Dançámos. Já tinhamos dançado antes assim. Tão juntos. Ela diz-me em francês, algo como: gosto mesmo muito de dançar contigo. Foi bonito. Fechei os olhos durante muito tempo. Ela ainda lá estava agarrada a mim. Continua a ser bonito. Muito. A música contínua, nós também, sempre tão juntos. A música acaba. Alguém se intromete e ela parte. Nesse momento guardei-te no meu coração.
Algum tempo passa. Aproximo-me. Abraço-a. Ela abraça-me também. Quase que a beijo. Quase que ela me beija. Ela olha-me atentamente. Eu olho para dentro dela. Sorrimos. Esperamos pela próxima dança e não é o que esperávamos. Dançamos na mesma, improvisamos. Pego-lhe com força e dançamos agarrados um ao outro. Aperto-a. Ela aperta-me. Continuamos mesmo que não seja a melhor posição para dançar. Não conseguimos dançar de outra maneira. Parece um momento eterno e ao mesmo tempo extremamente fugaz. O momento termina e ela foge. Diz: vou dizer olá, e parte.
Volto a vê-la na hora de partida. Vou ter com ela e falo-lhe da casa. Da casa dela. Ela vai partir, fazer woofing. Falo-lhe do woofing, e de tudo isso. Ela vai viver para longe. Diz que vai construir casas, falamos das casas a construir. Falo do Brasil, da bioconstrução. Temos coisas em comum, conversa. Tivemos que partir.
No derradeiro momento, lá fora. Ela aproxima-se outra vez de mim. Sorrimos. Abraçamo-nos com força e damos dois beijos quando queriamos dar um só. Dizemos adeus, até um próximo baile quando queriamos dizer: vamo-nos encontrar e fazer amor.
Não sei porque não lhe pedi o contacto. Ela também não mo pediu. Eu funciono ao retardador, só entendo quando é tarde. Agora estou chateado.
Mas foi bonito. Foi tão bonito! E quem sabe se não nos encontramos outra vez. E aí acho q não vou deixar que seja assim novamente. Sempre podia ir lá ter com ela, onde quer que ela vá, um fim de semana, o que seja!
E assim ficou o meu contacto perdido. Darn. Era demasiado bom. Tão bom. Fica em segredo nos sonhos e aqui.
O mais engraçado é que foi na mesma casa que conheci a amiga dela que também partiu. E com ela também aconteceu algo semelhante. Curioso. As mulheres partem, eu fico. Um dia uma delas também há-de ficar e partir comigo. Que isto de partir e chegar não tem fim, permanecer é uma miragem bem ao longe, no horizonte.
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