereias, só no areal, no mar nem as ver. Nem pescar.

Só quem entra pelo mar dentro sem olhar para trás.

Aconchego-me a ti, sem dizer nada. Não dizes nada também. Estamos bem assim.

*

8.7.08

Your blueberry night



Ainda não fui...terei medo? Esperei tantos meses por este filme, este.

Vamos? ;)

*

your non-song

que está aí , mesmo ao lado do *

(...)
and, Emily - I saw you last night by the river
I dreamed you were skipping little stones across the surface of the water
frowning at the angle where they were lost, and slipped under forever,
in a mud-cloud, mica-spangled, like the sky'd been breathing on a mirror

anyhow - I sat by your side, by the water
you taught me the names of the stars overhead that I wrote down in my ledger
tho all I knew of the rote universe were those pleiades loosed in december
I promised you I'd set them to verse so I'd always remember

that the meteorite is a source of the light
and the meteor's just what we see
and the meteoroid is a stone that's devoid of the fire that propelled it to thee

and the meteorite's just what causes the light
and the meteor's how it's perceived
and the meteoroid's a bone thrown from the void that lies quiet in offering to thee
(...)
Joanna Newsom - Emily

espero...

mas afinal esperas por quê?

Andor!!

6.7.08

Preciso de estar contigo...

Nem que seja por 300 segundos...

Correu bem o concerto?

*

5.7.08

lá no fundo

A única coisa que poderei ter agora para ti é o choro compulsivo avulso do desenlace.

*

depois não sei. estou enjoado.

4.7.08

O elevador que descia trazia o que tinha para ti

E foi nesse momento que perdi o momento.

Mais momentos virão. Estás longe. Queria-te perto. Aqui e agora. Já.

Quando não é já esperamos anos. Eternidades. Entretanto a vida passa

Ela vive-se aqui e agora. Não é amanha ou daqui a pouco....

Vou-te buscar e levo-te. Mas ainda não fiquei contigo assim.

A Amélie disse-te tudo.

É uma fantasia minha ver esse filme com alguém de quem gosto muito e essa concretizou-se, foste tu que o sugeriste aliás, só aproveitei a deixa.

Depois ficas indiferente...

Estarei a ficar louco?

São muitos dias sozinho. Tenho a defesa daqui a pouco. O tempo voa.

E é sempre o amanhã que nunca vem.

Porque nos apaixonamos por pessoas q nos são indiferentes?

E vemos o amor dos outros...e perguntamos como foi possível?

É aquilo que queremos e não atingimos.

Parece tudo falso o que sentimos, por não ser correspondido.

Duvidamos da sua existência para nós. Não entendemos.

E é da falsidade que temos medo. Não da rejeição.

Porque se aquilo que sentimos é falso, a vida é falsa e assim, que nos resta afinal?

**

Fazes-me falta

O dia correu melhor que tudo o que poderia esperar.

Diria até que foi perfeito.

Só não aconteceu...porquê?

Porque não queres, porque não desejas?

Está tudo dito sem ter sido dito.

Fiz-te a massagem que sonhei no dia antes. Fiz tudo. Todos os pormenores.

A única coisa diferente foi estarmos em grupo.

Até vimos o filme e tudo. E está lá tudo tanto. Mas ficaste do outro lado da sala.

Como se tivesses medo do desconhecido.

Não entendo este amor.

Que é sempre tão intenso para mim e nada significa para ti.

Eu não posso fazer tudo sozinho..

Dou-te a mão sozinho, massajo o teu corpo de alto a baixo sozinho, danço contigo sozinho...

Admito, não tive coragem suficiente para te beijar mas...não sei. Também me custa.

Fico confuso. Dá-me um sinal por mais pequeno que seja. Diz-me nos sonhos, seja. Mas não me deixes parado aqui sem sim nem não.

Parece-me tudo repetido do antes, não quero repetir.

Apenas quero estar contigo, quando estou basta estar. Quero mais mas estou bem assim. Depois, no entanto, tenho de ir, e queria ficar, e tenho de ir e queria ficar um pouco mais.

Queria as dunas, a cor do limão, o coração da alcachofra, o beijo atrás do pescoço, a massagem à cabeça, um abraço apaixonado.

Falta paixão. Dois beijos na cara apressados. Apressam a tristeza que vem.

Não sei o que fazer.

Não quiseste vir jantar hoje. Não sei partir para outra sem antes saber.

Quero saber.

Suspiro. Uivo com os pulmões vazios. Canso-me e não descanso.

Fazes-me falta. Tanta. Tanto.

*

3.7.08

o teu corpo

Percorro o teu corpo com os meus dedos.

Acaricio a tua pele e fico eléctrico.

Aperto aqui e ali. dói.

Beijo-te o pescoço. Atrás.

Espero a eternidade do momento em que te viras.

E olhas para dentro de mim.

E tudo pára. Para sempre.

*

2.7.08

Roxo

O roxo invade este plano.

Será que o juri ficou alcoolizado?

Parabéns! :)

(espero)

*

1.7.08

emily

Não gostas que te chamem emily. É nome feio.

Invoca passagens desnecessárias, ininterruptas.

Preferes o anterior ou o aglutinado que vem depois.

Sinto que te afastas. A paciência é uma virtude muito estranha.

Só funciona para os momentos em que não a há.

E chovem impropérios contra a criação de manhã cedo,

quando tudo esta mais calmo e eu mais inquieto.

Evocações também as tenho, por vezes, no silêncio escuro do meu quarto.

Mas logo se desvanecem quando sinto a carícia do teu sorriso

A afagar-me as mágoas, a extinguir a solidão.

