20.1.09

aos papéis


Vento circular, norte noroeste. 
Dentro de ti.
Vivo aos papéis, como se isso fosse vida.

Perpendicular ao norte, o vento quente vem. 
Atravessa uma linha de ouro, um mármore em ferida.
A cicatriz branca que ainda não sarou, 
traz memórias de outros, que também são as minhas.

O eco de improviso.
O descalabro de todas as palavras.
O som e o sono de uma vida mais que vida.
Mais do que um sorriso. O teu sorriso. 

A tua pele, flor madrugadora da esperança.
Renascida. 
Infinitas vezes nas costas escrevo o teu nome.

E não conto nada a ninguém. Nem a ti.
Não me deixas contar.  Nem tu sabes porquê.

Um dia saberás...

Nem eu. Mas um dia saberei. 

E nesse dia a esperança será claridade vertical no azul profundo do mar.

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