Suspiro. Suspiro novamente.
Os pulmões não parecem encher-se de ar
Estão ressequidos, secos, inertes.
Prontos a marinar.
Queria tanto que estivesses aqui.
Beijar-te, abraçar-te, comer-te
de uma só vez, sem te engolir,
engolir-te e fazer-te regressar,
não te mastigar, não te moer,
não te ruminar.
Apenas fazer parte de ti e tu de eu
E desaparecer esta barreira que nos rompe
o destino.
E nos faz em desatino de uma lembrança infeliz.
É a alma que o diz.
E as lembranças de um tempo que ainda não passou
são o nosso fardo. E o fado que aí vem,
ainda não é facto sabes bem
que o torpor e a má lingua trazem fadado,
o fado que outros têm para nós.
e resta então apenas o sabor
de um sal que nunca ninguém alguma vez provou
aquele que sai da tua boca e encontra o meu sol
e a luz que não se vê volta a brilhar
com intensidade variável é certo
mas mesmo assim já dando para alumiar
alguns excertos deste verso.
As iluminuras ainda não estão gastas.
Apenas pressentem tempos distantes que aí vêm
Nas estátuas antigas estás presente
e chamas por mim ao longe.
A torre de marfim irá desboroar um dia,
e as pedras rolarão,
pelo vale de sombras.
E nesse dia regressarei à floresta
da minha infância
e te encontrarei por fim.
*
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