9.11.14

O golfo de tu


A baía espreitava lá fora luminárias de aurora,
Era tão cedo e tudo já tão radiante.
Ele e ela punham a cabeça de fora,
e riam por um instante,
embora fosse tudo tão aquático
e tu de fora rindo para os ecos distantes
Que ressoavam pela água salgada fora.

As escamas prateadas reluzentes
Mostravam o sabor da aurora,
E tu dizias entre as sombras,
ama-me aqui, já, agora.

Mas sombras não existiam mais,
Entre tanta luz e tanta cor.
E os botos lá longe, tão perto,
Continuavam alegres o seu lavor.

Dizias que o sabor do presente
Era meio amargo. Eu acho-o meio doce.
Podemos não ter tudo o que queremos,
mas temos o aqui, o agora.

E nesse breve instante,
Sentimos ambos a pequena morte,
 E entendemos um pouco mais, um pouco além,
O que é a vida, o presente, o agora.

2 comentários:

thais disse...

Tocante e amável poema! Compartilharei com meus amigos natalenses da literatura comparada, português Vasco! Continue nesse caminho poético, mil felicidades. Grande abraço.

Anónimo disse...

*** :)