O portal das palavras incandescentes renega o seu sentido áureo, quando se translada lentamente para o zénite, para o chão. As tuas marcas permanecem no mármore, a sangue, nada as lava senão as lágrimas que cairam da tua face cor de mel naquele dia, no último dia do nosso reencontro. Estávamos os dois na falésia a ver o mar, em silêncio. As ondas murmuravam entre si e encontravam-se de cada vez com mais vigor. Tudo marulhava. As gaivotas tinha ido para longe e tu para perto de mim. A maresia transformava o mar em névoa e arco-iris tamanho micro. Andámos para longe, voltávamos do mar, e o mármore caiu em ti como uma tumba egípcia. O atoleiro dos últimos faróis. A grinalda no ar do vento e as tuas marcas no chão de mármore. Desapareceste enfim entre os últimos murmúrios do mar revolto. Ele veio e retornou contigo, e nunca mais te trouxe. Regresso muitas vezes ao mármore e lembro-me de ti nas tuas marcas e no teu sangue. Nasce em mim um rubor incandescente, aqueco-me por dentro, solto uma lágrima de esperança. Que o mar te traga em boas mãos.
Dizem que as sereias não regressam nunca. Eu acredito que um dia voltarás.
*
Sem comentários:
Enviar um comentário