5.12.09

o teu segundo filme

E ela disse: 'I miss you.'
E tudo ficou negro.

Vi hoje o teu segundo filme. E lembrei-me de ti outra vez. E senti a tua falta.
Pensei em tantos filmes tão parecidos que já vi a este.
E os sonhos.
Sonhei muitas vezes contigo antes. Antes de sermos dois outra vez, eramos um só.
Mas tu não te lembras. Eu não me lembro mas sinto.
Faltam sinapses. Associações furtuitas. Lembranças perdidas.
Ao menos desta vez,
nenhum de nós está do lado de fora.
Ao menos desta vez,
ninguém abandona ninguém.
Ficamos todos do mesmo lado.
'Eu quero que voce me faça o amor'
diz a tradução literal, automática, de uma linguagem mesclada.
Make me make love to you
continua, agora no original, ainda mesclado, quase todo inglês.
Impossível de traduzir. Qualquer tentativa seria alvo de processo judicial criminal sumário.
Tudo seria transcrito em palavras simples e a areia que nos separa deixaria de existir.

Faz-me mal estar a viver tudo o que não vivi contigo. Desta maneira a pele solta-se demasiado, antes do tempo, antes da própria vida. São escamas em demasia.

Por vezes imagino que me queiras dizer algo, ali, assim. Que me digas 'amo-te', mesmo que não tenhas coragem de o dizer. Talvez tenham inventado um vírus, que impeça a invenção do amor. e eu não te quero amarrar a uma cama, para depois nos denunciares depois do amor. Não fazes por mal, apenas estás infectada. E teríamos de fugir. Antes que a doença se espalhasse e alguém mais dissesse, 'eu inventei o amor'. Doença contagiosa irreversível a ser contida a todo o custo!
Antes que olhos se ergam, antes que desertos desabrochem, antes que esfinges se derrubem.

tudo está escrito dentro de ti. só tens de te lembrar do sonho. passar por todas as estações e parar na última paragem.

Depois diz-me como foi.

Um dia hei-de amar assim alguém. Gostava que fosses tu.

**

Sem comentários: