6.6.09

manifesto da raiva

A raiva é coisa feia. É o que dizem.
Eu não acho assim. Prefiro ser autêntico.

Dá-me raiva a hipocrisia, a falsidade,
o enjoo dos momentos falsos.
Dá-me raiva a superficialidade,
a educação moralista, a falta de sexo.
Dá-me raiva a baboquice encapuçada,
o bonito bonito e as conversas de tartaruga.
Dá-me raiva toda essa cambada de pseudo-artistas,
de cínicos frívolos e de assexuados.
Dá-me raiva o mais ou menos, o assim-assim,
os limites estabelecidos, e as repressões.
Dá-me raiva esta história toda de amor,
que não passa da maior mentira de todas,
mas que no entanto continuamos a acreditar,
que no entanto precisamos de acreditar,
para escapar da morte e da indiferença.

Passo sempre nos sentidos proibidos e não olhos para trás.
Faço de propósito, dá-me gozo. Se for o caso disso,
bato de frente, e depois?

Só quero que faça muito barulho, que seja ruidoso,
que ultrapasse os decibéis estabelecidos por lei.

E se poder continuo em frente, até ao fim, até ao fundo.
Até às últimas consequências.

Se me levarem para trás, voltarei ao ponto de partida,
para o repetir.
Se me aprisionarem, voltarei todos os momentos lá,
mesmo que de outras formas.
Se me matarem, voltarei só para passar por lá,
novamente.

O ódio não me dá raiva, passa-me ao lado.
O que me dá verdadeiramente raiva,
acima de tudo
é a indiferença.

*

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