Dissolves-te nas paredes de mármore
e no chão inteiro.
As lágrimas que caem são apenas pétalas
arrancadas ao entardecer.
E nem sequer são lágrimas. São apenas,
a cristalização de uma memória inexistente.
Tornaste-te ar, neblina, nevoeiro, novamente.
A cada passo que dás dou eu dez numa outra direcção.
Apenas estamos destinados ao desencontro,
num desfasamento constante, crescente, incompreensível.
E no entanto caminhamos lado a lado,
ou na direcção um do outro, apesar da
entropia e da melancolia, e da apatia,
que se abate sobre o nosso não encontro.
Por vezes parece que
nunca nos iremos encontrar.
Há dias em que
parece não valer a pena continuar.
Por momentos talvez sinta
que não vale a pena procurar.
Deixo-me estar, à espera
até a espera deixar de esperar por mim.
Embora não espere nada apenas sinto-me
feito de marfim e mármore e
estou bem sem me mexer.
Habituamo-nos demasiado ao silêncio das colunas
e às tágides. Dizem sempre o que queremos ouvir,
ou então não dizem nada.
São estátuas imoveis em mim. E tudo acontece
à minha volta, mas não em mim. Porque estou imóvel
e deixo-me estar assim, pois a alternativa é insuportável.
Um dia disseram-me que a ia encontrar.
Mas eu não acreditei.
***
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