Estavas de preto. Esperavas por mim.
Um encanto, um espanto que me levou,
me tragou, devorou inteiro. Ali,
naquele momento invisível que quase parou
o tempo.
Arrastaste-me com o teu olhar para outro instante,
Cedeste as frestas e o luar caiu.
Nos teus olhos as trevas caem e o chão sorri,
e os minotauros escaldam com o amanhecer.
Não esperava por ti. Apareceste apenas
num recanto do meu olhar e disseste,
estou aqui. Aproximei-me e não te vi,
desapareceste da terra e do universo,
e fiquei eu assim. aqui. espantado,
pois pensei que não existirias mais,
foste apenas ar e movimento e febre.
Uma paixão que nunca existiu.
Que passou sem nunca permanecer, apenas
existiu sem nunca estar. apenas era
e eu nunca a vi.
Sei agora que existes, estás aqui.
Embora estejas longe e eu sei que aí permaneces.
Inalcancável, inatingível, és apenas de ar e de estrutura
de estátua que percorre os séculos.
Dei-te um beijo e nada mais, nos teus imensos cabelos.
E fiquei estátua.
*
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