8.1.09

a passagem de ano sem mim

Hoje passei a passagem de ano sem mim.
Como assim?

Foi a dri que disse. Passei a passagem de ano sem mim.
E desapareceste?
Sim, agora sou eu sem eu, disse a dri.
E quem mais?
Não sei, talvez tu.
Assim.
Ela diz: Parece que não ouço, não vejo, não sinto, não me mexo.
E eu: Então não passate de ano. Quem passa o ano que não parece, desaparece.
Deve ter sido isso. Desapareceste a mais e agora és o que não és.
E ela: Sinto-me bem sem mim.
És um solilóquio. Só pode.
Talvez não, diz ela.
Mas dançaste?
Dançei. Sozinho. E tu?
Não sei. Desapareci.
Isso. Já me esquecia que não eras tu.
E tu? (mais uma vez).
Queria dançar acompanhado e dancei sozinho.
Não tive coragem no meio de tanta gente...de te convidar.
Mas como se não havia dança?
É...não havia dança para dançar. Só para agitar o corpo. Gestos somáticos perturbáveis.
E depois?
Depois nada. Conheci outra pessoa e separei-me dela quase ao mesmo tempo.
Espero agora outra madrugada, outro novo ano. Algo.

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