Esperança

Cansa esperar.

Quinta são dias. Não são horas nem momentos.

Ofegante estou por vezes aqui, outras onde?

Talvez dentro de ti, aqui.

Sinto a desvanescência do momento. Cansa-me esperar.

E não és longe no entanto.

Apenas estás aqui e eu estou só.

A tua sombra persiste sem a substância que te preenche.

*

24.6.08

O teu hop é maior que o meu...



...achas bem????

A noite passada...

Na ressaca de mais um baile descobri esta canção belissima que me passou completamente ao lado...até agora.

Ainda partilhei contigo e tu ainda disseste que gostavas muito de SG...e sorriste e apenas ouviste. E o momento que as imagens encerravam passou...e as coincidências que eu vi e tu não quiseste ver também passaram. Amanhã já é tarde demais. Os momentos são frágeis. Adeus.

E tudo tem tanto significado. As imagens, as letras....tudo. Enfim...

Fica a beleza desencantada mas cheia de esperança d'A noite Passada' de Sérgio Godinho.

E não fica a música indiana dos limões porque não deu para gravar.



Está um bocado dentro de mais isto. Será que vou sonhar assim?

9.6.08

contratempos

Hoje serrei ossos. Os meus. Assim.

Estou cansado.

Qual é o teu nome?

Não me apetece dançar. Estou farto. Estou longe. Estou só.

Tenho saudades.

De quê?

Não sei. De ti?

Talvez.

Adeus.

A despedida está para breve. Desejem-me sorte. Vou precisar de alguma.

Enquanto não acontece, escrevo para me acalmar. Ando nervoso. Fico assim quando tudo está prestes a terminar.

É triste a vida assim. A tristeza é um eufemismo, um socialmente correcto, uma forma de repressão. auto repressão. É um preto e branco insuportavelmente apático.

Respiro o vazio dos dias que virão. E não sinto nada. Apenas ouço o vento que escorre nas colinas cinzentas da melancolia. É triste a vida. Assim. Podia ser tanto mais. mas...

Onde estamos afinal? Nem a mim me reconheço nesta confusão quanto mais. Não sei quem sou. Apenas uma sombra ecoa um passado que não conheço.

É difícil ir assim embora. Assusta-me deixar tudo para trás. Não posso ficar, no entanto. Espera-me o vazio. E a ela não posso dizer que não. Apenas deixa-me afogar nele. E ver o que acontece.

Estou cansado.

Tenho saudades tuas? Quem és o como te chamas? Porque não existes?

Que tristeza.

Adeus

*

22.5.08

zeny_m

Espero pelo teu sorriso que não vem.

Apenas vejo uma parte das coisas que não são.

Os teus olhos fazem-me lembrar coisas incertas, familiares.

Sinto impaciência. Não sei o que fazer. Tenho mais que fazer.

Quero estar contigo e não posso e não sei se posso daqui a pouco.

Detesto esperar por aquilo que não vem. Que não acontece.

Ou não será assim?

Talvez esteja enganado, assim espero!

Espero que esperes por mim, que nem eu sei se espero por mim.

Lembro-me de ti. Mas onde, quando, quem?

*

21.5.08

ela é longe.

E eu não.

A tristeza ensombra-me os sonhos. Fica tudo escuro.

Estás tão ocupada e eu também.

Mas...é como se não tivesse. E tu também.

O sono vem e tu também. Por vezes.

Quando tentamos espremer por vezes sai sangue, onde antes não saia nada.

Talvez seja apenas uma ligadura demasiado apertada, um abcesso mal posto. uma veia demasiado cansada.

Ver o mar deitar-se no anoitecer parece-me bem, seja deste lado do oceano ou do outro.

Mas, não sei. Quando é fácil não o é para mim. Apenas caio e pronto. Ou deixo-me estar. Ou faço por não acontecer.

C'est la vie...

Vamos ver como tudo corre.....................

*

19.5.08

Mr. Wong is Waiting...



Será que ela conseguiu entrar na sala escura?

Esperamos ansiosamente para ver se a acidez corroeu tudo....irá sobrar alguma coisa?

--

Agora que encontrei alguém com quem gostava de ir. Vou acabar por ir sozinho.

Ou talvez não, mas primeiro terei de percorrer 1252 kilómetros.

És longe, tu!

Mas nessa altura já cá estás, portanto. Vamos ver quem é longe então.

Agora não vou. Como poderia?

Chateia-me esperar.

As minhas blueberry nights estão muito à base de bolachas de água e sal. Ou crackers mastigadoras de ansiedade.

Porque foi assim tão de repente? Porque te quero tanto ver, sentir, cheirar, tocar?

Nem te conheço. Quem és afinal?

***

-----------------------------

Logo que saia deste buraco vou pagar uma limonada a uma certa pessoa...se ela regressar da sala escura! :)

Have a nice blueberry night ;)

22.3.08

Baile familiar @ Maia

Hoje, baile familiar em cima da hora nas terras maias. Quem quiser ir que me contacte imediatamente!!! Por aqui ou por 'ali'.

*

21.3.08

caves contagiárticas

Não te conhecia, dançámos.
Quando puseste as mãos no peito fiquei intrigado. As duas.
Não é todos os dias que é tão recompensador partilhar tudo.
Obrigado.
Dançaremos mais vezes. Talvez para a semana, apesar de lisboa ser tão perto.
E tu ficares tão longe. Aparece quinta. De noite e depois também ;)
E assim apareceste. Não quinta, mas terça que já passou. A quinta há-de vir.
No mercado não te esperava eu encontrar. És de aveiro. Eu não sou do porto.
E tudo isto porque não estou contigo hoje.
A páscoa devia ser proibida!

