29.7.09

rasgão

Quando a pele se rasga fica apenas dor.
Mas não é a pele mas sim a alma.
e a dor é outra.

Intangível, abstrata, insondável.

Como sair daqui?
Tudo parece fechado e irredutível.
Embora eu saiba que assim não o é.

E as paredes não existem e são sólidas
E o ar não existe e respira-se
E as estrelas são apenas reflexo
das suas primas no mar.

Há momentos que não acreditamos mais
no amor.

E no entanto sabemos que no dia seguinte,
tudo renasce, regressa, retoma.

Mas, neste momento, é a morte que
enche o palco, morte que não é mais que
transformação.

Em ar, em névoa, em carvão
que aqueça este frio e longo inverno
do meu coração.

*

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