A tristeza escorre. As palavras fundem. Tudo se corrói.
Ao vento o ar. Desalento precoce. Turbilhões de um dia.
Melancolias verticais no vento. O soluçar de um momento,
que esperaria que fosse em ti. Que o perdesse. E o voltasse a encontrar.
Perco-me então numa almofada vazia e não te reencontro lá.
Talvez seja da posição ou da perspectiva ou simplemente da tua inexistência.
As tuas palavras são enigmas e eu não sou esfinge dourada.
Apenas alguns caminhos o são. E nunca sabemos onde vão dar.
Avanças lentamente por entre as pedras em lodo, mas não cais.
Está demasiado frio para cair e o gelo abunda, mesmo quando está calor.
E a angústia vem e fica apenas o plano infinito e o vazio. E o teu olhar.
E tudo se dissolve algum dia, quando as açucenas sopram e o ar é uma flor inventada.
Trocas as voltas ao meu coração. E é algo inesperado, que não contava. Porque não.
Aprendo a construir o amor, a não o deixar dominar-me. E no entanto, ele domina, por vezes.
As lágrimas ecoam memórias passadas e repetições inúteis. E a tristeza,
é um peso morto. E corrosivo. E inútil. E repulsivo. As entranhas gritam dentro de mim.
E a lua cheia, e os odores, e as voltas de danças. Tudo são formas em forma de véu.
Que nos transpira a vida e cobre o que está por vir e o que é. São apenas açucenas. Bravias.
E memórias que nos trazem algo mais que pão. A vida é pão?
Se assim é, prefiro pão de ló. E tu?
*
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