17.7.11

miss Bowie

Ainda não escrevi nada para ti. Talvez ainda não tivesse tido o tempo para assentar tudo o que me deste.

Estás longe, tão longe. Estás aqui, dentro, tão dentro. Estás longe. Só aqui estás em memória, sonho, pedaços de nuvem. Onde estás mesmo?

Eu sei porque não escrevo. Porque não há nada para escrever, é tudo demasiado real, demasiado intenso, demasiado tudo. Lembro-me apenas do cais, das coincidências, das mãos nos teus ombros, de te inclinares para trás e de te abraçar. De todos os pequenos momentos, insignificantes, guardados no tempo, imutáveis, momentos de luz e de glória, de eternidade e de infinito, de pura felicidade.

Por momentos deixei de saber quem sou, não me sentia mais. Sentia-me algo mais, sentia-me nós. Assim. A nossa energia, o nosso caminho, a nossa vida. Tudo fazia sentido.

Foi pena que tudo fizesse sentido apenas para mim. Para ti, um beijo foi só simplesmente um beijo, um abraço, um abraço. As linhas que fluiam terminavam todas ali. No cais, nas águas, no relento. Não havia abrigo ali. Estávamos molhados, mas tu tinhas uma toalha para te secar. Faltavam raios de sol.

Nunca me vou esquecer de ti Selah. Abriste-me os olhos. Nunca mais os vou fechar. Apesar de querer tudo, agradeço o que me deste, e o que me deste é tão raro, precioso, único. Nunca o vou esquecer. Estarás sempre aqui. Por dentro estás do outro lado, deste lado, em mim.

Talvez um dia vá ao outro lado. O teu lado, em ti.

*

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