Por vezes tenho saudades. O que é ter saudades?
Hoje tenho saudades das danças. Europeias.
Das pessoas, dos bailes, das andanças e do andanças também.
Da Sophie.
Do meu afastamento de tudo para vir para o Brasil.
Lembro-me também do Zimbabué e da E.
Sempre que a vejo dançar nos vídeos apetece-me gritar.
Como pode algo tão forte nunca se ter concretizado.
Nem eu entendo bem o algo tão forte que se entranha ainda.
Como aqui tudo é tão mais simples e no entanto tudo tão mais desinteressante.
Às vezes é desinteressante. Especialmente quando ficamos em casa,
por não sabermos sair de outra forma sem ser com o carro.
Por estarmos longe de tudo e longe de nós. E longe de ti.
Por não sabermos para onde vamos temos saudades.
De uma alegria que já não temos, sem sabermos o que nos espera, ali adiante.
Hoje estou assim. No limbo.
Tenho saudades das coisas não vividas.
E não sei para onde me virar.
Apetece-me gritar quando E. não me responde.
E eu não disse: "Não vás para o Zimbabué, vem para o Brasil"
Porque sim.
Hoje é o teu dia.
Por vezes não entendo este torpor. As minhas saudades não existem.
Existes tu aqui.
Pensava eu porque escrevo. Desabafo, exteriorização, repressão exteriorizada.
Zumbidos nos tímpanos esquerdos.
Esperar por ti, e tu não vires.
Não sei porque me lembro de ti nestes momentos.
Nem porque fico triste e não entendo porque não aconteceu.
E não era por me vir embora mas sim porque não.
Mas adiante.
Acho que me fazes lembrar alguém que obviamente não és tu.
Tenho sim saudades da alegria, das danças, da música que arrepia.
De dançar e fazer de cada dança única, como se vivesse uma vida inteira
em apenas 120 segundos em média.
Às vezes tenho saudaes. Às vezes.
*
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