Encontrei-te uma vez mais no dia ontem
E pensei que fosse a nossa vez. Mas não.
Tudo muda tão depressa. Já não és tu.
Nem o antes. Agora já é o depois, agora.
Aifos aproxima-se. De mansinho.
Não sei o que fazer, pois a pele estala.
E não é contigo mas com o antes.
Não posso dizer que não sei quem és
Porque sei, porque sim. Porque nada
é como dantes.
O belo príncipe raptou a princesa magrebina
E nunca mais apareceram. Serão felizes?
Certamente, nas distantes terras Maias.
Que os seus bisavós plantaram para eles.
Quem ficou a arder foi o mercado e os escraveiros.
E não só.
Toda a colheita é incerta e ilusória,
Quando os tempos que a criam não existem
Apenas se dão a conhecer numa verdade em riste,
Que provavelmente nem existe, apenas é reflexo
de uma outra providência alada, que não é mais que
pó e ouro e nada, numa manhã de nevoeiro.
Espero. Por vezes desespero, ainda um pouco.
Não há apenas rosas e espinhos mas rosmaninho
Também. E saias rodadas. E alambiques de ouro.
Não sei por onde vou nem o que vejo.
São alfazemas floridas. Sim. Cheiram e sabem
à sua imagem. Apenas a dor não é sua. Perduram,
num tempo e num espaço que não é delas. Sozinhas.
Aifos. Deves achar-me simpático. Eu não acho nem
Penso nem sinto nada. Sou marfim em pedra.
São apenas ilusões umas a seguir às outras.
Será mais uma, menos uma? Zero.
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Porque dói tanto?
Abrir o coração não é romântico, é suicídio. Auto mutilação a 45 rpm.
E quando sentimos o machado no momento só nosso de uma imensa alegria,
Tudo se transforma em tristeza. Aquela tristeza bela.
Que não queremos nem desejamos.
É bela, ela, no entanto. Demasiado.
And we keep doing it. Forever.
*
Até Aifos está ocupada. O que dizer dos deuses do olimpo?
Têem-na toda. Aborrecem-se de morte.
E divertem-se à nossa custa.
*
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