(...)
Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia
(...)
Zeca Afonso

*

...dis moi laquelle est la plus belle, c'est pour offrir à mon amour... :)



...e faltam só 8 dias para o Fest-i-Ball...

E vêem os naragonia...com a música mais bonita do mundo...e tu não vais lá estar... :\

Não é a mesma coisa....esperemos que seja muito melhor!! ;)

Dans le jardin je suis allé...pour aller voir le beau rosier...*sigh*

6.3.08

as frases tortas com que me golpeias são flores mortas

Encontrei-te uma vez mais no dia ontem
E pensei que fosse a nossa vez. Mas não.
Tudo muda tão depressa. Já não és tu.
Nem o antes. Agora já é o depois, agora.

Aifos aproxima-se. De mansinho.
Não sei o que fazer, pois a pele estala.
E não é contigo mas com o antes.
Não posso dizer que não sei quem és
Porque sei, porque sim. Porque nada
é como dantes.

O belo príncipe raptou a princesa magrebina
E nunca mais apareceram. Serão felizes?
Certamente, nas distantes terras Maias.
Que os seus bisavós plantaram para eles.
Quem ficou a arder foi o mercado e os escraveiros.
E não só.

Toda a colheita é incerta e ilusória,
Quando os tempos que a criam não existem
Apenas se dão a conhecer numa verdade em riste,
Que provavelmente nem existe, apenas é reflexo
de uma outra providência alada, que não é mais que
pó e ouro e nada, numa manhã de nevoeiro.

Espero. Por vezes desespero, ainda um pouco.
Não há apenas rosas e espinhos mas rosmaninho
Também. E saias rodadas. E alambiques de ouro.

Não sei por onde vou nem o que vejo.
São alfazemas floridas. Sim. Cheiram e sabem
à sua imagem. Apenas a dor não é sua. Perduram,
num tempo e num espaço que não é delas. Sozinhas.

Aifos. Deves achar-me simpático. Eu não acho nem
Penso nem sinto nada. Sou marfim em pedra.
São apenas ilusões umas a seguir às outras.
Será mais uma, menos uma? Zero.
---

Porque dói tanto?
Abrir o coração não é romântico, é suicídio. Auto mutilação a 45 rpm.
E quando sentimos o machado no momento só nosso de uma imensa alegria,
Tudo se transforma em tristeza. Aquela tristeza bela.
Que não queremos nem desejamos.
É bela, ela, no entanto. Demasiado.
And we keep doing it. Forever.

*
Até Aifos está ocupada. O que dizer dos deuses do olimpo?
Têem-na toda. Aborrecem-se de morte.
E divertem-se à nossa custa.

*

2.3.08

os meninos do circo

Ou do carnivale.


A Challenge To The Dark

shot in the eye
shot in the brain
shot in the ass
shot like a flower in the dance

Charles Bukowski

---

Vemo-nos amanhã. Ao menino que a menina já foi. Curiosos estes 'encontros' aleatórios. Mais virá em breve.

*

1.3.08

Hoje há baile!!! :)

Mas primeiro temos concerto dos Pilgrims...no MN.

Depois a Eva, André e... vão tocar para nós bailarmos :) Até de manhã? Provavelmente :)

Cores de todos os continentes, países, lugarejos e aldeolas mais 
remotas! 

O momento chegou! Hoje é o dia!  Verei o vosso colorido penetrar no mais negro dos espaços?

Aqui vos esperamos... ;) Para mais um momento único de infinitos 
matizes, luz e cor.

*

Delírios Psicadélicos

2006?

Tu és o licor transbordante que transforma as formas em percipício doce
O rosto de um navegante ao longe a procurar as nuvens em forma de terra sólida
Um ouriço carregado de espinhos de outrora passados remotos em forma de flores carregadas de seiva
A troupe das folhas semeavam láudanos silvestres no amanhecer da aurora.
Apenas um só dizimava tudo o que restava na planície das anémonas verde cinza

29.2.08

O teu nome

Só agora reparei o que o teu nome diz em francês.
Que bonito. Tenho pena de não ter comigo aqui o livro.
Fica o poema.

risk 
Anaïs Nin

And then the day came,
when the risk
to remain tight
in a bud
was more painful
than the risk
it took
to Blossom.

Não adiantava arriscar. Mas isso não retirava a enorme vontade de o fazer. E arrisquei. De mansinho, mas arrisquei. E encontrei-me uma vez mais no vazio. A precisar de ver a realidade para a aceitar. Assim será.

*

Acordai

Ontem acordei com o acordai.

E comecei também a cantar com os ecos de um coro que não ouvia.

E assim acordei. :)




Pouco mais tarde, ecoou este. É mais de dia, muito.

*

O mercado negro de Marraquexe

Soube no dia antes que o homem ia em missão
No mercado negro de Marraquexe ia comprar a sua noiva.
Não com o intuito de a comprar, mas apenas raptar
Dos seus captores belos esguios homens senhores
Com a pele queimada pelo sol africano
Belos magrebinos de sabor de menta.

A comoção da perda e do fim
Inflamou-se em lava e nunca mais se extinguiu.
Tudo reclama um canto de tristeza
Ou um lamento breve. Não há espaço aqui para nós.
Os que não sabem o que é a vida, nem como, nem quando nem porquê.

Apenas se limitam a partir sempre.
Porque parar tornou-se insuportável, inaceitável, demasiado doloroso.
Resta-nos caminhar sempre até os pés fazerem sangue
Ou acabar o chão que caminhamos.

