Os amantes do círculo polar,
Fazes-me lembrar
A ana, o olhar, as coincidências
Que se entrelaçam por todo o universo
Que nós nos esforçamos por inventar
Onde estás agora
Tão perto daqui, tão longe de mim
Não sei o que te escrever
Pois o que sinto é
Indescritível e indiscutivelmente
Real, poderoso, perigoso
Terei medo?
Não sei se
me vou ou fico aqui à espera
por ti
por dentro ardem os espinhos de outrora
à espera de uma demora
dentro do planisfério interior
por dentro afogo-me em tempos diferentes
memórias latentes ansiosas por um afagar
diferente dos das máquinas humanas fragmentadas
em multiplexes infinitos que se acercam de uma verdade
reprocessada e cortada aos pedaços, 35mm a secção
selecção forçada de fantasias e falsificações de alta qualidade em fundo preto
talvez não devesse ter ido assim tão embora
tentei falar contigo antes
mas não consegui
não foi por tua causa
mas eras a minha última esperança,
desculpa estragar a nossa amizade
mas não consigo mais esperar
a realidade embriaga-me e não posso morrer disto aos poucos ou de uma vez só quem sabe?
Apenas uma gota de água que ecoa pelo universo inteiro
E nos tranforma num estrumeiro
De luz e ouro e pó e nada
Onde se estende a verdade
À espera de ser encontrada
Talvez a envie por correio expresso
Até aí, onde está a tua morada digital.
Talvez a envie, quando a encontrar.
Tenho tanto medo de nunca mais sentir o teu olhar dentro de mim...
Que me transformo num fragmento de marfim
E me desfaço aos poucos por entre a solidão permanente, premente, impertinente, presente.
Sempre tão presente, no passado e no agora, tão agora
Adeus
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