12.5.11

o regresso

O regresso está aí. Ao virar da esquina. Mais uns dias e vou-me, regresso ao ponto de partida, parto para regressar.

Não sei o que dizer. Não há retrospectiva a fazer. É cedo demais para sínteses. Ou para deglutições apressadas.

Correu bem, mas estou insatisfeito. Não sei se cada vez mais, se mais do mesmo. Foi uma experiência importante de qualquer forma.

Fazes-me falta e esse é o problema. A tua possibilidade viaja longe, a mais de 10.000 km de distância. Demoras mais de 10 horas a cá chegar. A lá chegar. Estás longe. Ainda mais longe te encontrei, numa fronteira esquecida nos confins do mundo, a mais de 5000 m de altitude.

Tenho saudades tuas. És uma desconhecida que eu conheço tão bem e que quero rever ontem.

Que impaciência. Não sirvo para esperar. Dói-me o coração quando penso em ti. É difícil ligar-me com este mar entre nós. Nem sei se há mar. Não sei se há nós. Há apenas brumas e possibilidades e esperança.

Este sem sentido mata-me. Detesto que sejas tão importante. Tornas tudo demasiado intenso, demasiado perto, demasiado...doloroso. A tua batina cai e eu estremeço. Não sirvo para padre. As cerejas são demasiado apetitosas para o inverno. A neve vem e cobre tudo de branco. As cerejas são boas geladas, no meio da neve.

Quando vens? Quando voltas ao lugar que nunca estiveste? Quando te verei? Qual é o prazo de validade para tudo isto?

Dança-se muito, demasiado. Não há retorno. A dança cansa-me, torna-se aborrecido. Por vezes quero desistir. Deixar tudo para trás e começar de novo. Regressar ao início. Voltar.

Voltar.

*

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