26.2.08

Me encanta quando hace frio

Gosto das nossas trocas de correspondência. Sabem a cartas antigas. Com cheiro. De vez em quando ecoam memórias de rosmaninho. Outras vezes camomila, ou a citrinos. São bonitas, e só isso interessa. Queria-te ver, mas preferes assim. É um sabor antigo, princípio de século passado. Estranho. Até as frases são de lá, sempre com tanto pudor e respeito…e distância. Talvez não seja tanto assim! Apenas assim parece. Curioso como falamos a mesma linguagem. Mas é só contigo. Esta. Não sei como me libertar da antiguidade. Deste visco que me encerra. Desta tristeza. Um dia. Em breve. Tenho a certeza. Não, não tenho. Ainda não. Sonho contigo tanto. A minha pele contra a tua. O cheiro. O sabor da tua pele a entranhar-se em mim, assim. O vazio. Fazes-me muita falta. Tenho medo que te afastes antes do início do primeiro acto. Morro por dentro só de o pensar. Ou sentir. Está tudo misturado nos tempos desavindos que não existem mais. A tua pele e eu. Os teus pés, as anémonas. O teu pescoço. As minhas pernas, o teu cabelo. Os teus olhos dentro dos meus. Como no círculo polar. Gostas? É o meu preferido. Me encanta quando hace frio.

25.2.08

the remains of the day

Mais uma vez hesito.

Espero por ti. As coincidencias torturam-me.

Tem calma. Não te percipites.

Iamo-nos encontrando mais uma vez, uma coincidência contagiártica.

Mas não. Fomos afastados no chocolate quente de uma noite

Que não aconteceu.

Eu não quero comer mais chocolate. Enjoei. Sabes?

Onde estás? Ouves ao longe o eco da minha voz?

Eu ouço-te. Mas não te vejo. Sinto-te. Assim, encostada à minha cabeça.

Tão perto. Demasiado.

Mas onde?

21.2.08

Para ti

20/2/2008

Esperava encontrar-te na espiral das escadas descendente.
Um chá exótico ecoa memoŕias de um outro passado.

A dança que me encanta está dentro de ti, assim.
São epopeias de flores de malte. O resto é conversa.

Embriago-me de ti
E continuo sóbrio.

Apenas a sombra que passou foi tua.
Tudo o resto permanece sem mágua.

Gosto do teu amor tranquilo,
da tua conversa suave
Embora tímida.
Fazes-me sentir tão bem
e eu sinto-me bem sem ti.
A tua existência basta-me,
e eu sinto-me feliz.

Gosto de dançar contigo,
na aurora do dia que aí vem
Esperas por uma contravolta que
tarda em surgir na noite.

Gosto do que sinto
É suave não me prende
Nem me deixa triste
Gosto de te ver sorrir e dançar
E de arrumar as pequenas coisas
Quando te apanho distraída.

Sentada e leda um pouco triste
mais tarde assim te vi num breve momento.
Não soube o que fazer
E ali ficaste em fundo vermelho
Tão bonita que estavas no fundo que
te afogava em cores dispersas
no vermelho fundo da existência.

Não sei o que vi no teu sorriso
Na tua timidez quase insondável
O amor tranquilo é curioso
Nascido assim de tão estranha fonte
De tão forte paixão.

Espero por ti numa parte do mundo
Que partiu para longe.
Onde existem chás exóticos
E anémonas floridas
E escadas metálicas em espiral.

Dizem que só se parte uma vez
E se partissemos agora?
Vamos repartir a parte que nos cabe?
Ou apenas partihar tudo o que temos?

Aqui te espero a norte do mundo
Onde o mundo não é mais o mesmo.
Desde que partiste sem nunca teres chegado.

*

16.2.08

sei lá, pega nos sapatos e pinta-os d cor d rosa

Cor de rosa???? Se ainda fosse verde escuro ou violeta...

Serão estes? ;)


Miranda July - Me and You and Everyone We Know


Os fãs das mensagens anónimas por telemóvel já não sabem mais o que fazer...ou então conhecem-me demasiado bem...

Inda por cima recebi esta mensagem quando estava a ver o filme 'O jogo' the David Fincher...que atrofio...hehehe ;)...isto é o que se chama interactividade...

*

14.2.08

Intimacy


Hal Hartley - Survivng Desire

7.2.08

Dr Sound está por cá

Vou sair

Hoje temos Dr. Sound ...estava a ver q não conhecia o personagem...

MacroBiOptik :D

*

p.s. www.lixoluxo.com
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Sábado vou-me vingar do entrudanças...




E vou lixar-lhes o juizo para dançar a valsa de dois tempos...onde é q já se viu???
:D
Ai deles q não toquem a valse de dois tempos!!!! ;)
Fica a de 8...

ATENÇÃO Q HÁ WORKSHOP GRATUITO ÀS 22H!!!!!

6.2.08

tenho mais que fazer...

por isso vou-me embora

Como diria Boris Vian...

Com licença com licença
Que a vida é sempre a correr
Venho do fundo do tempo
Não tenho tempo a perder

pois é...só ainda n percebi porque raio faço da época de exames um épico do #"%"#...só acaba mesmo na sexta...24h non stop

Ou será que o épico é outro...? É tudo tão oscilante, nestes apertos, apetece fazer tudo sem haver tempo para nada. E o nada invade-nos. E nós deixamo-nos invadir. E depois? Depois vai à sua vida. O que tu queres sei eu! (pois só faltava a piada foleira para rematar uma terça sem danças...ou melhor, uma terça sem eu ir às danças, que elas lá estão a decorrer neste momento...) Também não é assim tão foleira, tem a sua piada, não digas que não...

E se te calasses?

Vá estuda...

