estava cansado, frágil. queria estar só.
acabei por sair, por alguém que já amei
intensamente.
batatas. trocar batatas por laranjas.
nada de mais. coisas bonitas,
framboesas. das vermelhas. e figos. maduros.
quando te vi, soube a razão
de nunca mais termos falado.
e é uma boa razão.
por isso não esperava esta dor.
ainda não entendi sequer o que estava
escondido aqui dentro.
ela chegou atrasada. muito. eu frágil, cansado.
tu chegaste logo depois. ela deixa-me sozinho,
já não é a primeira vez. muito cansado. triste.
não mo apresentaste. coisa estranha.
e é tão bonito, não podia vir na melhor altura.
e isso faz-me sofrer.
talvez seja uma mistura das duas coisas.
nem sabia que tinha isto aqui guardado
dentro de mim. e não entendo, não há razão,
nenhuma razão. talvez me faças lembrar
como as coisas mudam à minha volta.
um ponto de referência, um momento
de retrospectiva. não será em vão.
prometo-te que não será em vão.
nada será em vão.
e é tudo tão rápido. e é tudo tão distante.
e é tudo tão grande, o absoluto.
porque quero tanto o absoluto?
As condeixas planam no largo horizonte
Nos matízes ébrios do romper da noite
Ébonas sombrias correm pela praia
Dentro da amurada sombras fortes espiam
O doce lagunar das ondas, o murmúrio frio das pedras.
O farol irrompe dos destinos prévios
E ronda, rumina, rasga os previlégios
A lua lá no alto augura um recomeço
Entre passos fortes, entre névoas frias,
Tudo será desterrado, tudo será revelado.
Tudo será livre.
O que é um tudo?
É um tubo obrigado a viver ao contrário.
A viver o lado menos bonito.
*
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