14.11.09

A cor do teu umbigo

A cor do teu umbigo é rosa ou roxo
Não há quaisquer imagens de outro ser
Assemelhados à paisagem doce
Da tua cor.

A cor do teu umbigo em mim
São pétalas a cair suavemente
Em cima do meu peito nu

Os ombros da tua lua
São êxtases adiados em mim
Apenas restam as lembranças
do que não foi.

Restam apenas fragmentos de ilusões
E uma outra fogueira rasga a minha pretensão
De saber porque existe o mundo.

A maré vem e o mar parte
Ao longe está a capitania
Flocos de neve florescem ao sol por entre as flores
e as ervas daninhas.

Tudo transparece, tudo se compõe de clorofila
Não há nenhuma névoa aqui no porto de onde
tudo chega, tudo parte, não há parte alguma assim.

Tudo é passageiro e impermanente,
tudo é passagem.

Até a rua em que vivemos passa
e nos deixa imóveis para todo o sempre.

O êxtase não é mais que uma semente inventada
Que nos transporta para a amurada
E nos faz cair. E nos sonhos dentro dos sonhos
somos apenas transportados
pela vertigem da queda
pelo zumbir dos corpos
pela antecipação do impacto
e ao acordar percebemos enfim
que não estamos assim tão vivos
como pensamos.

*

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