Isso

*

Ninguém quer ver vir ver o 'Surviving Desire' comigo? A sessão é gratuita...e em grande ecrã ;) É verdade não há legendas mas não são precisas para nada...




'Marry me'
'What?'
'Marry me!'
'To love and to cherish'
'I don't understand...'
'Marry me, why don't you marry me?'
'What?'
'To love and to cherish'

...yeah...right...

estou a delirar...abraços e boas danças...*

3.2.08

No(n) sense

Estou indefinido, mas não quero escrever agora.

Estou cheio de coisas para escrever aqui, mas não agora.

Tenho mesmo que trabalhar. Repasso as coisas dos outros. Talvez.

Isto puxa. muito. quero escrever. mas não posso. ou não quero. não sei

estou indefinido. E com tanto para dizer.

Fica a nostalgia dos dias passados que não passam mais. Felizmente.

E não tenho pena nenhuma. Bem pelo contrário.

Está-se bem no mundo das coisas que não existem.

Puta de blog. Isto puxa mesmo muito. Não! Já disse que não!

O que eu queria mesmo tu bem sabes.

Não acredito que não consigas escrever ao menos 'maccaronni'

Ou algo parecido. Nem que seja aqui.

O vazio e a ausência só faz as coisas crescerem. desmesuradamente.

Embora tudo esteja acabado em breve.

O que eu quero mesmo é ir ver 'The Blueberry Nights' sozinho e não tenho coragem.

E o que tu queres eu não sei. Mas gostava de saber.

Nem que fosse apenas para me livrar deste peso que me oprime.

Posso ser cobarde, mas por pouco tempo. Não gosto de percipitações.

Mas percipito-me sempre. E caio.

Lembram-se da última vez? Pois. A farmacêutica não gostou da brincadeira.

E eu também não, claro está. Quem me mandou comprar um presente para lhe dar?

No momento, na vertigem, na percipitação e urgência absoluta?

No ano passado foi assim, como será este ano?

Esta altura é propícia a estas coisas...

Está tanto calor aqui...mas não era suposto ser vazio?

É um calor estranho, sabe a celofane estragado.

Onde estás que não te vejo? Mas sinto-te.

É tão bom quando encostamos a cabeça um no outro.

Um momento de entrega total, como não tenho memória.

Não sei o que fazer quando te vejo a arder pousada na noite.

Ou serei eu que não me vejo? Não sei, estou indefenido, fragmentado

Multiprocessado, pronto a consumir. Apenas quero que me vejas quando me vir em ti.

(já chega, sim?)

*

No one is that tough...not even a house.




Tradução do Mandarim...

Um dia, tive subitamente a sensação...
de que ela tinha voltado!

Não me lembro se teria deixado a torneira aberta
ou se a casa estaria cada vez mais temperamental...

Pensei que seria mais forte...nunca imaginei que choraria tanto.

Quando choramos, basta pegar num lenço para secar as lágrimas...

Mas quando uma casa chora...dá muito trabalho!

don't...move.
























Hal Hartley - Simple Men

1.2.08

A sunday smile

Estava eu muito bem a ouvir Beirut e eis que desato a chorar...convulsivamente...

tsk,tsk, onde é q já se viu...?

Fica o vídeo...e por favor não me inundem a casa...já está suficientemente inundada...como é q eu vou limpar esta confusão... :\

Fez-me bem...anyway. :)



All I want is the best for our lives my dear,
and you know my wishes are sincere.
Whats to say for the days I cannot bare.

A Sunday smile we wore it for a while.
A Sunday mile we paused and sang.
A Sunday smile we wore it for a while.
A Sunday mile we paused and sang.
A Sunday smile and we felt true. (and)

We burnt to the ground left a view to admire
with buildings inside church of white.
We burnt to the ground left a grave to admire.
And as we reach for the sky, reach the church of white.

A Sunday smile we wore it for a while.
A Sunday mile we paused and sang.
A Sunday smile we wore it for a while.
A Sunday mile we paused and sang.
A Sunday smile and we felt true. (and)

A Sunday Smile - Beirut

---

Outra coisa: QUERO DANÇAR ISTO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Outra coisa ainda: dá mesmo vontade de sair pelas ruas a cantar...não dá?

30.1.08

Frederic Back

Duas obras do grande Frederic Back, representante maior da causa ecológica
ver aqui



'Crac'

Podiamos tirar daqui umas imagens para as danças...ou mesmo uns clips... ;)



O homem que plantava árvores - baseado na obra homónima de Jean Giono - O filme de animação mais bonito de sempre :)

Dedicado a uma certa pessoa que não os viu devido a circunstâncias misteriosas...e altamente improváveis ;)

*

Diamond day




Não consigo que esta música me saia da cabeça.......socoroooooooooooooooooo!!!!!

A parte do lalala é especialmente persistente...dou comigo a cantá-la nos momentos mais comprometedores...;)

É o que dá chegar atrasado ao 1º aniversário de certos blogs... ;)

Parabéns Ms. Lemon *

E, já agora, qual o tratamento para a minha condição???

24.1.08

Powers of 1






from: http://xkcd.com/271/

:)

não sei porquê mas isto faz-me lembrar o Charlie Brown...

vá, volta para o estudo...

pois :\

dream is destiny (isto tem MESMO muito que se lhe diga)

Este filme/animação é extremamente inspirado...e denso, carregado de simbolismo...cada vez que o vejo percebo coisas novas, que parecia não estarem lá antes...
E atenção para quem não viu: o antes do amanhecer/anoitecer tbém cá está...literalmente. ;)





Richard Lintaker - Waking Life


curioso, isto das cores...só associei agora.

