Atravessas o tempo, como se de manteiga se tratasse,
e não és faca cortante, apenas por um instante.
Passeias divertida pela amurada que não existe.
Sorris e cais. Atravessas o rio, sem barqueiro.
És um submarino azul esverdeado. A viajar
em águas cada vez mais profundas.
Está escura, líquidos nauseabundos penetram-te.
Nem a lua cheia reflectida no rio opaco te salva.
De ti próprio.
Há mortes que são piores que a própria morte.
Vai-se morrendo aos poucos. Nesta sombra, ali
na outra, em todas.
Há algo de demente na estagnação da saudade.
Cristalização da puberdade. Dentro de um
marfim dourado. Chovem pétalas de verdade.
Mas são apenas pétalas, falta o cerne.
São reflexos refractados, distorcidos, calcinados.
Um vítreo óculo sobre o outro lado,
uma missão resplandecente, o ouro e a luz a nascente,
de quem fabrica almas e nós dá de mão beijada
um ascendente sobre os deuses.
O amanhecer sempre resguarda,
atrás de uma parede sem vícios,
o regresso resgatado
de alguns, aqueles, outros suplícios.
A solidão enfim alcança
o seu mais alto explendor
quem lê isto até se cansa
de aturar tamanha dor.
*
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