3.11.09

hope

Dás-me esperança e não é pouco,
hoje jantámos juntos e vimos juntos
mas um filme que não era para vermos.
Mas vimos. Num edredom dourado
em forma de tapete voador.
Voámos para longe mas não me deste a mão,
desta vez talvez tenha voado sozinho,
assim tivesse voado, se voei não sei.
E no entanto permaneces, persistes, prendes
a minha atenção no antes e no depois, continuo
a sonhar contigo, falas comigo mas não sei
o que queres.
Eu sei o que quero mas não quero forçar.
Estás demasiado perto. Tão perto que não
consigo respirar direito. Nem erguer a mão
para te tocar e quando o faço por uns momentos
esperava talvez que também o fizesses.
Mas continuas imóvel. Cansada, demasiado
passiva.
Eu espero, desta vez tenho paciência. Espero,
mesmo que me estatele no vazio, espero.
Não sei porque razão isto acontece.
Porque está a acontecer agora. Porque tenho
estes sonhos recorrentes que nunca tenho.
Porque estás aqui agora. Porque te amo assim tanto,
sem no entando ainda te amar. Porque, na verdade,
não te amo. Mas quero. É uma potência que se quer
transoformar em acção. Daí o não-amor que é amor
total, completo, tudo.

Desta vez não me importo de me estatelar no chão.
Não existe chão. Não existe cima nem baixo.
Provavelmente já me estatelei e nem
soube de nada. Afinal nem dói assim tanto.
Não dói? Não sei. Apenas tenho esperança.

*

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