Mistery Girl




Este é provavelmente o momento mais simples e breve do filme...e é aquela cena que me parte todo. Será que ela aparece novamente? Parece-me que a vi, um dia, mas depois deixou de aparecer... :)


'Alien' Scene




Ui, o que se podia falar sobre esta cena...e então sobre as outras...!
Viram como trocaram informação? ;)
'Not just eternity, but infinity' :)

Tango




Como não podia deixar de ser, o périplo pelo filme não podia acabar sem uma dança com música à altura. Dá vontade de aprender o Tango...ou melhor...de introduzir novos passos na mazurka (de lisboa, como dizem) ;) :D mmm, isto faz-me lembrar 'a' jazzurca....mmmm :) azur não é?

Meter algo mais seria estragar...fico por aqui.

23.1.08

Otto, el piloto

Que mensagem escreveu otto? ;)



Los Amantes del Circulo Polar - Júlio Medem

fragmentos...

(...)
Ao menos gostava de ter ido ver as estrelas contigo, nas férias só nós os dois na tua casa longe de tudo e de todos e atirar-te para a erva selvagem crescida, molhada pelo orvalho beijar-te lentamente na tua orelha esquerda, no pescoço, na boca assim ao de leve, desabotoar-te a camisa um botão de cada vez são tão rabujentos os botões se os tentamos tirar todos de uma vez!...
(...)

Os comentários digo-os baixinho para mim. Desta vez.

não sei o que dizer.

como não sei o q dizer há quem o diga por mim.

E hoje não digo mais nada...


Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir quando sucede a noite esplêndida e vasta
Não sei o que dizer quando longamente teus pulsos se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado
Quando iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado pelo pressentir um tempo distante
e na terra crescida os homens entoam a vindima.
eu não sei como dizer-te que, cem ideias, dentro de mim te procuram.
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia
tu arrebates os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite
e então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio
quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
não sei como dizer-te que a pureza, dentro de mim, te procura.
Durante a primavera inteira, aprendo os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto correr do espaço
e penso que vou dizer algo cheio de razão
mas quando a sombra cai da curva sôfrega dos meus lábios
Sinto que me faltam um girassol, uma pedra, uma ave, qualquer coisa extraordinária.
porque não sei como dizer-te, sem milagres, que dentro de mim
é o sol, o fruto, a criança, a água, o deus, o leite, a mãe, o amor,
que te procuram

Herberto Helder

Dedicado ao mundo de pessoas que lê Herberto Helder à espera do comboio...na paragem de autocarro...

pela pele fora ondulam anémonas.

E por dentro alcachofras. Salgadas.

Está tudo demasiado salgado, só se sente o sal. O sal e a sede.

Adiante.

22.1.08

Para as cores que salpicaram aqui e ali este blog ;)

Não querem vir colorir um pouco as noites de terça feira no mercado negro?

Não é que falte cor e intensidade ao nosso negro mas...queremos cá todas as cores!

Vejam aqui um pouco do nosso colorido... :)





p.s. - o azul está a ficar cada vez mais para o violeta...é assim uma mistura ainda indefinida! vamos ver o q isto dá ;)
e não se riam (muito) com o vídeo :D ...nós e as nossas maluquices! :)

**

21.1.08

o estaleiro

Ainda em construção,

é mais o despejar e a catarse, a limpeza, um assentar os solos para algo outro...

Ainda não aberto, mas não fechado, entreaberto talvez, mas não muito.

Mais uns dias, uma semana quem sabe? Quem mais saberá? Por tempo indeterminado.

Entretanto continua o desenterrar e o descarregar num sitio outro.

Aquele ali além, inacabado.

Até subir o monte, o morro, o outro lado.
Dedicado a uma certa pessoa... ;)

Será que és como eu? Assim ficamos os dois na mesma :X

E quando é preciso trabalhar é quando mais apetece...não dizer o que se sente, nem ousar sequer falar, pois já te disse o que sinto, numa dança mais ardente ;) Oh, fogo que arde sem se ver, oh contentamento descontente, não vez que te estou a amar, embora não te ame, realmente...? Os meus olhos nos teus te cantam, uma música de embalar, depois da próxima dança, hei-de o dizer sem o contar!


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...


(FP - aquele tal do comboio descendente...)

19.1.08

O outro lado é mais bonito?

é complicado entender isto...são misturas aleatórias entre coisas da minha vida na altura e uma peça de teatro que fui ver por esta altura do grupo de teatro do IST em Lisboa.

...mas é daqui que vem 'o outro lado' :)

08-04-2002 23:18

Acabei de vir do teatre du crepuscule ou whatever that means i do not know i just wanna write some stuff, something sweet caothic stuff, apenas memórias de porcos voadores e coelhos que servem para bater e bater e bater nas mamãs do ultramar, como é que me hei-de lembrar do que me disseram sempre para esquecer, arrumar dentro das gavetas da memória naquele sítio onde tudo se esconde tudo permanece, não desaparece assim pela cascata neuronal fora não, estas são daquelas que ficam e retraem todo o músculo cerebral como uma esponja líquida. A peça foi bastante razoável, voces estão aí em cima nós estamos dentro do poço o que querem agora, não me chateiem, estamos a treinar-nos na arte do afogamento afinal não foram voces que nos atiraram aqui para baixo?

