29.2.08

O mercado negro de Marraquexe

Soube no dia antes que o homem ia em missão
No mercado negro de Marraquexe ia comprar a sua noiva.
Não com o intuito de a comprar, mas apenas raptar
Dos seus captores belos esguios homens senhores
Com a pele queimada pelo sol africano
Belos magrebinos de sabor de menta.

A comoção da perda e do fim
Inflamou-se em lava e nunca mais se extinguiu.
Tudo reclama um canto de tristeza
Ou um lamento breve. Não há espaço aqui para nós.
Os que não sabem o que é a vida, nem como, nem quando nem porquê.

Apenas se limitam a partir sempre.
Porque parar tornou-se insuportável, inaceitável, demasiado doloroso.
Resta-nos caminhar sempre até os pés fazerem sangue
Ou acabar o chão que caminhamos.

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