Aproximei-me de ti.
Teus olhos riam, a tua energia dançava
Naquele momento além, onde estou vivo.
O vento respirava em teu rosto e floriam anémonas aladas.
Os teus cílios viviam em mim e brotavam cores vivas.
A tua pele é tão bonita e eu apenas senti o teu ombro nu
na face nua da minha mão.
Empurrei-te e não reagiste.
Como queria que viesses até mim.
Lembro-me de ti tão hoje como naquele dia.
E como é difícil esperar eternidades para te rever.
O teu sorriso leve ecoa em mim frutos silvestres.
Sabores delicados, framboesas da minha infância.
O sabor da tua boca é apenas uma lembrança
de outros tempos, outras memórias, outros sabores
perdidos em mim.
O teu calor presente-se na água de fogo.
Quanto tudo arde, surges tu de entre as chamas.
Ardes mais que o próprio fogo, dentro de mim.
O teu eco não é mais que um pressentimento,
uma sombra, um rasto, uma presença subtil,
que me faz duvidar da minha própria existência.
Que sou eu afinal e quem é este ser que me ensina
o que é estar vivo e me faz refletir sobre o significado
da existência?
*
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