Estou sozinho dentro de quatro paredes brancas ou beje ponteadas aqui e ali por manchas escuras de humidade e de sujo entranhado, sem estar beliscado nas faces de alguém que passou e não reparou que deixou um recado para mim. A vida é feita de cores informes, que por vezes se misturam. Antítese de infinitos arco íris que voam por esse céu fora. Tenho aqui o papel não não é papal como escrevi um nanossegundo antes é papel daquele todo impresso em preto com algumas manchas brancas para disfarçar. E além disso espera por mim no fundo do poço porque eu vou ter aí contigo abaixo, não, não te vou buscar, está fora de questão, eu quero-te amar, não quero morrer, mas vou morrer quando te for buscar aí abaixo, porque não te vou buscar, vou aí ter contigo, quando fizer 24 anos, vou aí ter contigo, e nunca mais vou ficar sozinho, espera, além disso como pudeste partir sem aviso, sem dizeres nada, como? Queria escrever livremente sobre este texto ao fundo do poço encontra-se o tesouro há muito perdido, encontro-me comigo, bem lá no fundo deste poço profundo de mim. O que temos aqui virando a página 4 cabeças rolam por entre as águas desta miragem sem nome nem paragem neste ar de ilusões e de nuvens azul por trás memórias. Podiamos realmente estar na palestina com 5000 calhaus na mau a atirar aos colhões daquele cabrão ali, todo aperaltado com o seu capacete, a sua m16 ou 15,5 tanto faz, o seu colete salva vidas, salva a dele porque a dos outros estão na ponta da sua m m de morte m de militar m de merda, estamos atolados nesta merda, vale de merda que plana sobre mim, e me transforma para sempre em algo que nunca mais vão esquecer para todo o sempre, estátuas de sal, transformam-se em estátuas de sal, cegueira eterna que a história transpira e traz até nós sob a forma de guerra e esferovite e espuma e nada. Apenas uma granada explode em belém por dentro das centenas de pessoas enjauladas, acossadas dentro de uma marmita ao por do sol cremadas...gostei da arena, gostei do silêncio gostei do barulho do mar ao longe quando gemias pela praia fora, trotavas por mim adentro como se fossemos apenas ar e escuro e movimento e murmúrio das águas que atravessam os nossos corpos estendidos à beira mar poente gente que respira, transpira sobre nós sobre as nozes de marfim que se espalham pelo horizonte e se transformam em bisontes alados de ontem. Tantos! Tantos milhões dizimados para dizimar as raças livres de homens que resisitiam e acordavam e eram traidos tratado após tratado tudo era traçado para falhar e para matar, uivos ainda oiço os uivos da extinção da perda do desespero do fim. Mas estás aí. Espera. Além disso tenho a minha varinha magica, não preciso de um dois três e meio muito menos azes para atrapalhar na minha senda, até ao fim do fundo até ao fundo de mim ao fundo de mar, ao fundo de ti. Do outro lado é mais bonito? Espero que saiba a iogurte. De morango. Ou a doce de framboesa sem açucar.

E aqui está algo q procurava há muito tempo...

...mas como desejo que sejam sempre verdadeiras, não sei como romper as que são falsas...

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“Parece-me que toda a minha criação é um esforço para tecer uma teia de relações com o mundo; teço-a continuamente porque uma vez ela foi rasgada. Mas como desejo que as teias sejam sempre verdadeiras; não sei como romper as que são falsas.”


(Anäis Nin – Diário vol. III)

do outro lado...do rio

Por vezes sinto-me assim...e tu? ;)

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Do outro lado do rio
Cada voz é um poema
Faz o barqueiro um desvio
Vai e vem rema que rema
Ao outro lado do Rio

Todo o sol, a névoa, a noite
Me condensa esta saudade
Nada impede que me foite
E resguarde sem verdade
Ao outro lado, pela noite

Surgem estrelas nas mágoas
Nas mágoas do meu desterro
Atravessar estas águas
E reparar o meu erro
O meu erro e suas máguas

Do outro lado do rio
Que imenso reino para mim
Aqui tenho fome e frio
Aqui para onde vim
Do outro lado do rio

Guardo o sol na minha mão
Fechado que mais não tenho
Os meus sonhos onde irão?
Sendo eu aqui um estranho
Um sol fechado na mão

Fernanda Botelho

18.1.08

http://noonebelongsheremorethanyou.com/

Simplesmente adoro esta mulher :)

Inspira-me que é uma coisa parva...

http://noonebelongsheremorethanyou.com/

Obviamente, irei postar mais umas coisas dela...

A página dela:

http://mirandajuly.com/

Para entrar é preciso a pass ;) Mas ninguém a sabe...é preciso adivinhar... :)

Enjoy ;)

Deux versions...entrelacées...comme nous autres? ;) dans mes rèves peut etre...excusé moi mon francais macarronique :P

Fica tão estranho assim entrelaçado...em breve ponho a música...

Parece um eco...de duas pessoas que estão tão próximas que nem se conseguem ver uma à outra...e no entanto, ouvem o que parece ser o seu eco...quando não o é.

Iceberg – 2 versões – escolhe a que mais gostares – CD Nous Autres – Fred Frith/René Lussier – Musique: René Lussier/ Paroles: Geneviève Letarte

