Exercício fútil. Desassossego gasoso.
O sendeiro luminoso fundiu-se,
apagou-se no sangue das armas
e das ideias. Não transpira mais
vermelho.
Os tempos idos dos amanhãs que cantam
fazem-me lembrar outras velhas esperanças,
quando tudo sabia a novo e tudo era possível.
Lembro-me do entusiasmo e do sorriso,
que entretanto se apagou.
Sobram apenas nostalgias de um tempo
que nunca aconteceu.
Sobram apenas lembranças que não existem.
O momento de ouro é agora.
Agora ou nunca dizem. Mas se o agora
é igual ao nunca, nunca será agora
que os amanhãs cantarão.
O amanhã é amanhã é amanhã.
Uma fuga dourada, uma projecção.
Um outro lugar, outra nação.
Uma vontade que se afasta da minha,
uma vontade.
Escravidão é escravidão.
Chegará a hora de embarcar.
De fugir deste lugar, de sair, desencontrar,
correr, sobressaltar. Parar um pouco e respirar.
Parar um pouco. De me encontrar.
Sem comentários:
Enviar um comentário