4.10.09

sombras

Sinto sombras em mim.
Não estás cá para as mandar embora.
A tua ausência é uma sombra
cada vez maior.

Nasces em cada momento,
com bastante dor
mas sem lamento. Estás aqui.
Mas não existes, és apenas
uma leve brisa, uma luz que irrompe
num pequeno buraco de esferovite.
Um murmúrio no silêncio.

A angústia cresce e tu com ela renasces.
Paro por uns momentos e suspiro,
não me resta mais nada para fazer.
Esperar. E desesperar. E sonhar contigo.

Fazes-me tanta falta. E sinto que
sou capaz de tudo na vida,
menos disto. E sem isto,
não sou capaz de nada,
porque nada mais faz sentido.

E não te encontro, não sinto nada
por quem me rodeia. Onde estás afinal?
Não há brilho no teu olhar. Apenas lágrimas
de sangue.

Não compreendo como as coisas funcionam, e isso mexe comigo,
não acredito que a vida seja sofrimento pois, na verdade,
isto provoca-me um sofrimento dilacerante. E parece que,
quanto mais sofrimento provoca, mais tu te afastas.

O que fazer? Não sei. Sinceramente não sei. Estou tão cansado.

Resta-me o trabalho e a solidão. A solidão preenche se estivermos
realmente sós. E a solidão é horrível quando não estamos realmente sós.
Talvez seja um paradoxo. Talvez não faça sentido. Já não sei o que faz sentido.
Tu fazes sentido. Porque não apareces?

*

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