je ne compte plus les heures

I’m not counting the hours

les secondes les années

the seconds the years any more

je me fous du temps qui passe

I don’t care about

time passing by any more

ça coule sous ma peau

it’s simply running under my skin

ça s’ouvre comme une orange

it’s opening out like an orange

ça m’éclabousse le bout des pieds

it’s splattering my feet

nous sommes au Carrefour

we are at the crossroads

c’est gros comme une épingle

it’s no bigger than a pinhead

l’iceberg sur quoi nous sommes perches

the iceberg from where we

pour contempler la fin du monde

gaze at the end of the world

moi je crois qu’on en a encore

i believe we’re here for a while yet

pour longtemps moi ce que je veux

c’est que la beauté

and what i want is beauty

ne soit plus un péché

not being a sin any more

il fait si chaud dans la jungle

it is so hot in the jungle of

des choses qui n’existent pas

things that don’t exist

tout est trop dehors

everything is too outside

trop à côté

too near

trop fuyant

too fleeing

j’ai rendez-vous avec toi

I want to meet you skin to skin

pour l’amour peau contre peau

you and me lovers

l’un et l’autre amants initiés

amants initiés

initiated

on s’aimera comme des voyageurs

you and me making love like travellers

ll faut me secouer si j’ai peur

shake me if I’m scared

me réveiller si je baille

wake me if I’m bored

me tallonner si j’abandonne

hound me if i abandon

c’est comme ça qu’on brise les frontières

so that the frontiers can be broken

qu’on fait bouger les continents

and the continents will move

la vie la mort se dévorent

life and death devour each other

en nous confiant leurs secrets

while telling us their secrets

il faut tout leur donner

you must give them all of your

la confiance et l’imagination

confidence and imagination

ta si belle chevaline

your neck your heart

ton cou ton cul ton cœur tes mains

your ass your soul

j’ai rendez-vous avec l’histoire

I have a date with history

pour retrouver la ferveur

to regain fervour

rendez-vous avec vous

a date with you to defuse

pour désamorcer la peur la guerre la fatigue

fear war tiredness

et la machinalité qui tue

and banality that kills

ne perds pas ça tous ces bijoux

don’t lose all those jewels

que tu as là inside

you’ve got there inside

ta matière grise c’est le non dit

your grey matter

de l’état du monde et des choses

the unspoken part of the world

ton génie c’est la vie

your genius which is nothing but

qui ose aimer

life daring to love

d’ombre et de lumière

both light and darkness

de sang et de boue

mud and blood

de calme et de chaos

quietness and chaos

tout te manque quand tu n’es pas là

don’t you know you’re missing everything

when you’re not there

cartas de amor...escrevo-te eu tantas...(ou escrevia...)

Coisas antigas...rememorações, estímulos tardios, talvez um dia volte a escrever cartas de amor, mesmo que sejam de despedida ;) Mais um paradoxo...



9/29/2002 1:05 AM

Os amantes do círculo polar,

Fazes-me lembrar

A ana, o olhar, as coincidências

Que se entrelaçam por todo o universo

Que nós nos esforçamos por inventar

Onde estás agora

Tão perto daqui, tão longe de mim

Não sei o que te escrever

Pois o que sinto é

Indescritível e indiscutivelmente

Real, poderoso, perigoso

Terei medo?

Não sei se

me vou ou fico aqui à espera

por ti

por dentro ardem os espinhos de outrora

à espera de uma demora

dentro do planisfério interior

por dentro afogo-me em tempos diferentes

memórias latentes ansiosas por um afagar

diferente dos das máquinas humanas fragmentadas

em multiplexes infinitos que se acercam de uma verdade

reprocessada e cortada aos pedaços, 35mm a secção

selecção forçada de fantasias e falsificações de alta qualidade em fundo preto

talvez não devesse ter ido assim tão embora

tentei falar contigo antes

mas não consegui

não foi por tua causa

mas eras a minha última esperança,

desculpa estragar a nossa amizade

mas não consigo mais esperar

a realidade embriaga-me e não posso morrer disto aos poucos ou de uma vez só quem sabe?

Apenas uma gota de água que ecoa pelo universo inteiro

E nos tranforma num estrumeiro

De luz e ouro e pó e nada

Onde se estende a verdade

À espera de ser encontrada

Talvez a envie por correio expresso

Até aí, onde está a tua morada digital.

Talvez a envie, quando a encontrar.

Tenho tanto medo de nunca mais sentir o teu olhar dentro de mim...

Que me transformo num fragmento de marfim

E me desfaço aos poucos por entre a solidão permanente, premente, impertinente, presente.

Sempre tão presente, no passado e no agora, tão agora

Adeus

expressões...

ao menos, se não nos conseguimos exprimir de uma forma mais directa, naquele momento de maior aperto, especialmente naqueles momentos em que temos que fazer tudo e mais alguma coisa, quando o que queremos é..., pois é...é estranho mas sinto-me constrangido por escrever num blog, não é fácil...talvez seria melhor escrever primeiro num papel e depois passar para aqui.

Sempre era papel a papel, parede com parede, nódulos com nódulos, eu a folha branca, demasiado branca, demasiado digital. e é sempre a mesma.

Bem, vamos escrevendo coisas dos outros, algo que tenha despertado em mim um sentimento mais profundo ou uma emoção mais forte ou outra coisa qualquer que me tenha retirado daquela tonalidade cinzenta que por vezes a vida adquire aos nossos olhos, apesar de não passar de mera ilusão...mas, no entanto, continua cinzenta! é um paradoxo.

14.1.08

Trouble and desire

-I wish i could be more like you.
-You don't wanna be like me.
-I mean you just get up and go. You take charge of things. You're your own man.
-Ned, i don't even know where i'm going.
-But that's what life's about. The adventure, the not knowing.
-No, it isn't.
-I want adventure.I want romance.
-Ned, there's no such thing as adventure.There's no such thing as romance.
-There's only trouble and desire.
-Trouble and desire?
-That's right, and the funny thing is when you desire something you immediately get in trouble
and when you're in trouble, you don't desire anything at all.

Simple Men - Hal hartley (1992)

Início hesitante

Por vezes temos tanto tanto tanto para exprimir e não sabemos como nem onde nem porquê nem nada...

...e acabamos por ficar na mesma, ou seja, calados.

Para nossa infinita tristeza.