18.1.08

cartas de amor...escrevo-te eu tantas...(ou escrevia...)

Coisas antigas...rememorações, estímulos tardios, talvez um dia volte a escrever cartas de amor, mesmo que sejam de despedida ;) Mais um paradoxo...



9/29/2002 1:05 AM

Os amantes do círculo polar,

Fazes-me lembrar

A ana, o olhar, as coincidências

Que se entrelaçam por todo o universo

Que nós nos esforçamos por inventar

Onde estás agora

Tão perto daqui, tão longe de mim

Não sei o que te escrever

Pois o que sinto é

Indescritível e indiscutivelmente

Real, poderoso, perigoso

Terei medo?

Não sei se

me vou ou fico aqui à espera

por ti

por dentro ardem os espinhos de outrora

à espera de uma demora

dentro do planisfério interior

por dentro afogo-me em tempos diferentes

memórias latentes ansiosas por um afagar

diferente dos das máquinas humanas fragmentadas

em multiplexes infinitos que se acercam de uma verdade

reprocessada e cortada aos pedaços, 35mm a secção

selecção forçada de fantasias e falsificações de alta qualidade em fundo preto

talvez não devesse ter ido assim tão embora

tentei falar contigo antes

mas não consegui

não foi por tua causa

mas eras a minha última esperança,

desculpa estragar a nossa amizade

mas não consigo mais esperar

a realidade embriaga-me e não posso morrer disto aos poucos ou de uma vez só quem sabe?

Apenas uma gota de água que ecoa pelo universo inteiro

E nos tranforma num estrumeiro

De luz e ouro e pó e nada

Onde se estende a verdade

À espera de ser encontrada

Talvez a envie por correio expresso

Até aí, onde está a tua morada digital.

Talvez a envie, quando a encontrar.

Tenho tanto medo de nunca mais sentir o teu olhar dentro de mim...

Que me transformo num fragmento de marfim

E me desfaço aos poucos por entre a solidão permanente, premente, impertinente, presente.

Sempre tão presente, no passado e no agora, tão agora

Adeus

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