Ou da vontade de o fazer. Mas depois lembro-me.
Acendo a luz. A outra luz. E esta máquina de escrever.
Paro para ler, para ver o peach, plum pear.
Lembro-me de ti, aqui. Há tão pouco tempo que parecem anos.
Hoje respondeste, embora a resposta que esperasse não fosse a tua.
A tua resposta esperava eu, dissemos adeus, até nunca mais.
Ficamos inertes por fim. Cinzas apagadas, frias.
Tenho saudades, mas de quê?
Até o respirar se cansa. Talvez não consiga suspirar.
(por vezes há esta angústia que não é angústia,
talvez seja...medo?)
E se não sair nada? Afogo-me no ar que não respiro?
Porque não inspirar tudo de uma vez?
E o que resta?
Ainda não é desta? Mas o quê?
Que confusão, desilusão, abstracção!
É isso, o amor é uma abstracção.
Uma contradição sem sentido nem forma.
Abstrai-se a ele próprio e explode e implode
Ao mesmo tempo da mesma maneira,
de maneiras totalmente diferentes e opostas.
E renasce e morre e é e não é, nem deixa de o ser.
E agora, repete, reinicia, recomeça.
Tudo aponta nessa direcção.
Qual direcção? Todas.
Mas não. Que confusão!
Tens sono? Sim muio, demais.
Já não sei o que escrevo, é tudo demasiado sedoso,
sabe a vale de lençois.
Resta apenas uma lembrança que nunca existiu.
Daquilo que nunca foi. Ou será.
Ou será? Talvez. O que é é que não é de certeza.
Por vezes gostava que a casa inundasse.
Para poder dizer 'quando choramos podemos aliviar a nossa dor num lenço,
mas quando uma casa chora dá muito trabalho!'
*