26.2.08
Me encanta quando hace frio
Gosto das nossas trocas de correspondência. Sabem a cartas antigas. Com cheiro. De vez em quando ecoam memórias de rosmaninho. Outras vezes camomila, ou a citrinos. São bonitas, e só isso interessa. Queria-te ver, mas preferes assim. É um sabor antigo, princípio de século passado. Estranho. Até as frases são de lá, sempre com tanto pudor e respeito…e distância. Talvez não seja tanto assim! Apenas assim parece. Curioso como falamos a mesma linguagem. Mas é só contigo. Esta. Não sei como me libertar da antiguidade. Deste visco que me encerra. Desta tristeza. Um dia. Em breve. Tenho a certeza. Não, não tenho. Ainda não. Sonho contigo tanto. A minha pele contra a tua. O cheiro. O sabor da tua pele a entranhar-se em mim, assim. O vazio. Fazes-me muita falta. Tenho medo que te afastes antes do início do primeiro acto. Morro por dentro só de o pensar. Ou sentir. Está tudo misturado nos tempos desavindos que não existem mais. A tua pele e eu. Os teus pés, as anémonas. O teu pescoço. As minhas pernas, o teu cabelo. Os teus olhos dentro dos meus. Como no círculo polar. Gostas? É o meu preferido. Me encanta quando hace frio.
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