Por vezes sinto
que tudo é deserto em ti.
As mãos não se abrem, não há petalas nas tuas flores.
As açucenas bravias queimam-se no suor frio do teu rosto.
Talvez seja eu tão apressado,
que não veja o teu sorriso.
Não que eu sinta o deserto, pois ele não existe,
está apenas o vazio mais perto de mim quando vais para longe.
E esse vazio tem dunas que atravesso com dor.
Embora seja dor que não me doi, é apenas um vácuo.
Que subtrai a minha dor.
És meiga nos teus olhos e entrelaças as pernas
como uma enguia.
És forte e eu gosto. Não há mais ou menos contigo.
Só falta o mais importante, que tarda.
Talvez falte um abraço. Daqueles.
Em que não haja desenlace, apenas.
Espero talvez que me respondas de outra forma,
Sem te fazer qualquer pergunta.
As caminhadas no deserto são tranquilas.
Não me dão sede nem frio, apenas enguias,
que ecoam nas minhas pernas a lembrança,
do mundo que existe para lá, dentro de ti.
*
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