2.7.09

traições

dizes, não quero trair três pessoas
e no entanto não trais ninguém
ou talvez te traias e te lançes
no vazio ou na solidão auto imposta.

dizes, sinto-me mal.
Eu também me sinto assim,
mas não pelas tuas razões,
pois tu estreitas o amor
e eu vejo-o bem largo, aberto, total,
transbordante.

Queres amar como nos filmes,
românticos e trágicos,
mas o amor não é assim,
não é como nos querem fazer crer,
o amor é o que é, e é total,
não se reduz a uma pessoa.

Dizes, sinto que traio,
e a única pessoa que trais
é a ti própria pois ao sentires que trais,
estás a trair-te. A atrair-te para o vazio.

A traição não existe. Apenas nos impõem tal conceito,
como se o o amor fosse apenas feito
para amar um só ser.
Podes amar quem quiseres, e quanto mais amares
mas vais poder amar.
Mas para isso terás de romper
com as teias
e as amarras
e as redes apertadas
e vais ter de puxar para a frente
e de as romper com os dentes,
e com as unhas
e com os gritos
que ecoam numa sala sem paredes
em que apenas o horizonte ecoa
a sua própria voz
em que os muros são finalmente derrubados
em que o amor não é mais mutilado
e traição é palavra obsoleta, do passado.

*

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