22.7.09

regresso

O dia aborda uma árvore sem flor.
E o sol liberta os primeiros raios,
por entre a dor dos tentáculos,
de frio.

A ribeira das auroras terminou por hoje.
Resta uma cinza escura incandescente
E uma névoa eterna e translúcida.

Confundem-se e confundo. A irrealidade
é um carinho inventado pelos que estão
sós.

Transparecem libélulas ao nascer do dia
Carregam conchas e larvas e mar,
trazem consigo esperança em pó,
Que à luz do dia sabem espalhar,
por entre os fogos e os poços e as camas,
trazem com elas um outro olhar,
do estado das coisas a que se sobrepõe
toda a espuma da vida.

Não será então dizer demais
Que a ria que transporta tradição,
não se dissolva por entre as margens
da vida e da morte.

Os andores percorrem pelo templo
Os seus andares firmes e serenos,
Os devotos e os silêncios e os abanos,
As rezas da minha infância.

*

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